domingo, 21 de dezembro de 2014

Pastor vende remédio com princípios ativos bíblicos

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"Amorprazol"
é antidivórcio
O pastor Josué Gonçalves está vendendo por R$ 5 o frasco com dez cápsulas de "amorprazol" com “princípios ativos bíblicos” para combater conflitos entre cônjuges.

O nome do remédio faz alusão ao omeprazol, um popular medicamento indicado para irritação gástrica.

Gonçalves explica que não se trata de um medicamento químico, farmacológico, embora o seu produto seja acompanhado de uma bula que tem como “responsável técnico” Jesus Cristo. Há informação sobre posologia e composição em miligramas.

O pastor diz que, na verdade, trata-se de um jogo cujo objetivo é proporcionar “uma revolução de amor” por intermédio de “uma dinâmica familiar”. Portanto, as cápsulas não são para serem ingeridas.

Princípios ativos da
"dinâmica familiar"
Mesmo assim o pastor pode ser denunciado à Justiça por quem se sentir enganado pela prática de charlatanismo

Gonçalves é do Ministério Família Debaixo da Graça, em Bragança Paulista, cidade com 150 mil habitantes que fica a 88 km de São Paulo.

O pastor explica em vídeo [ver abaixo] que, pela regra do jogo, cada “paciente” tem de abrir uma cápsula e ler a palavra escrita em um papel, sem revelá-la ao cônjuge, e praticá-la. Há palavras como “oração”, “beijo”, “abraço”, “Bíblia”, “presente” e “elogio”.

Ao final da semana, os cônjuges devem falar sobre o que fizeram para melhorar o relacionamento entre eles. O “tratamento” dura 21 dias.

O pastor não quis revelar ao portal iG quantos frascos de “amorprazol” já foram comercializados pelo seu televendas. O "remédio" está disponível em livraria há mais de dois anos.

Alívio imediato com amorprazol



Com informação de vídeo do pastor e do portal iG.





Igreja Universal dá a dizimista diploma assinado por Jesus


sábado, 20 de dezembro de 2014

Spielberg estuda filmar rapto de criança a mando do papa Pio IX

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Pio IX se negou a devolver
Edgardo a sua família
Steven Spielberg está avaliando a possibilidade de produzir e/ou dirigir a história do sequestro ocorrido na noite de 23 de junho de 1858 de um menino de 6 anos pela polícia do Vaticano a mando do papa Pio IX, em Bologna, então uma unidade dos chamados Estados Papais. A comunidade judaica em Bologna tinha cerca de 200 pessoas. O roteirista Tony Kushner já está cuidando da história.

Na época do sequestro, houve uma comoção internacional, principalmente porque o papa se recusou a devolver o menino, adotando-o como seu filho. Em 1862, Moritz Daniel Oppenheim pintou um quadro sobre o rapto [ver abaixo]. Há livros, peças e uma opera sobre o caso.

O menino sequestrado foi Edgardo Mortara Levi, filho de um casal judeu. Salomon Mortara, um comerciante também chamado por Momolo, e Marianna Padovani tinham no total 8 filhos.

O Vaticano tinha sido informado de que o menino fora batizado secretamente em 1852 pela sua babá quando estava muito doente, o que o teria salvado — um milagre, pela perspectiva católica.

O Inquisitor de Bologna tirou Edgardo de sua família porque, de acordo com ensinamentos de então da Igreja, nenhuma criança cristã poderia ser criada por pais judeus.

O menino foi enviado a um mosteiro onde ex-judeus eram doutrinados para serem bons católicos. Seus pais tentaram resgatá-lo por doze anos, o que não conseguiram nem mesmo com o apoio de pessoas poderosas, como Napoleão III, da França, o imperador Franz Joseph, da Áustria, e a família Rothschild. O já influente New York Times pediu a devolução do menino.

Em 1859, ao receber uma delegação de judeus proeminentes, Pio IX disse não se importar com o que o mundo pensava das decisões da Igreja Católica.

