domingo, 26 de fevereiro de 2012

Ferreira Gullar, ateu famoso

Gullar disse que a religião
dá conforto às pessoas
O poeta Ferreira Gullar não se lembra de quando exatamente deu conta de seu ateísmo porque nunca esteve envolvido diretamente com igreja ou religião. Mas Gullar é do grupo dos ateus que não querem acabar com a religião, até porque, segundo ele, isso seria impossível.

Gullar, que é marxista, disse que nem o materialismo conseguiu acabar com a religião porque ela "dá conforto às pessoas".

No programa Roda Viva, que a TV Cultura de São Paulo exibiu no dia 28 de fevereiro de 2011, ele disse que “o homem inventou Deus para que Deus o criasse”.

Esse foi o jeito que o homem encontrou para se distinguir dos outros animais, afirmou. “Porque, como disse Valdick Soriano, ‘eu não sou cachorro, não’. Ninguém quer ser cachorro e todos querem ser filho de Deus.”

Ferreira Gullar é o pseudônimo de José Ribamar Ferreira. Ele nasceu em São Luís, capital do Maranhão, no dia 10 de setembro de 1930. “Gullar” é um dos sobrenomes da mãe dele e “Ferreira”, nome da família.

Ele participou nos anos 50 do movimento da poesia concreta. Seu mais conhecido livro é de 1976, o “Poema Sujo”. Gullar é também escritor, crítico de arte e cronista de jornais. É ganhador de prêmios e títulos.

Ele se filiou ao Partido Comunista em 1º de abril de 1964, no mesmo dia em que os militares impuseram uma ditadura ao Brasil. Em 1970, entrou na clandestinidade e no ano seguinte saiu do país. Morou em Moscou (Rússia ou na época União Soviética), Santiago (Chile), Lima (Peru) e Buenos Aires (Argentina). Voltou ao Brasil no dia 10 de março de 1977.

Gullar se manifesta sobre religião e ateísmo em algumas de suas crônicas.

Na edição do dia 19 de fevereiro de 2006 da Folha de S.Paulo, em uma crônica sobre os “donos da verdade”, citou Hilter, Pol Pot e a inquisição. “E os inquisidores não duvidavam um só momento de que agiam conforme a vontade de Deus e faziam o bem ao torturar e matar.”

Apesar das consequências danosas da religião, como a inquisição, Gullar é de opinião de que ela “é fundadora e preservadora de valores fundamentais” (edição 1870 da Istoé, agosto de 2005).

“O fato de eu não ser religioso não significa que eu menospreze ou diminua a importância da religião”, disse. “Talvez a mais extraordinária criação do ser humano seja Deus.”

Com informações de crônicas e entrevistas do poeta.

Ateus brasileiros famosos.    Ateísmo.

Papa critica a ‘tentação’ de eliminar Deus da construção da sociedade

O papa Bento 16 criticou hoje (26) aqueles que estão se entregando à “tentação” de eliminar Deus da construção da sociedade.

Ao falar a peregrinos na praça São Pedro, lamentou que muitas pessoas estejam colocando  Deus para “fora” de sua vida, como “se Ele não existisse”, levando em conta as suas próprias capacidades para “colocar ordem em si próprios e no mundo”.

Neste primeiro domingo após o início da Quaresma, ele expôs sua preocupação com a secularização da sociedade ao relatar como Jesus resistiu às “tentações” do diabo no deserto.

Ultimamente, Bento 16 tem insistido em seus pronunciamentos em acusar, segundo ele, os riscos da secularização.

No mês passado, por exemplo, ele já tinha dito em uma audiência ao arcebispo de Nova Iorque, dom Timothy Dolan, que os fiéis norte-americanos precisar deter o avanço do secularismo e que o desafio da Igreja neste momento é reduzir o “analfabetismo catequético”.

Com informação das agências.

