terça-feira, 14 de maio de 2013

Ateus americanos se mobilizam contra isenção de igrejas

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Fundação quer relatório sobre destino
do dinheiro arrecadado pelas igrejas
 
A Fundação para a Liberdade de Religião, que congrega 19 mil ateus e livres pensadores dos Estados Unidos, está pressionando o IRS (a Receita Federal de lá) a acabar com a isenção fiscal concedida às igrejas, começando por aquelas que fazem política partidária em cultos e missas.

No começo do ano, a fundação encaminhou à Justiça uma ação para que a Receita extinga o “tratamento preferencial” fiscal dado às igrejas. Também pediu que a Receita passe a emitir “relatórios anuais detalhados” dos gastos e receitas das igrejas, a exemplo do que já ocorre com as organizações não governamentais.

A fundação acredita que existam igrejas empregando parte do dinheiro do dízimo em atividades que ferem a laicidade do Estado americano.

Há um precedente confirmado: em 2008, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, a Igreja dos Mórmons, doou o equivalente a R$ 44 milhões para a campanha contra o casamento gay no plebiscito realizado no Estado da Califórnia.

Não se trata de empenho isolado da fundação em prol do Estado laico porque há outras entidades representativas que passaram a defender o fim do privilégio fiscal a cerca de cem igrejas — evangélicas e católicas — que usam seus altares como palanques políticos (o que tem ocorrido também no Brasil cada vez com mais frequência).

A reforma introduzida em 1954 no código tributário dos Estados Unidos determina que entidades isentas de impostos não podem ter envolvimento com política partidária. Como não há fiscalização, o veto ainda não “pegou”.

Desde aquele ano para cá, apena uma igreja por década perdeu a isenção e ou multada por se intrometer na política. A maioria dos pastores transgressores apenas é advertida de que não pode misturar religião com política.

Algumas igrejas criadas por pastores com ambições políticas se registram como ONGs, deixando, assim, de ter o privilégio fiscal, mas, em contrapartida, podem fazer proselitismo político sem correrem qualquer risco.





Igrejas obtêm R$ 20,6 bi por ano com dízimo, venda e aplicação
janeiro de 2013

Isenções fiscais da Igreja

domingo, 12 de maio de 2013

Visita do papa ao Brasil custará R$ 118 mi aos cofres públicos

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Recursos dariam para construir
mais de 2.000 casas populares 
A visita do papa Francisco ao Brasil de 23 a 28 de julho, durante a 26ª Jornada Mundial da Juventude, custará aos cofres dos governos federal, estadual e municipal do Rio pelo menos R$ 118 milhões.

O governo federal terá o gasto de R$ 62 milhões — desse total, R$ 30 milhões serão com a segurança do papa. Só com o transporte por um avião Hércules da Força Aérea de dois papamóveis do Rio para o Santuário de Aparecida (SP) custará cerca de R$ 1 milhão.

Dos cofres do Estado e da prefeitura do Rio sairá aproximadamente o total de R$ 56 milhões, segundo o “Globo”.

Não há informação sobre quanto a Igreja Católica vai gastar com a visita do papa e a realização da Jornada.

Com a inscrição dos participantes nesse evento, de acordo com estimativa do governo, a Igreja arrecadará R$ 140 milhões, se obtiver 450 mil adesões.

Pelas projeções da própria Igreja, contudo, o número de participantes será no mínimo de 800 mil, o que dará uma arrecadação de cerca de R$ 300 milhões. Entre outros gastos, a Igreja arcará com a hospedagem dos peregrinos.

Além de milhares de PMs, a visita do papa mobilizará 9 mil homens das Forças Armadas e 1.700 da Força Nacional. Em Guaratiba (Rio), onde haverá a vigília missa campal, a Força Nacional empregará 1.500 homens, que se somarão aos 2 mil seguranças privados contratos pela Igreja.

Os R$ 118 milhões dariam para construir 2.360 casas populares, ao custo de R$ 50.000 por unidade.





Fonte: Globo.

Reino Unido financiou visita do papa com fundo dos pobres
fevereiro de 2011

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Religião não deve interferir no debate público, diz professora

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Título original: Fé e política, uma relação conturbada

por Chico Marés
para Gazeta do Povo

Crença religiosa é do interesse individual e,
por isso, não deve imobilizar a ordem pública 
O Brasil é um Estado laico. Assim como a maioria dos países do mundo, não tem uma religião oficial e garante constitucionalmente a liberdade de credo para todos os seus cidadãos. Entretanto, desde 1891 — quando o catolicismo deixou de ser a religião oficial do país — as instituições religiosas participam do debate público, em certos casos fundamentando inúmeras posições com base na fé e na doutrina. Com a bancada evangélica nos holofotes, o tema voltou a ganhar relevância no espaço público.