Em 1871, ele chamou os judeus que faziam campanha pela libertação de Edgardo de “cães” e que havia “muitos deles naquele momento em Roma, uivando nas ruas, incomodando em todos os lugares”.

O Vaticano concordou em devolver o menino a sua família somente se ela aceitasse a conversão de Edgardo ao catolicismo. Momolo e Marianna recusaram a oferta.

Edgardo (à direita),
adulto, visita seus pais
O Vaticano libertou Edgardo quando ele completou 18 anos. O rapaz ficou um só mês na casa de seus pais porque, vítima de lavagem cerebral, decidiu voltar ao Vaticano, tornando-se seminarista. Ele já tinha rejeitado o nome de origem hebraica “Levi”.

Houve na época alegações — nunca esclarecidas — de que o papa tinha abusado do menino, o que hoje parece ser possível por causa da disseminação da pedofilia dentro da Igreja.

Após ser ordenado em 1873, Edgardo dedicou seu sacerdócio a tentar converter judeus. Ele chegou a fazer algumas visitas as à família [foto ao lado], mas sempre acompanhado de pessoas designadas pelo Vaticano.

No final de sua vida, Edgardo contou sua história. Foi um defensor da beatificação de Pio IX, o que ocorreu em 2.000 sob o protesto da comunidade judaico internacional.

O jesuíta Giacomo Martina (1924-2012) escreveu uma biografia de Pio IX criticando-o pela firmeza de sua decisão no caso de Edgardo, o que custou ao papa perda de popularidade. Martina disse que o papa entendia haver uma máquina de guerra montada por “infiéis” para denegrir a Igreja.

Edgardo morreu em uma abadia perto de Liège, na Bélgica, em 1948. Se vivesse um pouco mais, certamente ele estaria na mira dos nazistas, que ocuparam a Bélgica.

Para os nazistas, judeu que se converte ao catolicismo continua judeu.

Moritz pintou o sequestro de Edgardo
Com informação do livro The Kidnapping of Edgardo Mortara, de David I. Kertzer.





Papas praticavam pedofilia desde o Renascimento, diz livro


Concurso elege versão secular dos Dez Mandamentos

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Mandamentos do
Século 21 em livro
Os americanos Lex Bayer (empresário do Vale do Silício) e John Figdor (capelão humanista da Universidade de Stanford) promoveram um concurso para eleger uma versão secular dos Dez Mandamentos.

Foi uma forma de eles promoverem o seu livro recém lançado Atheist Mind, Humanist Heart: Rewriting the Ten Commandments for the Twenty-first Century (“Mente ateia, coração ateu: reescrevendo os Dez Mandamentos para o Século 21).

A resenha do livro na Amazon afirma que os autores escreveram sob a perspectiva de que um terço dos americanos com idade inferior a 30 anos se considera não religioso.

Bayer e Figdor acentuam, diz a resenha, que não se precisa fazer campanha contra a religião e Deus para ser ateu.

Para eles, o ateísmo oferece uma visão otimista do mundo, com base na lógica e evidência.

O concurso dos Dez Mandamentos Seculares obteve 2.800 participações e deu US$ 1.000 ao ganhador, que elaborou o seguinte:

Dez Mandamentos Seculares

1 – Tenha a mente aberta e esteja disposto a mudar o que pensa diante de provas.

2 – Faça esforço para entender o que é mais provável de ser a verdade, e não acreditar no que você deseja que seja a verdade.

3 – Esteja consciente de que o método científico é a maneira mais confiável de compreender o mundo natural.

4 – Entenda que toda pessoa tem o direito de controle sobre seu corpo.

5 – Deus não é necessário para você ser uma boa pessoa e ter uma vida plena de significados.

6 – Reconheça que você é o responsável por todas as suas ações.

7 – Trate os outros como você gostaria de ser tratado. Pense pela perspectiva do outro.

