domingo, 25 de janeiro de 2015

Nos EUA, crianças 'sem Deus' têm forte senso de moralidade

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por Phil Zuckerman

Número de jovens educados por famílias seculares
aumenta rapidamente e já atinge os dois dígitos
Mais crianças estão "crescendo sem Deus" do que em qualquer outro momento na história dos Estados Unidos. Elas são descendentes de uma população secular em expansão que inclui uma relativamente nova e crescente categoria de americanos chamada de nones. São assim apelidados porque afirmam não acreditar em "nada em particular", de acordo com estudo de 2012 pelo Centro de Pesquisas Pew.

O número de crianças sem religião tem aumentado significativamente desde a década de 1950, quando menos de 4% dos americanos relataram que cresceram em uma família não religiosa, segundo estudos recentes.

Esse número atingiu a casa dos dois dígitos quando um estudo de 2012 mostrou que 11% das pessoas nascidas depois de 1970 disseram que tinham sido criadas em lares seculares. Isso pode ajudar a explicar por que 23% dos adultos nos EUA afirmam não ter religião, e mais de 30% entre as idades de 18 e 29 dizem o mesmo.

Então como tem sido a formação moral dessas crianças que não oram antes das refeições nem vão à escola dominical? Vai indo muito bem, ao que parece.

Longe de ser disfuncional, niilista e sem rumo, sem a suposta retidão pregada pela religião, as famílias seculares estão proporcionando aos seus filhos uma sólida base moral, de acordo com o professor de sociologia Vern Bengston.

Por quase 40 anos, Bengston tem supervisionado o Estudo Longitudinal de Gerações, que se tornou o maior estudo da religião e da vida familiar conduzida em várias extratos geracionais nos Estados Unidos.

Quando notou que crescimento dos nones estava se acentuando, Bengston adicionou em 2013 as famílias seculares em seu estudo, na tentativa de entender como está ocorrendo as influências entre as gerações dos sem religião.

Ele ficou surpreso com o que encontrou: altos níveis de solidariedade familiar, com proximidade emocional entre pais e jovens não religiosos, e fortes padrões éticos e valores morais transmitidos de uma geração para outra.

"No estudo, muitos pais não religiosos eram mais coerentes e apaixonados por seus princípios éticos do que alguns dos pais religiosas", disse Bengston.

"A grande maioria parecia ter metas firmadas por valores morais e uma vida com propósito."

Minha própria pesquisa em curso entre os americanos seculares — e de outros cientistas sociais que voltaram recentemente o seu olhar sobre a cultura secular — confirma que a vida familiar de não religiosos está repleta de valores morais de sustentação e de preceitos éticos enriquecedoras.

Destacam-se nessas famílias a solução racional de problemas, a autonomia pessoal, a independência de pensamento, ausência de punição corporal, um espírito de "questionar tudo" e, acima de todo, a empatia.

Para as pessoas seculares, a moral se baseia em um princípio simples: a reciprocidade empática, conhecida como “Regra de Ouro”. Tratar os outros como você gostaria de ser tratado. É uma antiga, imperativa ética universal. E não requer crenças sobrenaturais.

Debbie, a mãe em uma dessas famílias, disse: "A maneira de ensinar aos filhos o que é certo e o errado é incutir neles um sentimento de empatia. É tentando lhes dar a sensação de como é estar do outro lado de suas ações. E eu não vejo nenhuma necessidade de Deus nisso.”

"Se a sua moral é toda ligada a Deus, isso significa que o seu universo moral pode desmoronar a qualquer momento, em situação em que a existência do sobrenatural possa ser colocada em dúvida. A forma como estamos ensinando nossos filhos não se preocupa no que eles possam escolher em acreditar mais tarde. Mesmo que se tornem religiosos ou qualquer outra coisa, eles ainda vão ter essa estrutura de pensamento."

Estudos de 2010 da Universidade de Duke descobriram que os adolescentes seculares quando amadurecem estão menos propensos ao racismo do que os jovens religiosos.

Estudos psicológicos mostram que adultos seculares tendem a ser menos vingativos, menos nacionalistas, menos militaristas, menos autoritários e mais tolerantes, em média, do que os religiosos da mesma faixa etária.

Uma pesquisa recente mostrou também que as crianças nones tendem a permanecer sem religião à medida que envelhecem.