Na opinião da professora de Direito Constitucional da UFPR Vera Karam de Chueiri (na foto abaixo), o debate público não comporta o pensamento religioso, pois questões de convicção pessoal não podem servir como baliza para decisões que envolvem toda uma sociedade — que inclui também ateus, agnósticos e pessoas das mais diversas religiões. “O argumento religioso não pode entrar no debate público. As razões sempre devem ser de ordem pública, e não individual”, resume.

Já para o doutor em Direito pela Universidade Mackenzie Ives Gandra Martins, a laicidade do Estado não significa a ausência da religião no espaço público. “O Estado laico não é um estado ateu. O Estado laico é apenas um Estado em que as decisões políticas não dependem de qualquer igreja, mas onde quem tem religião tem todo o direito de exercer sua cidadania”, afirma.

Gandra defende que, para quem tem uma religião, é impossível dissociar convicções religiosas de convicções não religiosas.

Portanto, o argumento calcado na fé teria tanta legitimidade quanto um argumento baseado em uma ideologia ou visão de mundo leiga. “Os que acreditam em Deus defendem seus pontos de vista, certamente influenciados por seus valores, e os que não acreditam são influenciados por suas convicções pessoais. O debate não pode impedir que aqueles que tenham religião opinem sobre os interesses da cidadania”, afirma.

A discussão sobre o Estado laico ganhou força nos últimos anos, uma vez que diversos temas na agenda pública brasileira têm colocado em lados opostos igrejas – especialmente as evangélicas – e segmentos sociais leigos. Um exemplo recente é a PEC que torna instituições religiosas aptas para contestar a constitucionalidade de leis no Supremo Tribunal Federal. A eleição do deputado e pastor Marco Feliciano (PSC-SP) para a presidência da Comissão de direitos Humanos da Câmara é outro fato que levantou a questão. A legislação referente à homossexualidade e ao aborto também são pontos de crise entre os segmentos.

Seguem alguns exemplos, atuais e antigos, dessa relação, às vezes conturbada, entre igrejas e o Estado laico:

Direitos LGBT

A questão LGBT é, atualmente, um dos principais pontos de atrito entre os que defendem a laicidade do Estado e a religião – as polêmicas envolvendo o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) são apenas a ponta do iceberg. A união entre pessoas do mesmo sexo, em âmbito civil, e a possibilidade de esses casais adotarem crianças, são criticadas de forma veemente por instituições religiosas, com o argumento de que esse seria um risco para a instituição familiar – esse debate ocorre também em democracias mais antigas e tradicionais, como a França. O Projeto de Lei 122, que torna a homofobia um crime de ódio (assim como já é para o racismo e a xenofobia), também recebe a oposição de parlamentares evangélicos. Para eles, nesse caso, o Estado passa a interferir na liberdade de culto. Na última semana, um projeto que permite a “cura” de homossexuais, apresentado por um deputado evangélico, foi colocado na pauta da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. A Organização Mundial da Saúde (OMS) não considera a homossexualidade uma doença desde 1993. É um outro exemplo da moral religiosa interferindo em uma questão pública.

Símbolos religiosos

Apesar de o Estado ser laico, é comum ver crucifixos e outros símbolos religiosos em vários órgãos públicos — e, apesar de muitas vezes esses símbolos passarem despercebidos, eles não deixam de causar polêmica. No ano passado, o Ministério Público Federal pediu a retirada da frase “Deus seja louvado” de novas cédulas de real, alegando que ela feria a separação entre igreja e Estado. O pedido gerou reações exaltadas de ambos os lados. A ironia é que a própria Constituição brasileira evoca a proteção de Deus, em seu preâmbulo. Na França, a polêmica foi ainda maior — especialmente com os muçulmanos. Em 2004, uma lei proibiu o uso de símbolos religiosos em escolas, mesmo quando usados pelos próprios alunos.