8 – Nossas atitudes também devem levar em conta as gerações futuras.

9 – Não há uma maneira certa (ou errada) de viver. Temos de respeitar o modo de vida de quem quer que seja.

10 – Procure deixar o mundo melhor do que você encontrou.






Valores seculares vão fixar a moral do século 21, diz Dawkins


quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Frase ‘Feliz Natal’ em ônibus fere Estado laico, afirmam usuárias

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Mensagem digital atrapalha
informação sobre destino da linha
A estudante de psicologia Elaine Regina, 20, criticou a frase “Feliz Natal” dos letreiros digitais no para-brisa de ônibus de Manaus (AM) porque, segundo ela, trata-se de uma transgressão ao Estado laico determinado pela Constituição.

Ela falou que a exposição de mensagens religiosas em ônibus a faz refletir sobre até que ponto a laicidade do Estado brasileiro é levada a sério. “As frases dos ônibus são publicas.”

A advogada Joice Bernardo afirmou que as autoridades municipais deveriam cuidar do equilíbrio entre o direito de liberdade religiosa e uma sociedade predominantemente cristã. “O Estado precisa ser laico”, disse ela ao jornal “A Crítica”.

Joice reconheceu que as decisões administrativas nem sempre agradam 100% da população, mas, no caso das mensagens nos ônibus, ela acha que deveria haver uma discussão antes de qualquer medida.

Outro problema é que a frase de cunho religioso atrapalha nos letreiros digitais a leitura do destino e número da linha dos ônibus. A enfermeira Vanessa Calmont, 25, por exemplo, disse que perdeu um ônibus por causa disso.

O estudante de biologia Assis Saraiva, 30, disse que não tem problema para identificar o destino dos ônibus, mas reconheceu que os idosos podem ter dificuldades.

Valeska Braule, 26, disse que a SMTU (Secretaria Municipal de Transporte Urbano), em vez de divulgar mensagens religiosas, deveria melhorar a qualidade do transporte, providenciando, por exemplo, mais assentos nos ônibus.

Com informação e foto do “A Crítica”.





Ninguém precisa de Cristo para comemorar o Natal
dezembro de 2013


quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

TJ mantém em Sorocaba totem que faz proselitismo religioso

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Dip derrubou
sentença de juiz
O desembargador Ricardo Dip (foto), do TJ (Tribunal de Justiça) de São Paulo, suspendeu a sentença do juiz José Eduardo Marcondes Machado, da Vara da Fazenda Pública, que determinava à prefeitura a retirada do totem “Sorocaba é do Senhor Jesus”, instalado um local de grande visibilidade. Cabe recurso ao STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Sorocaba fica no interior do Estado de São Paulo, a 95 km da capital. Tem 600 mil habitantes. Seu lema oficial é "Lutei Por Uma Pátria Livre". O atual prefeito é Antonio Carlos Pannunzio (PSDB).

No entendimento de Dip, a laicidade do Estado brasileiro “não é fundamento para a práxis do ateísmo (a negação do transcendente)” porque isso seria discriminação religiosa.

Na maioria dos casos, totens com mensagem de proselitismo religioso semelhante ao de Sorocaba são implantados em cidades de todas as regiões por lideranças evangélicas.

De acordo com a imprensa de Sorocaba, a prefeitura instalou o totem em 2006, na gestão de Vitor Lippi, a pedido do vereador e pastor Carlos Cézar da Silva, da Igreja do Evangelho Quadrangular. Silva atualmente é deputado estadual pelo PSC.

Em 2012, dois estudantes de direito — Henrique Pinheiro da Silva e Ricardo dos Santos Elias — encaminharam ao MPE (Ministério Público Estadual) representação reivindicando a retirada do totem, em respeito ao Estado laico.

O MPE pediu à Justiça a retirada do totem com a argumentação de que é preciso respeitar o laicismo estatal, garantindo a liberdade religiosa de todos os brasileiros, sem privilegiar fiéis de determinadas crenças.