Papa pede aos fiéis americanos reação ao secularismo.
janeiro de 2012

Secularismo.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Herbert José de Sousa (Betinho), ateu famoso

Betinho se tornou descrente após
descobrir a ambiguidade de Cristo
O sociólogo Herbert José de Sousa, o Betinho, nasceu no dia 3 de novembro de 1935 em Bocaiúva, uma pequena cidade de Minas Gerais, um Estado de forte tradição religiosa.

O jovem Betinho foi católico praticante, de comunhão diária. Alguns de seus amigos eram sacerdotes. Teve professores jesuítas. Ele fazia parte da ala mais à esquerda da Igreja. Foi da Juventude Estudantil Católica, onde começou a sua militância política. Depois, atuou na Juventude Universitária Católica, na Universidade Federal de Minas. Participou da criação da AP (Ação Popular), da qual foi o primeiro coordenador. Aos 27 anos de idade, se tornou ateu.

Em uma entrevista em dezembro de 1996 ao programa Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo, ele afirmou que se tornou ateu não por influência do marxismo, mas por fazer terapia com um “psiquiatra louco”.

Disse ele no programa: “[...] houve um momento em minha vida em que a estrutura religiosa foi minada por um psiquiatra louco. Eu estava fazendo um tratamento e ele virou para mim, interpretando um sonho, e disse: 'Você tem uma fixação com Cristo'. Eu falei: 'Claro, eu sou da Ação Católica, toda pessoa da Ação Católica está fixada em Cristo'. E ele falou assim: 'É, mas o Cristo é uma figura ambígua, ele é homem, mas se veste de mulher. Ele é homem, mas tem cabelos compridos'. E eu falei: 'Ih, danou tudo'”.

Ele contou que, nesse momento, toda a sua estrutura religiosa desabou. “Com isso, desapareceu o problema da existência ou não de Deus”.

Mesmo ateu, Betinho continuou ligado ao movimento revolucionário católico. Em 1971, foi exilado para o Chile pela sua atuação na resistência à ditadura militar que se instalara no Brasil em 1964. Com o golpe no Chile em 1973, ele se refugiu na embaixada do Panamá. Depois, morou no Canadá e México.

Os amigos de Betinho sabiam de sua descrença, mas o grande público, não, e ele, até certo momento, apresentava constrangimento ao falar sobre o assunto. Às vezes, quando possível, saía pela tangente.

Na primeira entrevista que deu ao Roda Vida, em dezembro de 1987, ou seja, 9 anos antes da segunda, ele teve de responder a pergunta de uma telespectadora se a “força interior” dele vinha de Deus. Betinho respondeu colocando Deus entre “alguns valores fundamentais”, entre os quais ele acreditava no da justiça, da solidariedade, da fraternidade. Ou seja, deixou Deus de sua lista de valores.

Após 11 anos no exílio, Betinho voltou ao Brasil em 1979, beneficiado pela Lei da Anistia. Em 1981, em parcerias com economistas, fundou o IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas). Foi um período em que se envolveu no movimento pela reforma agrária.

Em 1986, ele soube que tinha síndrome da Aids. Ele contraiu o vírus em uma transfusão de sangue, a qual se submetia regularmente por sofrer de hemofilia. Ele e os seus irmãos Hanfil (cartunista) e Chico Mário (músico) herdaram a doença de sua mãe. Todos foram contaminados pelo vírus HIV e uma época em que ainda não havia o coquetel de medicamentos para neutralizar os efeitos da síndrome. Os irmãos morreram em 1988.

Betinho obteve a notoriedade ao liderar uma campanha contra a fome, cujo auge foi em 1993. A campanha arrecadou toneladas de alimentos, com o envolvimento dos vários setores da sociedade. Ele dizia que “democracia e miséria são incompatíveis”.

Em 1997, teve de se afastar da campanha por estar muito fraco. Morreu no dia 9 de agosto daquele ano.

Betinho dizia que o seu sonho era que todos da sociedade tivessem as mesmas oportunidades de felicidade, mas se reconhecia como utópico.