Adultos seculares são mais propensos a compreender e aceitar a ciência sobre o aquecimento global e também apoiam mais a igualdade das mulheres e os direitos dos homossexuais.

Os ateus eram quase ausente da população carcerária até 1990, compreendendo menos de metade de 1% dos presidiários, de acordo com pesquisa do Federal Bureau of Prisons.

Isso reflete o que a criminologia tem documentado por mais de um século: os sem igrejas e os não religiosos se envolvem muito menos em crimes.

Outro fato significativo: os países democráticos com os mais baixos níveis de fé religiosa — como a Suécia, Dinamarca, Japão, Bélgica e Nova Zelândia — têm as mais baixas taxas de crimes violentos do mundo e desfrutam de altos níveis de bem estar social.

Eu sei da angústia de pais seculares quando eles não conseguem ajudar seus filhos. Por isso, cabe a pergunta: eles estariam cometendo um erro ao criar seus filhos sem religião?

A resposta inequívoca é não. Crianças educadas sem religião não carecem de virtudes, e elas devem ser muito bem recebidas na sociedade como um grupo que está crescendo.

Phil Zuckerman é professor de estudos de sociologia e seculares no Pitzer College. Este texto foi publicado originalmente no Los Angeles Times.





Moral avançou sem precisar da religião, afirma Dawkins


Cardeal Bergoglio já teve seus dias de 'muçulmano radical'

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Artista Ferrari foi tido como
blasfemo pelo cardeal por
 causa de obras com esta
Embora não haja nenhuma referência no Alcorão, os muçulmanos consideram blasfemos todos aqueles que representarem Maomé, de uma forma ou de outra em qualquer mídia. Os mais radicais perseguem artistas e cartunistas. E os assumem o terrorismo matam os infiéis com bombas. Ou com fuzis AK-47, como se viu na redação do jornal satírico francês Charlie Hebdo.

Em 2004, Jorge Mario Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires e o futuro papa Francisco, teve seu momento de “muçulmano radical”, por assim dizer. Ele não suportava a existência das obras do artista plástico León Ferrari (na foto abaixo) que retratavam com irreverência Jesus e santos católicos.

Para Bergoglio, o artista passou dos limites quando apresentou com o nome de “A civilização ocidental e Cristã” um Jesus Cristo sob um avião carregado de bombas, obra de 1965 inspirada na guerra do Vietnã.

Havia também na exposição outras obras anticlericais, como o inferno habitado por santos e apóstolos e a reprodução do Juízo Final da Capela Sistina com cocô de pombas.

Na época, o arcebispo decretou um “jihad” contra uma exposição do artista. Em uma carta, ele convocou os católicos a fazerem manifestações diárias no local da exposição.

León Ferrari: Bergoglio
incitou ódio contra mim
Alimentados de ódio por Bergoglio, católicos ameaçaram por quatro vezes jogar bomba no centro cultural em que estavam as obras.

No dia 3 de dezembro daquele ano, um grupo de seguidores de Bergoglio, gritando “Viva o Cristo Rei, caralho”, invadiu o local e destruíram várias quadros, além de ameaçar o público com garrafas quebradas.

Ferrari então passou a mostrar o resultado da destruição e mudou o nome da exposição para “Obrigado, Cardeal Bergoglio”.

Três católicos foram condenados pelo vandalismo.

A exposição foi fechada e reaberta algumas vezes, algumas delas por ordem judicial.

Os católicos raivosos alegavam que ela não poderia se realizada em um prédio de propriedade do governo. Bergoglio exigia das autoridades um pedido de desculpas por esse uso indevido.

A exposição terminou antes do previsto por decisão do próprio Ferrari, que temia pela integridade dos visitantes.

"O Inferno"
Na época, o artista criticou Bergoglio por achar que as pessoas que “não pensam como dele devem ser castigadas, condenadas”. “E eu [Ferrari] penso que ninguém, nem sequer ele, deve ser castigado.”

Em 2007, Ferrari — já tido como um dos mais importantes artistas contemporâneo — ganhou o Leão de Ouro na Bienal de Veneza.

Ele comentou então que Bergoglio tinha cometido um ato vergonhoso porque o arcebispo sabia que, ao chamá-lo de blasfemo, era um incentivo para que fosse apedrejado, de acordo com ensinamento da Bíblia. “Eu naturalmente continuo contra a Igreja.”