Divórcio

Essa é uma polêmica já superada, mas que, por décadas, acirrou os ânimos dos brasileiros. Pela ótica laica, a institucionalização do divórcio era apenas a confirmação legal de algo que já existia na sociedade civil — casais já se separavam e encontravam novos parceiros, independentemente da lei, assim como há muito tempo casais gays vivem juntos. Entretanto, esse ato contrariava — e até hoje contraria — a doutrina da Igreja Católica, que se opôs radicalmente ao projeto. As tentativas de se legalizar o divórcio vêm do século 19, mas apenas em 1977 o divórcio foi instituído, por uma margem estreita de votos. Hoje, é visto com naturalidade pela maioria da população brasileira.

PEC das Igrejas

Vera Karam de Chueiri
Karam diz que convicções pessoais não
podem ser parâmetros para sociedade
A PEC 99/10, de autoria do deputado evangélico João Campos (PSDB-GO), inclui entidades religiosas de âmbito nacional entre os entes aptos a contestar a constitucionalidade de leis no STF. Hoje, as organizações de classes e federações sindicais já podem fazer isso assim — como representantes dos três poderes, em nível estadual e federal. Para muitos, isso significa uma interferência direta da religião na vida pública, incompatível com a existência do Estado laico. Já outros veem a PEC como uma ampliação da cidadania, permitindo mais entidades representativas na sociedade de participar da democracia. De qualquer forma, essa interferência já ocorria de forma indireta. Por exemplo: quando era procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, católico, questionou a constitucionalidade das pesquisas com células-tronco embrionárias após pedido da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Aborto

O debate sobre a descriminalização do aborto é encarado com lógicas diferentes entre seus defensores e críticos. Pela lógica da maioria das igrejas, trata-se de uma questão metafísica: a partir de qual momento começa a vida? Pela doutrina cristã, a vida começa a partir da fecundação – logo, o aborto pode ser considerado o equivalente a um assassinato. A ciência não estabelece um ponto exato, mas é comum considerar a formação do tecido nervoso como um ponto inicial. Independentemente disso, quem defende a descriminalização argumenta que a proibição não resulta em uma redução do caso de abortos e causa a morte de milhares de mulheres em todo o país.





Estado brasileiro ainda não é totalmente laico
maio de 2013

Religião no Estado laico

Em Bangladesch, muçulmanos pedem pena de morte para ateus

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Ativistas gritavam palavras de ordem
como 'ateus devem ser enforcados' 
Cerca de 200 mil islâmicos fizeram no sábado (4) uma manifestação em Daca, capital de Bangladesh, pedindo a aprovação de uma lei da blasfêmia que condene à morte ateus e críticos do profeta Maomé.

O protesto foi convocado pelo grupo fundamentalista Hefatjat-e-Islam. Houve confrontos. Os ativistas jogaram pedras em policiais, que reagiram com gás lacrimogênio e disparo de balas de borracha.

Os manifestantes usaram explosivos caseiros para incendiar cerca de 30 veículos. Três pessoas morreram e pelo menos 45 ficaram feridas, de acordo com informações oficiais.

Os ativistas percorreram pelo menos seis grandes avenidas, fechando parte do comércio. Eles gritavam palavras de ordem como “Um ponto, uma exigência: ateus devem ser enforcados!” e “Deus é o maior!”.

Os seguidores do Hefatjat-e-Islam têm estado exaltados por causa das postagens anônimas de ateus na internet.

Neste ano, é a segunda manifestação dos fundamentalistas reivindicando morte aos ateus. Em fevereiro, o blogueiro ateu Ahmed Rajib foi assassinado a facadas por supostos fundamentalistas.

Bangladesh é um país asiático com 154 milhões de habitantes — a maioria é muçulmana, mas o regime de governo é democracia parlamentar laica.

Autoridades governamentais têm rejeitado as pressões dos muçulmanos fanáticos para a aprovação de uma lei da blasfêmia com o argumento de que a legislação do país é liberal secular.





Fontes: agências internacionais.

Sete países têm lei de pena de morte a ateus, revela relatório
dezembro de 2012

Ateísmo

sábado, 4 de maio de 2013

No Reino Unido, só 1 em cada 10 cristãos se orienta pela religião

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Pesquisa revela que cristãos não
adotam as práticas da religião
Apenas 1 em cada 10 cristãos adultos do Reino Unido se orienta pela moral religiosa, de acordo com pesquisa feita pelo instituto Ipsos Mori sob encomenda da Fundação Richard Dawkins para a Razão e a Ciência.