O juiz José Eduardo Marcondes Machado, em sua sentença, reconheceu que o totem é ilegal. A Constituição determina que nenhuma instância do Estado pode se envolver direta ou indiretamente com crença religiosa.

Defensores do Estado laico
picham a mensagem cristã
Para derrubar a decisão do juiz, o desembargador Dip afirmou que o totem não fere a liberdade de consciência ou de crença da população.

Se não fosse assim, argumentou, “por razões similares” o Estado teria de demolir a deusa pagã que ornamenta o prédio do STF (Supremo Tribunal Federal).

A exposição de mensagens e de símbolos religiosos (geralmente católicos) no espaço público é uma questão polêmica inclusive entre os magistrados.

O ministro Celso Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), por exemplo, escreveu em 2012 um artigo defendendo a decisão do Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Rio Grande pela retirada de crucifixos de seus tribunais.

Mello pontuou: “A laicidade do Estado brasileiro reveste-se de natureza eminentemente constitucional e traduz natural consequência da separação institucional entre Igreja e Estado”.

Com informação e foto do TJ-SP, entre outras fontes.





Pichação em totem afirma que Sorocaba é também de exu


terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Testemunhas de Jeová encobrem pedofilia, acusam ex-fiéis

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Velicia e outra vítima querem
indenização de US$ 10 milhões
Velicia Alston (foto), 39, e um homem que pediu à imprensa para não ser identificado deram entrada na Justiça de Oregon (EUA) a um pedido de indenização de US$ 10,5 milhões sob a acusação de que terem sofrido abuso sexual de pastores ("anciões") da Igreja quando eram crianças.

Os dois acusam os dirigentes das TJs de acobertarem sistematicamente casos de pedofilia protagonizados por "anciões", a exemplo do que tem feito a Igreja Católica.

Irwin Zalkin, advogado dos dois ex-fieis, declarou ao jornal The Oregon que os dirigentes das TJs estão mais preocupados em proteger a reputação da Igreja e de seus pregadores do que os filhos de fiéis.

Ele disse que o Corpo Governante das Testemunhas de Jeová, composto por sete pessoas, só tomam uma medida contra a pedofilia se houver a confissão do autor do crime e duas testemunhas oculares.

“Mesmo quando há a expulsão de um criminoso, a Igreja nunca revela o motivo aos fiéis”, disse Zalkin. “Ninguém fica sabendo que existia na congregação um predador sexual.”

O advogado afirmou que em Oregon é obrigatório da parte de líderes religiosos a denúncia às autoridades de casos de pedofilia, mas isso não é feito porque pode custar caro à Igreja por causa do pagamento de indenização.

Mesmo assim, só a empresa de advocacia onde Zalkin trabalha está cuidando no momento de 14 casos de abuso de crianças nos Estados da Califórnia, Connecticut e Novo México, entre outros. Um dos acusados é Daniel Castellanos.

Alston, que atualmente mora em San Diego, afirmou que dirigentes das TJs lhe pediram que não falasse com ninguém sobre o abuso. “Isso me deixou por raiva porque é algo que não se pede a uma vítima.”

Ela disse que sabe da existência de outras vítimas e que elas ainda não fizeram ainda a denúncia porque temem ser punidas por Deus. Falou que, se as vítimas se mantiverem em silêncio, os abusos vão continuar.

Com informação do The Origon, entre outras fontes.





Pregador das Testemunhas de Jeová confessa ser pedófilo
março de 2011


Portais mostram manuscritos da ‘Origem das Espécies’, de Darwin

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Ilustrações e anotações foram feitas
ao longo de 25 anos de pesquisa
Anotações mostram a
perspicácia do Darwin
O portal do Museu de História Natural de Nova Iorque e o da Biblioteca da Universidade de Cambridge publicaram 12.000 manuscritos com ilustrações que fundamentaram o livro “A Origem das Espécies”, que contém a teoria da evolução do naturalista britânico Charles Darwin (1808-1882), na foto abaixo. 