Em 2013, quando soube que Bergoglio seria o próximo papa, Ferrari disse: “É um horror, é um horror. Vai ser um papa muito autoritário, com certeza”.

O artista morreu no mesmo ano, no dia 25 de julho, aos 92 anos.

Recentemente, no dia 15 de janeiro de 2015, começou a cair a máscara do papa Francisco, mostrando que, afinal, ele continua coerente com o seu passado de “muçulmano radical”.

Com os corpos ainda insepultos dos chargistas do Charlie que foram assassinados por terroristas islâmicos, Francisco, o até então queridinho da imprensa mundial, disse que a liberdade de expressão tem limite porque não se pode zombar da religião.

Bem que Ferrari avisou.

Papa em cima de um monte de mortos do Holocausto

Cristo em duas versões: no ralador de queijo e no tanque de guerra

Ditadura e religião na obra de Ferrari

Com informação das agências e deste site e fotos de www.leonferrari.com.ar.





Francisco repete Bento 16 ao alertar contra ‘ateísmo prático’


sábado, 24 de janeiro de 2015

Jovens detidas por beijo gay pedem indenização a Feliciano

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Yunka e Joana foram à Justiça contra
o deputado cobrando R$ 2 milhões
Yunka Mihura Montoro, 21, e Joana Arrabal Palhares, 19, na foto, estão pedindo na Justiça ao deputado pastor Marco Feliciano (PSC-SP) indenização de R$ 2 milhões por terem sido detidas a pedido dele por se beijarem na boca.

Na noite de 15 de setembro de 2013, um domingo, durante um show-culto em São Sebastião, litoral paulista, Feliciano mandou a Guarda Municipal prender as jovens por causa do beijo.

“Essas duas precisam sair daqui algemadas”, determinou Feliciano. E foi o que ocorreu.Vídeo abaixo mostra o momento da detenção.

Joana depois contou aos jornalistas que, antes de ser levada de camburão para uma delegacia com sua namorada, os guardas lhe deram dois tapas no rosto, debaixo do palco.

As duas disseram que se beijaram em protesto à pregação homofóbica de Feliciano.

Na delegacia, após prestarem depoimento, as jovens registram queixa de agressão e abuso de autoridade contra a Guarda Municipal.

O processo de indenização tramita na Justiça de São Sebastião e vai ser julgado pelo juiz Ivo Roveri Neto.

O advogado das jovens, Daniel Galani, anexou fotos das duas com marcas vermelhas nos braços e barriga.

"Tudo isso foi estimulado pela fala do deputado, que chamou as duas de ‘cadelas’ e ainda usou de persuasão para colocar a multidão contra elas", afirmou Galani.

A assessoria do deputado disse ao Diário da Região que a solicitação de detenção das duas foi feita com base no artigo 208 do Código Penal, que prevê prisão de um mês a um ano ou multa a quem “escarnear ou perturbar culto religioso”.

O show-culto foi realizado em local público e em parceira com a administração municipal. O prefeito Ernane Bilotte Primazzi é do mesmo partido de Feliciano.

Vídeo mostra momento da detenção


Com informação do Diário Web e foto de divulgação.






Juiz recusa acusação de Feliciano contra Porta dos Fundos

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Parodiar a Bíblia não é crime.
diz parecer do Ministério Público
A Vara do Juizado Especial do Fórum da Barra Funda, em São Paulo, arquivou o processo que acusava os humoristas do canal Porta dos Fundos de cometer “ultraje a culto” com o vídeo de 16 minutos “Especial de Natal”, divulgado no dia 23 de dezembro de 2013. Até hoje, o vídeo [ver abaixo] foi acessado mais de 6 milhões de vezes.

O processo tinha sido aberto em consequência de uma representação do pastor Marco Feliciano (PSC), na foto abaixo, para quem os humoristas violaram “os direitos difusos de cidadãos cristãos”.

Na época, em uma entrevista, Feliciano disse que o vídeo tem “conteúdo altamente pejorativo” porque se utiliza de palavras obscenas para atacar de “forma infame os dogmas cristãos e a fé de milhares de brasileiros”.

O juiz José Zoega Coelho, contudo, aceitou pedido de arquivamento do processo do Ministério Público de São Paulo, para o qual o vídeo não ofende a Igreja ou culto religioso.