A pesquisa mostrou que as pessoas que se declararam cristãs têm baixo nível de prática cristã. Do total deles, menos de 3 em cada 10 (28%) afirmam que acreditam nos ensinamentos do cristianismo.

A fundação foi criada pelo biólogo evolucionista e militante ateu Richard Dawkins. Trata-se de uma entidade cujo objetivo é apoiar a educação científica e pensamento crítico como forma de combate ao fundamentalismo religioso, superstição e intolerância.

De acordo com a pesquisa, os habitantes do Reino Unido foram mais propensos a se declararem cristãos no Censo de 2011 não por convicção, mas porque 72% deles foram batizados na religião cristã ou porque seus pais (38%) frequentam ou frequentavam um templo.

O instituto apurou outros dados sobre o pouco empenho dos “cristãos” nas práticas de sua religião.

Exemplos:

- Um a cada seis admitiu nunca ter lido a Bíblia fora de um culto.

- No último ano, a maioria (60%) não leu por iniciativa própria nenhum trecho bíblico.

- Dois terços (64%), em uma questão com quatro respostas a escolher, não assinalaram que Mateus é o primeiro livro do Novo Testamento.

- Apenas um quatro (26%) afirmou que acredita no poder da oração.

- 27% dos “cristãos” disseram que também acreditam em astrologia e reencarnação. 36% creem em fantasmas e 64% no destino.

- Somente um terço (32%) acredita que Jesus ressuscitou fisicamente.

- Um a cada cinco (18%) não crê na ressurreição, mesmo em um sentido espiritual.

- Quase metade (49%) não pensa em Jesus como Filho de Deus. E 1 em 25 (4%) duvida de que Jesus tenha existido.





Fonte: Ipso Mori.

Britânicos sem religião crescem em dez anos de 15% para 25%
dezembro de 2012

Estatística das religiões no mundo

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Estado brasileiro ainda não é totalmente laico

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por Ranilson Alves da Silva 

Estado  brasileiro não tinha
 nada de laico em sua formação
Tido como um país exemplo para o mundo em termos de tolerância, convivência pacífica entre os povos do mundo todo — que para cá vieram e encontraram campo fértil para viverem culturalmente de acordo com suas origens e crenças religiosas — o Brasil, de algumas semanas para cá vem sendo sacudido por uma grande discussão sobre direitos de liberdade religiosa, vida sexual, manifestações, minorias, etc., depois que o deputado Marcos Feliciano (PSC-SP), assumiu a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal.

Como é evangélico de uma corrente radical, fundamentalista e, diante de inúmeros vídeos mostrados com suas desastradas declarações sobre negros, gays, mulheres e católicos, agitou-se intensamente a discussão em torno do Brasil como Estado laico, ou seja, sem ligações (pelo menos oficiais) entre o Estado, representado pelo governo e a religião em si.

A laicidade não existia no Império, já foi maior no início do período republicano, pelo menos na educação pública, e é hoje maior do que naquela época na legislação sobre a família. É como a democracia. O Estado brasileiro é hoje mais democrático do que foi, mas há muito a fazer para ampliá-la. Já houve recuos, mas os avanços prevalecem.

Em suma: o Estado brasileiro não é totalmente laico, mas passa por um processo de laicização. Na sua formação, o Estado brasileiro nada tinha de laico. A Constituição do Império (1824) foi promulgada por d. Pedro I “em nome da Santíssima Trindade”. O catolicismo era religião oficial e dominante. As outras religiões, quando toleradas, eram proibidas de promover cultos públicos. As práticas religiosas de origem africana eram proibidas, consideradas caso de polícia, como até há pouco tempo. O clero católico recebia salários do governo, como se fosse formado de funcionários públicos.

O Código Penal proibia a divulgação de doutrinas contrárias às “verdades fundamentais da existência de Deus e da imortalidade da alma”. Os professores das instituições públicas eram obrigados a jurar fidelidade à religião oficial. Só os filhos de casamentos realizados na Igreja Católica eram legítimos. Todos os outros eram “filhos naturais”. Nos cemitérios públicos, só os católicos podiam ser enterrados.

A situação de hoje é bem diferente. As sociedades religiosas não pagam impostos e recebem subsídios financeiros para suas instituições de ensino e assistência social. Certas sociedades religiosas exercem pressão sobre o Congresso, dificultando a promulgação de leis no que diz respeito à pesquisa científica, aos direitos sexuais e reprodutivos. A união homoafetiva, etc. A chantagem religiosa não é incomum nessa área, como a ameaça de excomunhão. Há símbolos religiosos nas repartições públicas, inclusive nos tribunais.

