quarta-feira, 1 de abril de 2015

Justificativa da PEC da redução da maioridade penal é trecho da Bíblia

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Pastor Domingos, autor
da PEC, se baseou no
Velho Testamento
O texto da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) para redução da maioridade penal, a partir dos 16 anos, tem como base a Bíblia, o que é incomum, porque, em recurso de tal importância, as justificativas são as mais concretas possíveis, como dados estatísticos.

A controvertida PEC 171/1993 passou sem dificuldade pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados. Ela foi apresentada pelo então deputado Benedito Domingos (PP/DF), 76, na foto. Ele é pastor.

Em sua justificativa, Domingos citou o Velho Testamento, onde “o profeta Ezequiel nos dá a perfeita dimensão do que seja a responsabilidade pessoal, [porque] não se cogita sequer de idade: ‘A alma que pecar, essa morrerá’ (Ez.18).

Por esse trecho da Bíblia, na interpretação de Domingos, a punição penal pode abranger não só menores a partir de 16 anos, mas de todas as idades.

Curiosamente, em outro trecho de sua justificativa, Domingos parece aceitar a violência cometida por um menor de idade, se for para defender o povo de Deus.

Ele argumentou que o jovem Davi pode se comparado “ao urso e ao leão" porque "matou com suas mãos” quando teve de atacar o gigante Golias, que insultou a Deus.

A tramitação da PEC 171/1993 é a mais longa da Câmara e, mesmo assim, não deverá chegar tão cedo ao plenário, se chegar, por causa do debate emocional que sucinta. Uma comissão especial de deputados vai cuidar dela.

Embora os menores de idade sejam responsáveis por menos de 1% dos atos de violência, de acordo com a Datafolha, a maioria da população é favorável à redução da maioridade penal.

Com informação da PEC 171/1993 e de outras fontes, com foto de divulgação. 





Verdades absolutas da religião são incompatíveis com a política


Novela da Globo aborda preconceito contra ateus

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Rafael foi expulso
da casa de Lais por
não crer em Deus
Ainda que en passant, a novela "Babilônia", da Globo, expôs a milhões de brasileiros um preconceito do qual a sociedade pouco discute. O preconceito contra ateus.

Em um recente episódio, Aderbal, interpretado por Marcos Palmeira), pergunta ao rapaz Rafael (Chay Suede), namorado de sua filha, Laís (Luisa Arraes), qual é a religião dele.

Rafael responde que não segue nenhum credo. “Eu sou ateu”, diz.

Aderbal grita com o rapaz: "Ponha-se daqui pra fora. Você não é digno da minha filha, nunca mais ponha os pés aqui, não procure mais a Laís, nunca mais!"

Aderbal proíbe a filha de namorar o rapaz ateu.

Obviamente, nos próximos capítulos os jovens vão fazer de tudo para se encontrarem de novo, mas não se sabe se a continuidade da novela propiciará algum tipo de discussão mais aprofundado sobre a discriminação no Brasil àqueles que não acreditam em Deus.

Na vida real, em casa e nas empresas, muitas pessoas sofrem o tipo de discriminação experimentado pelo personagem Rafael, embora nem sempre com tanta dramaticidade.

"Babilônia" vem sendo bombardeada por pastores neopentecostais por causa do beijo gay que houve entre a personagem interpretada por Fernanda Montenegro e a por Nathalia Timberg. Inclusive, nota da Frente Parlamentar Evangélica chegou a afirmar que esse tipo de coisa é “estupro moral imposto pela mídia liberal”.

Agora, com um personagem da novela se assumindo como ateu, os neopentecostais têm mais um motivo para pregar que a Rede Globo quer acabar com os valores morais da família brasileira.

Até porque, antes mesmo de o episódio do confronto entre Aderbal e Rafael ir ao ar, sites evangélicos já chamavam pejorativamente de “ateus” Gilberto Braga e Ricardo Linhares, autores da novela.