Com ajuda de voluntários, outros 15.000 documentos estão sendo digitalizados. O projeto começou em 2009.

A publicação do livro em 1859 provocou uma polêmica que repercute até hoje, porque, entre outras coisas, detonou a crença de que Deus criou o homem a sua semelhança. O homem, como as demais espécie, vem de um processo de evolução, que nunca termina.

As evidências da teoria da evolução são tantas, que até hoje ninguém conseguiu abalá-la, embora tenha havido tentativas. Os contestadores de Darwin continuam sendo ofuscado pelo pela inteligência brilhante do naturalista.

David Kohn, diretor do projeto da publicação dos documentos no portal do museu, disse que quem acessar as reproduções dos manuscritos poderá constatar a perspicácia de Darwin. “Ele foi um observador inspirado”, disse.

Os documentos incluem um ensaio de 35 páginas nas quais o naturalista usou pela primeira vez o termo “seleção natural”. O primeiro termo escolhido por Darwin foi “um meio natural de seleção”, que aparece riscado, revelando que o cientista decidiu condensá-lo.

Está lá também o esboço da árvore ramificada das espécies.

Darwin detonou
 crença religiosa
Darwin descartou muitos de seus rascunhos, e vários deles só foram salvos porque Henrietta, a filha do naturalista, os pegou do lixo para desenhar no verso.

Os documentos mostram correções e adendos feitos por colaboradores de Darwin, como o botânico Jospeh Hooker.

Ao final do ensaio, há o acréscimo — não se sabe de quem — que diz: “De um começo tão singelo evoluíram as formas mais belas e maravilhosas.”

Darwin o reescreveu, ficando assim: “De um começo tão singelo evoluíram, e continuam fazendo-o, as formas mais belas e maravilhosas”.

Rascunho da teoria da evolução





Evolução ainda não é aceita por uma minoria de cientistas


segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Harris sugere a ateus exercícios para obter espiritualidade

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Harris disse que espiritualidade
não é necessariamente religiosa
O filósofo e neurocientista americano Sam Harris (foto) acaba de lançar nos Estados Unidos o livro Waking Up (Despertando) defendendo que a espiritualidade é uma coisa e a religião, outra, não havendo entre elas necessariamente uma associação, porque ateus e agnósticos também podem ter experiências espirituais.

Harris entende como espiritualidade a descoberta de sentimentos e sensações cuja origem é a natureza da consciência por meio de introspecção.

Assim, disse, “a espiritualidade é essa transcendência do “eu” que possibilita à consciência superar algumas formas de sofrimento psicológico.

O neurocientista sugere quatro exercícios com os quais céticos e pessoas em geral podem atingir essa espiritualidade. Um exercício não exclui o outro.

1 – meditação

Harris indica aos céticos a meditação vipassana, que significa ver as coisas como elas realmente são. Ela é um dos ramos do budismo e é uma das mais antigas técnicas de meditação da Índia. A pessoa tem de se sentar ereto em uma cadeira, fechar os olhos, respirar fundo e sentir o corpo. Os pensamentos não podem interferir no ritmo da respiração. A meditação deve fazer com que a pessoa testemunhe apenas emoções, sensações e sons. O próprio Harris pratica esse tipo de meditação.

2 – Combater emoções negativas

O neurocientista recomenda que se tenha uma estratégia para diluir as emoções negativas do dia a dia, como aquelas despertadas pela irritação com o congestionamento no trânsito ou com aborrecimento no trabalho. Ele sugere que a pessoa interrompa o fluxo de raiva ou de tristeza telefonando para alguém de bom humor, que lhe faça rir. A primeira coisa a fazer, nesse caso, é admitir sem resistência a presença das emoções negativas, para que seja questionada de modo a neutralizá-la.