Alguns de seus amigos católicos tinham dificuldade em aceitá-lo como ateu. Humberto Pereira, por exemplo, que atuou com ele na Juventude Estudantil Católica, declarou à Veja, quando Betinho morreu, que era “impossível” que o companheiro tivesse perdido a fé. Mas Maria Nakano, mulher de Betinho, deu à revista testemunho que não deixa dúvida: "Eu o acompanhei em seus momentos de crise absoluta e pude observar que não procurou se segurar em Deus".

Betinho foi sepultado como tinha pedido: sem orações, cruzes e velas.

Com informação do Roda Viva, Veja e Wikipédia, entre outras fontes.

Ateus brasileiros famosos.    Ateísmo.

Arcebispo admite em debate com ateu utilidade da teoria da evolução

Dawkins e o arcebispo Williams se confrontam 

O cientista ateu Richard Dawkins (na foto à esquerda) tratou na quinta-feira (23) de desmontar a crença em Deus do arcebispo da Cantuária (Grã-Bretanha), Rowan Williams (foto), partindo dos argumentos do naturalista Charles Darwin, num debate público na Universidade de Oxford.

Dawkins, autor de livros de divulgação científica como "Deus, um delírio" e "A magia da Realidade", realizou uma viva defesa do darwinismo para apoiar sua tese de que o ser humano é um produto exclusivo da evolução biológica, sem a intervenção divina.

“É maravilhoso saber que as leis da física, por meio da seleção natural, produziram estas enormes coleções de átomos que são os seres vivos, tão complexas que facilmente se produz a ilusão de que existe algum desenho atrás delas”, sustentou.

A publicação, em 1859, da teoria de Darwin sobre a origem das espécies desatou na sociedade vitoriana, da época, um escândalo cujos ecos chegam até os dias de hoje.

Então, a Igreja Anglicana revoltou-se irritada contra a “perigosa ideia” de que o homem descende de uma “forma inferior”, e o desagrado oficial durou até 2008, quando as autoridades eclesiásticas expressaram seu arrependimento por uma reação “excessivamente emocional” frente ao darwinismo.

No debate, Williams, que o líder espiritual da Igreja da Inglaterra, disse que a seleção natural pode se tornar útil para explicar certos aspectos da vida animal, porém sublinhou que falha ao tentar dar conta daquilo que define o ser humano.

“Darwin não tem muito o que dizer para solucionar o problema da consciência e não vejo grande avanço nas explicações científicas sobre esse tema. Talvez é algo que não dependa somente das leis da física”, afirmou.

“Se não podemos entendê-lo, será que tem a ver com Deus”, ironizou Dawkins, que sublinhou que um computador devidamente programado poderia atuar da mesma forma que um homem consciente, sem necessidade de que um ser superior intervenha no desenho do software.

O clérigo replicou que uma máquina não é mais que uma “ferramenta”, que nunca poderá “fazer-se perguntas sobre si mesma, explicar piadas, fantasiar”, nem, supostamente, “conectar-se com essa energia criativa que chamamos Deus”.

Como foi criado o universo?

Dawkins: Como podemos falar da evolução e os milhões de anos de desenvolvimento e desenho e depois dizer: sim, existe Deus? Por que não reconhecer que existem elegância e beleza na ideia de que a vida apareceu do nada, movida pelas leis da física?

Williams: O arcebispo admitiu que fica admirado dessa beleza, mas assegura que ele não poderia explicá-la somente pelas leis da física. “Uma mescla de amor e matemática”, disse o religioso. Assim se explica a beleza da criação.

Como se originou a vida no universo?

Dawkins: A seleção natural explica muito desse processo. Trata-se de imaginar como, num primeiro momento, as moléculas estavam no espaço. Porém, ninguém sabe realmente como se originou a primeira molécula que deu origem à vida. Penso que talvez a primeira formação fosse parecida com o ARN (ácido ribonucléico).

Estamos sós no universo?

Dawkins: Como pode ser que por causalidade a vida só tenha conseguido formar-se nas moléculas da terra? O universo deve estar cheio de vida.

A Bíblia e o universo.