Com informação de sinopse de Babilônia e outras fontes.





Personagens de novela tentam convencer menino a crer em Deus


terça-feira, 31 de março de 2015

Muçulmanos matam mais um blogueiro ateu em Bangladesh

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Washigur foi
assassinado
a facadas
A Polícia de Daca, capital de Bangladesh, está acusando três estudantes de escolas muçulmanas de terem assassinado a facadas na segunda-feira (30) o blogueiro ateu Washigur Rahman (foto), 27, que combatia o fundamentalismo religioso sob o pseudônimo de “Patinho Feio”. Rahman foi atacado a 500 metros de sua casa.

Policiais prenderam dois dos suspeitos quando fugiam do local do crime. Um dos estudantes teria dito que o blogueiro foi morto por ter cometido blasfêmia contra Maomé.

Neste ano, Rahman é o segundo militante ateu assassinado por muçulmanos em Bangladesh.

O primeiro assassinato ocorreu em fevereiro e a vítima foi o americano Avijit Roy, autor do blog “Mente Livre”. Ele vivia em Atlanta e se encontrava em visita a uma feira de livros em Bangladesh.

Um blogueiro disse que Washigur, seu amigo, era uma “pessoa de fala mansa e de boa escrita” e tudo o que escrevia o fazia com muito cuidado, porque sabia do risco que corria. “Mas isso não o salvou.”

Esse blogueiro comentou que já se estabeleceu em Bangladesh uma lei do silêncio. “Quem matar um ateu na rua, aos olhos de todos, será considerado como herói.“

Falou que a palavra “nastik” (ateu) é usada para designar um sub-humano que tem de ser morto.

Asif Mohiuddin, outro ateu, já tinha sofrido um ataque de radicais islâmicos em 2013, sobrevivendo. Hoje vive no exterior.

Mohiuddin disse que Washigur desejava “de todo o coração” que o país fosse verdadeiramente laico, de modo que todos pudessem ter liberdade de expressão e crença.

Bob Churchill, diretor de comunicação da IHEU (International Humanist and Ethical Union), lamentou que tivesse ocorrido o assassinado de mais um livre pensador. ”A liberdade de expressão é um direito que tem de ser respeitado e protegido em Bangladesh e em todos os países.”

Com informação do site da IHEU e de outras fontes, com foto de divulgação.





Livro mostra por que Platão é o pai da perseguição aos ateus


Igreja que tem lucro não está isenta de contribuição sindical, diz TST

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Universal vai ter
de pagar dívida de
R$ 3,7 milhões
Igrejas só ficam isentas do pagamento de contribuições sindicais se comprovarem no Ministério do Trabalho que não obtêm lucro com atividades econômicas.

É o que decidiu o TST (Tribunal Superior do Trabalho) ao recusar um recurso da Igreja do Reino de Deus contra uma sentença que a condena a pagar R$ 3,7 milhões em contribuições ao Sindicato das Entidades Culturais Recreativas de Assistência Social e Orientação e Formação Profissional de Mato Grosso do Sul. A condenação abrangeu 31 templos.

A quantia se refere aos anos de 2003 a 2007, período em que a Universal não comprovou que suas atividades econômicas não têm fins lucrativos.

A recusa do TST ocorreu após a Universal se valer de todos os recursos e embargos possíveis.

Em nota, a Universal afirmou que a decisão do Tribunal "contrariou garantias constitucionais asseguradas a todas as religiões".

Com informação do Tribunal Superior do Trabalho. 





Deputado propõe isenção fiscal só às igrejas com transparência

domingo, 29 de março de 2015

Gays, recasados e assassinos são todos iguais, afirma cardeal

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Para Raymond Burk, "é
 legítimo" discriminar
 os homossexuais
O cardeal americano Raymond Burk (foto) acaba de fazer uma afirmação que excede em intolerâncias todas as demais que tinha pronunciado até agora.