Diz parece do MP-SP: “Para a configuração deste delito é necessário que o agente se conduza de má-fé (…). Não vislumbro essa intenção no caso narrado. Ainda que os autores tenham agido com falta de cortesia (…) isso não pode, por si só, configurar o crime do artigo 208 do Código Penal”.

Pastor se colocou
como representante
de cristãos
O referido artigo considera crime nas seguintes circunstâncias: “Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso”. A pena é detenção de um mês a um ano ou multa.

O advogado Alexandre Fidalgo, do Porta dos Fundos, disse que o humor faz parte do direito constitucional de liberdade de expressão em um regime democrático, que é o caso do Brasil.

“Além disso, a jocosidade, o humor, a graça, a paródia retiram qualquer elemento volitiva do tipo penal indicado, além do que afasta qualquer ideia de intenção de agredir sentimento religioso.”

"Vídeo infame", diz pastor


Com informação do Ministério Público e outras fontes.






Frango assado é corpo de Cristo em vídeo do Porta dos Fundos


quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Ocidente não deve desculpas ao Islã por ter liberdade, diz Harris

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"Poupar o islamismo
 pelo atentado é insano"
Ao abordar em um podcast o atentado ao jornal francês Charlie Hebdo, neurocientista americano e militante ateu Sam Harris (foto) disse que o Ocidente não deve pedir desculpas ao mundo muçulmano por ter liberdade de expressão. Falou que os islâmicos “têm simplesmente de acostumar” com isso.

Harris argumentou que a livre expressão do pensamento não entra em conflito com a liberdade de religião porque, nesse caso, ninguém é impedido de seguir e praticar sua crença.

Já os islâmicos, acrescentou, não podem usar a liberdade de religião para impor sua crença a outros, porque isso é teocracia e não tem em comum com os valores democráticos do Ocidente.

Ele também disse que não aceita os argumentos de alguns liberais norte-americanos segundo os quais o ataque ao Charlie se deve não a convicções islâmicas, mas à opressão do capitalismo a minorias e ao racismo dos jornalistas do jornal francês.

Para Harris, esses liberais perderam completamente o nexo sobre o Islã.

O neurocientista afirmou que é “insana” a análise que poupa o islamismo de responsabilidade pelo atentado, colocando a culpa no capitalismo.

Argumentou que, mesmo levando em conta tudo de errado do capitalismo e da história do colonialismo, não dá para “negar que esses maníacos religiosos são movidos por preocupações sobre blasfêmia e a representação de Maomé”.

“Eles [os maníacos] consideram seu comportamento totalmente ético à luz de doutrinas religiosas específicas.”

Harris também criticou a mídia por não reproduzir em massa, após o atentado, as charges do Charlie Hebdo, formando, assim, “uma frente unida contra esta teocracia rasteira”.

Afirmou que, ao não reagir a essa teocracia, a mídia acaba colocando todos os dias em perigo a vida de cartunistas, jornalistas, pensadores livres e intelectuais que participam do debate público. “Nós estamos prejudicando a nós mesmos”, disse.

“É isso que vai permitir que alguém pegue um fuzil AK-47 e mate cartunista e grite:’Deus é grande’”.

Com informação do podcast de Sam Harris.





Sam Harris é o ateu mais temido por religiosos dos EUA, diz site


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Governo vai monitorar nas redes sociais a intolerância religiosa

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Ministra falou haver conflito
entre evangélicos e católicos 
A SDH/PR (Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República) vai monitorar a intolerância religiosa que se propaga nas redes sociais. Haverá abertura de inquérito quando for necessário.

O monitoramento será feito pelo grupo de trabalho constituído ao final de 2014 para acompanhar os crimes de ódio, além do assédio de pedófilos com o uso da internet.

O grupo é formado por representantes da Polícia Federal, Ordem dos Advogados do Brasil e defensorias públicas dos Estados.

Para o grupo, os crimes de ódio são aqueles que violam os direitos humanos, como homofobia, racismo, machismo e apologia do nazismo.

Ideli Salvatti, titular da SDH, disse que o monitoramento decorre da intensificação da intolerância religiosa em todo o mundo.