Williams: Os autores não se referiam à criação da vida, mas ao que Deus queria estabelecer. Na realidade, com a Bíblia buscou-se explicar o conceito de pecado.

Teoria da evolução é ignorada por 1 bilhão de muçulmanos.
abril de 2011

Evolução.    Ciência versus religião.   Ateísmo.   Dawkins

Associação pede ao MP medida contra Iurd por ‘cura’ de gay

Reis acusa a igreja
de charlatanismo
com atualização

A ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) pediu ao procurador regional Jefferson Aparecido Dias, do Ministério Público de São Paulo, “medidas cabíveis” contra a Iurd (Igreja Universal do Reino de Deus) por mostrar em um vídeo a “cura” da homossexualidade de um rapaz.

No vídeo, que é uma gravação da TV Iurd, transmitida pela internet, aparecem Edir Macedo, chefe da igreja, e o pastor Clodomir Santos em uma sessão de exorcismo na qual "libertam" o rapaz do espírito da homossexualidade e "queimam" enfermidades, incluindo a Aids, caso exista.

Na representação que enviou ao MP, Toni Reis, presidente da associação, disse que se trata de charlatanismo porque a OMS (Organização Mundial da Saúde) estabeleceu em 1990 que homossexualidade não é doença.

No começo do mês, Benjamin Bee, do blog Gay Católico, já tinha pedido ao MP que acionasse Edir de Clodomir pela prática de exploração da credulidade pública.

Agora, Bee aguarda a manifestação do Ministério Público. Para que haja uma denúncia (acusação formal à Justiça) do MP, se esse for o caso, o MP terá de ouvir os pastores, em um processo que demanda meses.

Trecho do vídeo da 'cura' da homossexualidade


Com informação do site da ABGLT e deste blog.

Íntegra do vídeo.    Milagrentos.

Gay denuncia Edir Macedo pela prática de charlatanismo.
fevereiro de 2012

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Politização da religião beneficia a democracia, afirma estudioso

A politização da religião no Brasil, com a participação nas eleições cada vez mais de pessoas com “sentimento de serem evangélicas”, desprivatiza as igrejas, havendo, em consequência, uma redução por parte delas da busca pela transcendência, fincando-se mais neste mundo real.

Essa análise é do professor evangélico Oneide Bobsin, doutor em sociologia da religião pela PUC-SP e graduado em teologia. Para ele, a politização dos evangélicos é boa porque “faz a democracia brasileira avançar nos marcos de uma república”.

Bobins não acredita que isso possa comprometer a laicidade do Estado. Disse que a democracia brasileira é moderna, o que garante aos crentes e à suas lideranças o direito de manifestação, mas impede que possa haver um governo em nome de um credo.

Ele relativizou o poder dos pastores sobre os devotos porque, disse, o processo de politização tornará “os fiéis mais cidadãos do que ovelhas”.

“Como pesquisador e observador das igrejas e religiões, tenho percebido uma crescente autonomia dos fiéis em relação às suas liderança religiosas e pastorais”, disse. “Cada vez mais as ovelhas não escutam a voz dos seus pastores quando se trata das questões públicas.”

Ele citou o líder comunista italiano Antonio Gramsci (1891-1937) para afirmar que, no âmbito da religião e política, “as camadas empobrecidas são mais pragmáticas” quando está em jogo a sua sobrevivência.

"Haverá mais cidadãos
e menos ovelhas"
“Suspeito que, entre as camadas pobres, os programas sociais do governo federal têm um peso muito maior do que esses temas [da religião] ou outros ligados à corrupção”, disse em entrevista ao site do Instituto Humanitas Unisino, que é uma entidade católica.

A análise de Bobsin (foto) está na contramão do temor de setores da sociedade preocupados com o suposto crescente poder político dos líderes evangélicos, que chegam a impor a sua pauta a candidatos, como ocorreu com Dilma Rousseff quando prometeu que o seu governo não tocaria na questão da legalização do aborto.

Íntegra da entrevista de Oneide Bobsin.

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