Em uma entrevista, ele disse que casais homossexuais, divorciados e recasados católicos que tentam se passar por bons fiéis são como “pessoas que matam alguém e ainda assim se mantêm gentis com outras pessoas”.

Para ele, não há boa ação que possa atenuar o drama de quem está “vivendo em estado de pecado mortal”, conforme entrevista que concedeu ao Life Site News, cujo propósito é promover as causas conservadoras da igreja.

Burk é um ultraconservador que diz o que pensa. Já falou, por exemplo, que a discriminação aos homossexuais é “perfeitamente legítima”, porque eles representam um perigo às crianças.

O cardeal é um dos mais ativos porta-vozes da ala da Igreja hostis às reformas do papa.

Recentemente, Francisco “despromoveu” Burk, afastado-o da presidência do Supremo Tribunal do Vaticano para cuidar do cerimonial de uma organização católica com sede em Roma.

A estratégia do papa para silenciar Burk parece não ter dado certo, porque agora o cardeal está se sentindo mais à vontade para fazer sua pregação retrógrada.





Bispo fecha internatos para não aceitar gays como pais adotivos


sexta-feira, 27 de março de 2015

Nos EUA, 1 a cada 4 'desigrejados' é ateu ou agnóstico, diz pesquisa

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Em apenas duas décadas,
houve uma drástica mudança
no perfil dos céticos
Pesquisa do norte-americano Grupo Barna, instituto cujos propósitos se concentram em questões cristãs, levantou o perfil das pessoas que não frequentam nenhuma igreja, os “desigrejados”, confirmando tendências que têm feito arrepiar os cabelos de pastores.

Esse segmento dos "desigrejados" encontra-se em expansão e já representa 25% da população de adultos dos Estados Unidos.

O Barna verificou que a cada quatro sem igreja 1 é cético (ateu ou agnóstico). Ou seja, o cético representa um quarto dos todos os “desigrejados”.

A pesquisa comparou os sem igreja de 1993 com os de 2013, chegando às conclusões abaixo.

1Caiu a idade média dos céticos. Há 20 anos, 18% deles tinham menos de 30 anos. Hoje eles representam 34% — ou seja, quase que dobrou. Já a quantidade de céticos com 65 anos ou acima dessa idade caiu drasticamente, e hoje representa apenas 7% desse segmento. Esses dados mostram que a população americana caminha a passos largos para a consolidação do secularismo.

2  – Céticos têm mais tempo de escola. A pesquisa mostrou que os ateus e agnósticos de hoje têm mais estudo formal. Há duas décadas, um terço deles tinha diploma universitário. Hoje, metade do grupo já passou por uma escola de nível superior.

3  – Há mais mulheres céticas. O fato novo revelado pela pesquisa é que de 1993 para cá milhões de mulheres migraram para o grupo dos céticos. Naquele ano, elas representavam apenas 16% do grupo, mas atualmente a participação delas é de 43%. Ou seja, o triplo. Tais porcentagens comparativas não significam que diminui no grupo o número de homens, mas que houve um crescimento mais rápido do de mulheres.

4Houve diversificação. Há 20 anos, os brancos representam 80% dos céticos dos Estados Unidos. Em 2013, em percentual caiu para 74%. O Barna apurou que essa mudança se deve, em grande parte, aos imigrantes hispânicos e asiáticos e a seus filhos que estão aderindo ao ceticismo. Isso ocorre principalmente com os americanos de origem asiática, que é o grupo demográfico étnico menos cristãos dos Estados Unidos. Já a adesão de hispânicos e de negros é menos expressiva.

5  –  Os céticos estão mais bem distribuídos. Nos anos de 1990, os ateus e céticos se concentram no Nordeste e Oeste dos Estados Unidos. Hoje, eles se encontram em todas as regiões.

Para analistas da pesquisa, os três principais fatores que têm levado religiosos a se tornarem em céticos são 1) rejeição à Bíblia, 2) falta de confiança na igreja de sua religião, e 3) transformação cultural a favor de uma visão de mundo secular.