3 – Técnica de um homem sem cabeça

Em alguns momentos, a racionalidade pode dificultar a obtenção da sensação de transcendência. Para contornar isso, Harris sugere que a pessoa relaxe e imagine que está sem cabeça. A pessoa deverá fazer várias vezes ao dia esse exercício.

4 – Meditação dupla

A meditação dupla também ajuda o desenvolvimento da espiritualidade. Segundo Harris, é a forma de a pessoa deixar de achar que ele é um “eu” separado do mundo. A meditação é assim: uma pessoa deve se sentar de frente para outra e encarar seus olhos, mantendo-se em silêncio. Provavelmente, haverá certo desconforto, que deverá ser ignorado.

Em entrevista a Rita Loiola, do site da Veja, Harris disse que as doutrinas seculares precisar arrancar das religiões “um diamante escondido”, que é a espiritualidade. A ferramenta para isso, disse, é o ceticismo militante e o uso de descobertas científicas sobre o cérebro.

Entrevista

Por que um ateu resolveu escrever sobre espiritualidade?

Porque transcendência e amor incondicional são algumas das experiências mais importantes que as pessoas têm em suas vidas. Mas a maioria delas interpreta esses episódios pela lente da religião. Isso não faz sentido, porque cristãos, muçulmanos, judeus, budistas e ateus têm o mesmo tipo de experiências. Então sabemos que nenhuma dessas doutrinas religiosas incompatíveis pode ser a melhor explicação para seu significado.

Como funciona essa base escondida nas religiões?

A ciência não consegue localizar no cérebro uma região específica onde o eu se localiza, como fazemos com a memória ou a raiva. A ideia de que há um espaço no cérebro onde o eu, ou nossa consciência, está escondida não faz nenhum sentido anatômico ou científico. Assim, se a consciência não é um espaço delimitado, ela pode ser alterada ou expandida. A espiritualidade é essa transcendência do eu.

Se a fé revelou a espiritualidade, por que desligar essa experiência da alma ou de Deus?

Em sua origem, espírito vem do latim spiritus, que significa respiração ou sopro. Por volta do século XIII, essa palavra foi confundida à crença de almas e fantasmas. No entanto, não há qualquer evidência que alma ou espíritos existam — mas podemos estar certos de que a consciência existe. Qualquer que seja sua relação com o mundo físico, a consciência é a base de tudo o que experimentamos. Não importa se estamos tomando um café ou tendo uma visão de Jesus, estar consciente é a condição prévia para qualquer experiência do presente. Na minha visão, espiritualidade é um processo de descoberta de algumas coisas sobre a natureza da consciência por meio da introspecção.

Ou seja, é uma experiência mental. Ela também nos levará a responder as questões fundamentais da existência, como ‘de onde viemos’ ou ‘qual o sentido da vida’?

Quando falo de espiritualidade, estou me referindo à figura da primeira pessoa da consciência e a possibilidade de superar alguns tipos de sofrimento psicológico, como aqueles vindos da necessidade da satisfação constante dos desejos ou da percepção de que, mesmo tendo uma família amorosa, dinheiro, saúde e comida, algo ainda está faltando. Esses são fatos empíricos sobre a mente humana, testados pela ciência. As religiões tendem a fazer especulações sobre a origem do cosmo, a existência de mundos e seres invisíveis e sobre a origem divina de alguns livros. Mais que isso, fazem essas afirmações com base em montanhas de evidências contraditórias. Há uma enorme diferença entre falar que, se alguém usar sua atenção de certa forma, como durante a meditação, vai perceber algo muito interessante sobre sua mente e dizer que um carpinteiro do século I nasceu de uma virgem e estará voltando dos mortos. A espiritualidade não é importante apenas para ter uma boa vida. Ela é importante para entender a mente humana.

Quais são as pesquisas científicas nos ajudam a compreender a subjetividade humana?