Ela lembrou que no Brasil os seguidores de religiões de matriz africana são frequentemente vítimas de intolerância e que já houve “casos lamentáveis” entre evangélicos e católicos.

Com informação da Agência Brasil.





Pastor rompe com evangélicos por não apoiar a intolerância


Se Bíblia fosse lei, maioria estaria condenada à morte

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por Valerie Tarico

Dizer que cristianismo é religião
de paz constitui meia verdade
Com a possível exceção do budismo, as religiões mais poderosas do mundo transmitem mensagens contraditórias sobre a violência.

A Bíblia é repleta de apelos à bondade, compaixão, humildade, misericórdia e justiça. Mas também contém igualmente exortações de apedrejamento, escravidão, tortura e assassinato.

Se os países cristãos adotassem a Bíblia como lei, a maioria das pessoas estaria qualificada para a pena de morte. O mesmo pode ser dito do Alcorão e da Torá.

Cristãos, muçulmanos e judeus que afirmam ter religião de paz estão dizendo uma meia verdade ou uma mentira ingênua.

O que se verifica é que os crentes saudáveis e felizes se focam nos textos sagradas e práticas espirituais que incentivam a paz. E os crentes amargos, raivosos, temerosos e propensos à justiça com as próprias mãos são atraídos para os trechos das escrituras sagradas que sancionam a violência e a incentivam.

Assim, em si, as religiões não desencadeiam a violência. Mas negar que elas estejam atreladas diretamente a atos de agressão é o mesmo que negar que não existe nenhuma ligação entre o álcool e as armas e a violência. É fingir que as religiões são inertes ou que nossos mais profundos valores e crenças sobre a realidade não têm nenhum impacto sobre o nosso comportamento.

Do ponto de vista psicológico, as religiões muitas vezes usam o nome de um deus em impulsos que têm raízes pré-verbais subconscientes. Elas provocam experiências como de misticismo, euforia, domínio, submissão, amor e alegria.

Reivindicam o crédito para as emoções morais (vergonha, culpa, desgosto, empatia, etc.) que nos inclinam em direção à justiça e ao altruísmo.

De forma semelhante, as religiões provocam reações de auto-proteção, como raiva e medo —emoções mais prováveis ​​para o impulso da violência.

Tenho um exemplo em meu campo de atividades, o da saúde mental.

Em 5 de novembro de 2009, Nidal Malik Hasan, psiquiatra muçulmano do exército norte-americano, atirou e matou treze de seus colegas soldados na base militar de Fort Hood, ferindo outros trinta. Seu caso mostra como a religião pode combinar com outros ingredientes para produzir uma poção letal.

A partir de um redemoinho de conjectura e da repercussão na imprensa surgiu a imagem de um homem que estava sozinho, que parecia ter carência afetiva e que estava profundamente perturbado com as histórias de horror contadas pelos seus pacientes.

Outros terapeutas estão sob a mesma carga emocional, mas por isso a sua saúde mental ficam sob risco. Muitos deles buscam apoio de profissionais, da família e amigos e limitam o número de pacientes com casos traumáticos.

Sabe-se que Hasan buscou esses tipos de respaldos, mas ele acabou se aprofundando nas pregações do Islã, adquirindo sentimento de alienação e raiva.

Hasan deve ter experimentado um conflito angustiante de lealdades, mas, por fim, a raiva venceu, e, em última análise, os dogmas do Islã assumiram maior importância do que qualquer valor que ele tinha como psiquiatra, e o resultado foram a carnificina.

Os assassinos do massacre do jornal Charlie Hebdo cresceram em um gueto de imigrantes na periferia de Paris, em um lugar impregnado de patriarcado, bravata e ressentimento, um lugar mais propenso a promover amargura do que a esperança.

Eu diria que, como o álcool, a religião desobstrui violência em vez de causa-la, e que isso ocorre somente quando outros fatores criaram condições favoráveis ​​para a agressão.

Eu também poderia argumentar que em melhores circunstâncias religião desobstrui a generosidade e a compaixão, ajudando a melhor o comportamento.

Apesar do fato de que a violência é repetidamente endossada em textos sagrados, a maioria dos cristãos, muçulmanos e judeus nunca comete atos de violência no serviço de sua religião.

Da mesma forma, milhões de pessoas consomem álcool sem insultar, bater, chutar, fuzilar ninguém. Somos — na maioria — bebedores e crentes pacíficos.