Para dois terços dos céticos, a Bíblia é apenas um livro de histórias escritas por pessoas cuja sabedoria é igual a de outros autores de autoajuda.

Apesar da antipatia ou indiferença que têm pela Bíblia, seis em cada dez céticos possuem em casa pelo menos um exemplo do livro dos cristãos.

Para a maioria dos céticos, a frequência a uma igreja não é enriquecedora, a não ser quando se trata de ajudar os pobres da comunidade.

No mais, para eles, as igrejas são lideradas por pessoas que não merecem confiança, porque pregam contra o casamento gay e contra a liberdade de as mulheres serem donas de seu próprio corpo, além de misturar crenças religiosas com política.

Com informação do Grupo Barna.





Pastor pede de novo que ateus saiam dos Estados Unidos


quinta-feira, 26 de março de 2015

Jornalista recorre ao MP contra criação do Dia da Esposa do Pastor

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Vereadora Andreia
conseguiu aprovar lei que
homenageia a si própria
O jornalista e escritor Eduardo Banks protocolou representação no Ministério Público de Minas Gerais para que proponha uma Adin (Ação Direita de Inconstitucionalidade) em relação à criação na cidade de Coronel Fabriciano, naquele Estado, do “Dia da Esposa do Pastor”, comemorado anualmente no dia 3 de março.

Aprovada por unanimidade pela Câmara Municipal, a lei foi proposta pela vereadora evangélica Andreia Botelho (PSL) — mulher de Doriedson Botelho, que concorreu nas eleições de 2002 para deputado federal com o nome de “Pastor Doriedson”.

Na representação, Banks, que é ateu, afirmou que aquela data comemorativa faz proselitismo religioso, ferindo “os princípios da impessoalidade da administra pública e da laicidade do Estado brasileiro”, em desacordo, assim, com a Constituição brasileira e com a do Estado de Minas Gerais.

No texto do projeto de lei, Andreia justifica o “Dia da Esposa do Pastor “como “uma forma de reconhecer o trabalho e dedicação daquela que passa sua vida lutando, defendo e apoiando a vida com Deus”.

Para Banks, essa justificativa, além de ser “um louvor em boca própria”, é um gravame porque atribui um valor positivo ao fato de alguém levar “a vida com Deus”.

"Atos normativos dos poderes públicos não podem conter qualquer asserção, seja ela positiva, ou negativa, sobre “Deus”, sob pena de se comprometer a neutralidade em matéria religiosa exigida pelo princípio da laicidade estatal", argumentou.

Disse que não se trata de um exagero, porque também poderia ser questionada uma lei que criasse em Coronel Fabriciano o “Dia dos Ateus” ou uma data comemorativa para “reconhecer a inteligência e a coragem daqueles que negam a causalidade de Deus”.

Ainda na representação, Banks apontou o fato de a criação lei do “Dia da Esposa do Pastor” ter descumprido a exigência legal de realizar “consultas e audiências públicas devidamente documentadas”.

Bank citou um trecho do pedido do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal para que declare inconstitucional lei de Amazonas que obriga as escolas publicas a terem um exemplar da Bíblia, sem acrescentar livros sagrados de outras religiões.

O argumento de Janot: “Se, por um lado, os cidadãos detêm liberdades individuais que lhes asseguram o direito de divulgarem publicamente suas crenças religiosas, por outro, o Estado não possui direito à liberdade de religião. É dizer, não pode adotar, manter nem fazer proselitismo de qualquer crença específica. O princípio da laicidade lhe impede de fazer, por atos administrativos, legislativos ou judiciais, juízos sobre o grau de correção e verdade de uma crença, ou de conceder tratamentos privilegiados de uma religiosidade em detrimento de outras”.

Com informação da integra da representação de Banks e de outras fontes.