Sabemos que a mente humana é produto do cérebro humano. No entanto, a consciência não pode ser definida de acordo com critérios externos. Um famoso trabalho de Roger Sperry, que ganhou o Nobel de Medicina em 1981, mostrou, com o auxílio de pacientes que sofreram acidentes cerebrais, que os dois hemisférios do cérebro têm habilidades distintas e podem funcionar de maneira independente. E há razões científicas para acreditar que eles são também independentemente conscientes. As habilidades cognitivas que nos fazem humanos, como a reflexão ou a capacidade de julgamento, estão no hemisfério direito, no entanto, apenas o hemisfério esquerdo possui a habilidade da linguagem. Isso indica que é problemático falar que cada um de nós tem um único eu, uma consciência indivisível, ou uma alma responsável por nossa individualidade.

Como assim?

A ideia de alma surge da sensação de que nossa subjetividade tem uma unidade, simplicidade e integridade que deve transcender as engrenagens bioquímicas do corpo. Mas a ciência mostra que nossa subjetividade pode ser dividida em, pelo menos, duas. Pesquisas feitas na última década também mostram que há partes do nosso cérebro trabalhando sob o consciente que afetam nossa vida cotidiana. Isso significa que a consciência pode ser expandida em novas direções para termos uma percepção mais clara da realidade, sem a necessidade de que isso seja reflexo de uma entidade superior operando. Se olharmos de perto para essa sensação de que somos um eu indivisível, ela desaparece. E esse é um experimento que pode ser feito no laboratório de sua própria mente.

Há técnicas que podemos usar para isso?

Ao contrário de muitos ateus, passei longos anos da minha vida buscando experiências como as que deram origem às religiões do mundo. Estudei com monges, lamas, iogues e com pessoas que passaram grande parte de suas vidas em reclusão meditando. Ao todo, passei dois anos em retiros de silêncio, em períodos de uma semana a três meses, praticando técnicas variadas de meditação de doze a dezoito horas por dia. Posso afirmar que quem passa tanto tempo aperfeiçoando técnicas de respiração, meditação e pensamento dirigido tem experiências normalmente inacessíveis a quem não tem acesso a essas práticas. Acredito que esses estados mentais dizem muito sobre a natureza da consciência e as possibilidades de bem-estar humano.

O início de Waking Up traz sua experiência com o MDMA (metilenodioximetanfetamina, mais conhecida como a droga ecstasy). Foi ela quem abriu as portas da espiritualidade em sua vida?

Sim. O MDMA provou para mim que era possível ter uma percepção radicalmente diversa de mim mesmo, do mundo e de minhas conexões éticas com os outros. É claro que não recomendo que todos usem a droga, porque isso traz consequências à saúde e é ilegal. Mas preciso ser honesto sobre o papel que ela desempenhou em meu próprio desenvolvimento espiritual.

Como o senhor vivencia sua espiritualidade?

Faz muitos anos que usei drogas psicodélicas e minha abstinência está relacionada aos riscos para a saúde de seu uso. Tenho momentos espirituais todos os dias, em lugares santos, em meu escritório ou enquanto escovo os dentes. Isso não é um acidente, é o resultado de anos da prática de meditação com o propósito de acabar com a ilusão do eu. A espiritualidade continua sendo o grande vazio das doutrinas seculares, do humanismo, do racionalismo, do ateísmo e de todas as outras posturas defensivas que homens e mulheres assumem diante da presença da fé irracional. Pessoas dos dois lados se dividem imaginando que experiências transcendentes não têm lugar na ciência, a não ser em um hospital psiquiátrico. Mas há um caminho do meio entre fazer da espiritualidade uma experiência religiosa e não ter espiritualidade alguma. Não precisamos de mais dados científicos para dizer que a transcendência é possível. Está em nossa capacidade mental acordar do sonho de um ser único e indivisível e, assim, nos tornarmos melhores em contribuir para o bem-estar dos outros.





Sam Harris é o ateu mais temido por religiosos dos EUA, diz site


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