A expressão Estado laico não consta da Constituição de 1988, mas parte de seu conteúdo pode ser encontrado nela: entre as vedações à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios, está a de: “Estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-las, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público”. (art. 19 da Constituição Federal).

O Estado brasileiro tem tratados com o Vaticano, ente estatal católico, em matérias como a capelania militar, além de concordatas implícitas, como a que mantém o laudêmio. Além da família imperial, dioceses católicas e irmandades religiosas beneficiam-se do laudêmio nas áreas centrais das cidades mais antigas do país. Se as igrejas evangélicas não recebem recursos do laudêmio, beneficiam-se de outros privilégios, como as concessões de emissoras de rádio e televisão. O art. 150 da Constituição proíbe a criação de impostos federais, estaduais e municipais sobre “templos de qualquer culto”.

Durante a preparação da visita do papa Bento 16, em maio de 2007, o Vaticano pressionou o governo brasileiro a assinar um pacto para consolidar os privilégios da Igreja Católica. Os entendimentos continuaram, secretamente, e culminaram na assinatura da Concordata, em Roma, em novembro de 2008.

Nesse processo de construção do Estado laico, há avanços e recuos. Aqui vão dois exemplos. Primeiro, um exemplo de avanço seguido de recuo. A Constituição Republicana de 1891 determinava que fosse laico o ensino ministrado nas escolas públicas, mas a aliança do governo Vargas com a Igreja Católica fez com que o ensino religioso voltasse às escolas públicas.

Agora, um exemplo de avanço da laicidade do Estado, este bem consolidado: apesar da longa e sistemática oposição do clero da Igreja Católica contra a possibilidade legal de dissolução da sociedade conjugal, o divórcio foi instituído, por lei do Congresso Nacional, em 1977.

Hoje, graças ao crescimento do movimento evangélico no Brasil, construiu-se até uma bancada que segue a orientação político-religiosa das lideranças pentecostais.

Esse fenômeno iniciado por Feliciano põe em risco a paz pública na medida em que compromete as boas relações de convivência entre os mais diversos segmentos religiosos do Brasil. Agressões e ataques deste ou daquele grupo podem desencadear uma onda de intolerância, algo incompatível com o espírito do povo brasileiro, na medida em que a Constituição garante a todos o direito à vida, de ir e vir, à manifestação do pensamento, à liberdade de credo e de crença.





Ranilson Alves da Silva é jornalista e acadêmico de direito. Esse artigo foi publicado originalmente na Folha da Região.

Assembleia do Rio é usada para celebração de cultos e missas
março de 2013

Religião no Estado laico

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Valdemiro quer que Lula seja lobista da Mundial na África

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Valdemiro Santiago
Em troca, chefe da Mundial daria
apoio à reeleição de Dilma 
Valdemiro Santiago (foto) está tentando obter uma audiência com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para lhe pedir que interceda em países africanos, como Angola e Moçambique, onde a atuação da Igreja Mundial é alvo de restrições.

Ao final de abril, o governo de Angola, por exemplo, proibiu as atividades da Mundial e de outras igrejas evangélicas brasileiras porque elas praticam “propaganda enganosa”, prometendo milagres para tirar vantagens das “fragilidades do povo”.

Angola abriu uma exceção para a Igreja Universal, a arqui-inimiga da Mundial. A igreja de Edir Macedo sempre esteve próxima do governo angolano, a exemplo do que ocorre no Brasil com o governo petista.

Em troca do apoio de Lula, Valdemiro daria apoio à candidatura à reeleição à presidente Dilma Rousseff, que é vista com desconfiança por líderes religiosos.

A Veja informou que Lula ainda não respondeu à solicitação do chefe da Mundial. Na agenda do ex-presidente, contudo, está prevista uma viagem para a África em junho.

De acordo com a revista, Lula já presta serviço de lobista na África a empreiteiras brasileiras.

Em setembro de 2012, Marcelo Crivella, ministro da Pesca e pastor licenciado, disse que Lula, na época em que foi presidente, ajudou a Universal a se expandir na África.





Fontes: Paulopes e Ricardo Setti.

Crivella diz que Lula ajudou a Universal a se expandir na África
setembro de 2012

Religião na política

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