MP-RJ pede anulação de lei que obriga escolas a terem Bíblia


quarta-feira, 25 de março de 2015

Poemas dos séculos 17 e 18 revelam a 'devassidão' de freiras

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Livro mostra que nos conventos
do Brasil e Portugal se fazia
tanto sexo quanto se rezava
A palavra “freirático” designa aquele que frequenta convento de freiras. Nos séculos 17 e 18 significava algo mais: homem que tinha relacionamento com freira, desde ao platonismo inocente a encontro caliente.

A descoberta dessa palavra foi para a escritora Ana Miranda uma porta de entrada para um período em que as freiras tinham amantes, algumas delas mais de um.

"Nunca tinha ouvido essa palavra", disse Ana Miranda, que estudou em colégio de religiosas dominicanas. "Para mim era inacreditável que em Portugal, no auge da Inquisição, pudesse ter havido algo assim."

Foi uma época em que nos conventos se fazia sexo tanto quando se rezava. “Celas e conventos eram ambientes de grande licenciosidade”, escreveu Miranda.

As pesquisas de Miranda sobre os freiráticos renderam o livro “Que Seja em Segredo” (L&PM, R$ 22, 125 páginas), que transcreve poemas escritos por freiras e para elas. O livro já tinha sido lançado em 1990, mas estava esgotado.

Freiras eram musas
 de poemas como estes
Para os homens que desejam a emoção de sexo proibido, os conventos eram paraísos na Terra, porque para lá as famílias mandavam suas filhas tidas como problemáticas, como as rebeldes e contestadoras, as que só pensavam em sexo, as ninfomaníacas, as que perdiam a virgindade antes do casamento, as homossexuais e as bastardas.

"Todas as mulheres solteiras interessantes estavam nos conventos", disse Ana Miranda.

 “Como poucas vezes, a interdição sexual teve a função de afrodisíaco. Era preciso degradar o fascínio do mal; espiritualizar o corpo e erotizar a alma. Para isso, nada como buscar o prazer na escuridão dos conventos."

Um dos freiráticos foi dom João 5º, rei de Portugal. Ele gostava que freiras sentadas em seu colo lessem poemas eróticos.

Havia uma passagem secreta entre o seu palácio em Odivelas e um convento, de modo que ele tivesse acesso ao seu “harém” de freiras sem chamar a atenção.

Outro frequentador assíduo de conventos foi o poeta Gregório de Matos. Ele escreveu depoimentos sobre seus encontros com as “cortesãs enclausuradas”.

Contou que uma vez a cama em que estava com uma freira pegou fogo. O acidente ocorreu provavelmente por causa de uma vela, mas na interpretação poética de Gregório o que desencadeou as chamas foi o “amor que queimava os corpos através dos espíritos”.


Freiras eram frequentadas por
 pessoas de destaque na sociedade


Trecho do livro
"De noite, portões se abriam para os amantes"

Mas nem sempre os freiráticos ficavam do lado de fora dos conventos. Mandavam presentes, imagens de santos, presépios, capelas aos que tinham as chaves das celas; subornavam abadessas, abriam suas bolsas aos padres, para desimpedir o caminho em direção ao objeto desejado. Havia padres residentes que usavam seu trânsito nos conventos a fim de levar e trazer a correspondência dos freiráticos, com os tratos ilícitos. De noite, portões se abriam para que os amantes entrassem furtivamente; muros eram escalados, fugas eram empreendidas com escândalo, abadessas que criassem obstáculos eram ameaçadas com facas. Alguns se disfarçavam em hábito feminino para se insinuar nos corredores em busca da eleita.

As religiosas do convento de Santa Ana de Vila de Viana tinham nas proximidades várias casinhas aonde iam, fora de clausura, com pretexto de estarem ocupadas a cozinhar, e recebiam ali homens que entravam e saíam de noite, denunciou em 1700 o rei, em Lisboa. Nas celas os catres rangiam, os corpos alvos das freiras suavam sob o calor dos nobres, estudantes, desembargadores, provinciais, infantes. Os gemidos eram abafados com beijos.