No entanto, sabemos que, se não houvesse o consumo de álcool, as estatísticas de agressões apontariam índices menores.

Também sabemos que o Islã é um dos fatores preponderantes dos atentados de homens-bomba e da condenação à morte de blasfemos e apóstatas ou nos casos em que vítima de estupro é apedrejada até morrer.

Igualmente, quando ouvimos que um médico de obstetrícia foi baleado ou que o adolescente gay foi espancado até morrer, sabemos que o cristianismo provavellmente faz parte do mix das causas da violência.

Em geral, como o autor do Evangelho disse, é muito mais fácil ver o cisco no olho do próximo que enxergar a trave em nossa própria visão.

A cultura americana é banhado no cristianismo, e até mesmo para a maioria dos americanos seculares, no momento mais preocupada com o radicalismo de muçulmanos, não percebe os males causados pela crença majoritária no país.

Como exemplo pode se pegar, de acordo com denúncias da imprensa europeia e australiana, os horrores que os missionários norte-americanos têm perpetrado na África.

Os ministros cristãos americanos de igrejas que se multiplicaram na Nigéria e Congo espancam, queimam e desfiguram crianças com ácido sob a alegação de que estão possuídas pelo demônio.

Os missionários americanos, afinal, ensinam que a Bíblia — a palavra literal e perfeita de Deus — diz: “A feiticeira não deixarás viver.” (Êxodo 22:18).

Quando pastores e padres, em nome de Jesus e do Espírito Santo, afirmam que crianças se transformaram em bruxas, elas são abandonadas pelos seus pais. As crianças sortudas acabam obtendo refúgio em abrigos.

Em Uganda, a “Família”, uma organização evangélica americana com membros do Congresso, ajudou o presidente Yoweri Museveni a adotar uma forma de cristianismo politizado.

No dia 24 de fevereiro de 2014, Museveni assinou lei estabelecendo pena de até catorze anos para gay e prisão perpétua a quem for reincidente na “homossexualidade agravada”. A lei também pune quem não denunciar as pessoas suspeitas de serem gays.

Esses horrores não fizeram com que diminuíssem as doações dos americanos aos missionários empenhados em fazer conversões tanto quanto os homens-bomba.

Este texto foi publicado originalmente no blog da americana Valerie Tarico, psicóloga e autora de livros sobre religião. 





Bíblia relata mais de 2,5 milhões de mortes em nome de Deus


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

MP recomenda que prefeito não gaste com 'Dia do Evangélico'

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Silas José da Silva
Silas abriu cofre para religiosos,
e cidade continua com problemas
O MP (Ministério Público) do Estado do Mato Grosso do Sul enviou recomendação ao prefeito Silas José da Silva (PSDB), de Água Clara, que respeite a laicidade do Estado brasileiro, deixando de dar verba ao “Dia do Evangélico”.

Em 2013, Silva (foto) destinou R$ 100 mil às comemorações da data, embora a administração municipal tenha anunciado uma contenção de gastos para equilibrar as finanças. Não foi a primeira vez que o prefeito privilegiou os evangélicos.

A cidade tem cerca de 15 mil habitantes e fica a 184 km de Campo Grande, a capital do Estado.

Assinada pela promotora de Justiça Ludmila de Paula Castro Silva, a recomendação ressaltou que o prefeito tem a prerrogativa de apoiar manifestações culturais, desde que não tenha cunho religioso.

“O incentivo, custeio, apoio de eventos religiosos com orçamento público configura, ao menos em tese, improbidade administrativa, por violação do Princípio da Laicidade do Estado, com custeio pelo erário de evento da religião de preferência do gestor municipal ou de parcela da população, afrontando o Princípio da Impessoalidade, nos termos previstos no caput do art. 37 da Constituição Republicana c/c caput do artigo 11 da Lei 8.429/92, agravada a ilegalidade mormente quando o Município se encontra em postura de contenção de despesas, como notoriamente divulgado”, escreveu a promotora.

Em 2014, por meio de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), o Ministério Público obrigou o prefeito a construir uma casa de abrigo para crianças e adolescentes, de modo a cumprir a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e Adolescente.

Com informação do Ministério Público do MS e outras fontes e foto de divulgação. 





Estado laico no Brasil só existe no papel, afirma professora


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