A doçura do amor e seus abismos Conventos de Portugal tomavam por modelo o de Odivelas, onde trezentas freiras belas e namoradeiras tinham, cada uma, um ou vários amantes, com os quais 12 se distraíam. Essas religiosas eram tidas como as amantes mais atraentes dos portugueses nobres, nas palavras do general Demaurier, em 1755. Moravam em celas luxuosas, com as paredes recobertas de seda, cortinados nas janelas, lençóis de cetim; tomavam chá em xícaras de porcelana, levavam uma vida ociosa em que se entretinham a ler, pôr alcunhas, namorar e fazer doces. Chamavam a si mesmas de Caramelo, Pimentinha, Muleirinha, Caçarola, Vigairinha, Márcia Bela. Pregavam no rosto sinais de tafetá, os ferretes do inferno, usavam rendas nas camisas, luvas, leques, toalha açafroada, em irrequietos ademanes de mulheres disponíveis. Como descreveu Gongora, “Vio una monja celebrada, tras la rexa el niño Amor, bien quebrada de color, y de amor bien requebrada”.

Em certas manhãs elas armavam, do lado de fora do convento, um bufete de doces e pratos especiais que continham bilhetes convidando seus admiradores. Sevados, moletes, argolinhas, melindres, canelões, bolinhos do bispo, loiros, sequilhos das maltesas de Estremoz enchiam as mesas. Naquele dia, as ruas ficavam intransitáveis; as portas dos conventos, repletas de estifas, seges, carruagens. Os portões se abriam e entravam os freiráticos. Descerravam-se as cortinas da grade de proteção e perante os homens apaixonados surgiam as religiosas, com as mãos escondidas nas mangas do hábito, sérias, pálidas, belas como são as mulheres desejadas. Aos poucos elas iam abandonando o ar grave, cruzavam as pernas, tocavam violas e harpas, recitavam versos provocantes, riam, divertiam-se, diante da clientela fascinada que se empanturrava de papos de anjo, suspiros, peitos de freiras. Os doces eram trocados por prendas: um resplendor, uma cabeleira para a comédia, um casal de pombos, um cãozinho de regaço, um frasco de água da rainha da Hungria.

Depois da grade de doces, os freiráticos podiam encontrar-se com suas musas nos locutórios, mas não a sós. Tinham de admitir a presença de uma gradeira com a missão de vigiar o que diziam e faziam. Antes do encontro, vinha uma monja confidenciar ao freirático que sua amada morria de paixão por ele. Depois entrava a desejada. Tocavam-se as pontas dos dedos; ele segurava-lhe o braço; ela mostrava-lhe o pé, o tornozelo ou, entre a alvura da toalha, desnudava o seio, que ele acariciava, sob o olhar descuidado da sentinela.

Dentro do caráter escarninho e maldizente da tradição portuguesa, surgiu a poesia do amor freirático, ora satírica, ora lírica, mas sempre passional, em cuja liturgia afrodisíaca a obscenidade desempenhava uma função mágica, assim como de desmistificação e profanação da santidade. A adesão a uma prática libertina se realizava por meio da cumplicidade que o riso estabelece. Essa poesia tinha, também, um caráter político, pois atacava um ponto vulnerável do poder monárquico, sustentado pela autoridade da Igreja inquisitorial. “Quando eu estive em vossa cela / Deitado na vossa cama / Chupando nas vossas tetas / Então foi que me lembrei / Linhas brancas, linhas pretas”, escreveu um poeta anônimo, sobre mote que lhe dera uma freira.

Os poemas obscenos de amores freiráticos, onde aparece a repressão ascética e aviltante do sexo e da mulher, são inúmeros.

Com informação da editora e de outras fontes e imagem de divulgação.





Mulher belga afirma que sofreu abuso de freira em orfanato

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