quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Saiba por que cristãos acham que mórmons são bizarros

Nenhum comentário:
Sátira à teologia mórmon: foguete-templo
 ruma para Kolob, perto do qual mora Deus
Do ponto de vista cético, as religiões cristãs, ao menos as fundamentalistas, são tão bizarras como muitas outras, porque acreditam, por exemplo, que Deus criou o homem a partir do barro e a mulher, com uma costela dele.

Mas, como se sabe, existe muito estranhamento entre as religiões cristãs, umas em relação às outras, como se não tivesse importância o fato de acreditarem no mesmo Deus, o Jeová.

Contudo, entre as cristãs, uma das religiões é tida mais estranha que outras. Trata-se da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias — a Igreja Mórmon.

Ela se declara cristã — Cristo, afinal, faz parte do nome da Igreja —, mas católicos e evangélicos não a aceitam como tal. Para eles, a doutrina da Igreja criada pelo americano Joseph Smith Jr. está pontuada de bizarrices que nada têm a ver com o cristianismo. 

Entre tantos, seguem abaixo oito pontos da teologia mórmon que são rejeitados peremptoriamente pelos cristãos tradicionais.

1 – Deus já foi ser humano

Os mórmons acreditam que Jeová, antes de se tornar o poderoso Deus, já foi um prosaico ser humano, um desses que habitam a Terra. Para eles, Deus não é um ser imaterial porque continua ostentando carne e osso, Ele mora perto de um planeta ou estrela chamado Kolob, que foi citado no livro de Abrão, mas nunca localizado pela astronomia. Deus é casado com uma ou mais mulheres.

2 – Seres humanos podem se tornar deuses

A teologia mórmon ensina que os humanos podem se tornar em deuses algum dia, seguindo assim o mesmo trajeto de evolução espiritual de Jeová. Mas essa possibilidade, obviamente, só se aplica aos homens mórmons que defendem fielmente os ensinamentos de Deus.

3 – Já existimos antes de nascermos

A vida começa antes mesmo da concepção, porque, para os mórmons, todos, antes de nascerem, já existem como filhos espirituais por intermédio da relação sexual entre Deus e suas esposas. Por isso é que eles dizem que somos literalmente filhos de Deus (e de suas mulheres) e vivemos entre irmãos e irmãs.

4 – Jesus foi criado por intermédio do sexo

Jesus não nasceu de uma virgem, mas, pela teologia mórmon, por intermédio de relações sexuais de Deus com duas mulheres. Com sua mulher do céu ele teve a primeira relação, para o nascimento espiritual de Jesus, e com Maria teve outro encontro sexual, para o nascimento carnal. Isso significa que Maria deixou de ser virgem ao conceber Jesus, se é que ela já não tinha relações sexuais com seu outro “marido”, o carpinteiro José.

5 – Existem vários céus

Para os mórmons, existem vários céus, em diferentes patamares e uns melhores que outros. Os mórmons que seguem todos os ensinamentos de Deus vão para o céu mais elevado, o melhor deles. Os demais serão conduzidos para céus inferiores, de acordo com o que cada um deles agiu e se comportou na Terra.

6 – Mórmons não creem em pecado original

Os mórmons não acreditam que todos já nascem pecadores porque Adão e Eva desobedeceram a Deus comendo a maçã da árvore do conhecimento. Isto porque, para eles, o casal não cometeu um pecado, mas apenas uma transgressão. Para os mórmons, as pessoas só vão ter de responder a Deus pelos seus próprios pecados.

7 – Batismo de mortos

A teologia dos mórmons diz que só entra no Reino de Deus que for batizado — nesta vida, aqui na Terra, ou na outra, no mundo espiritual. É por isso que os mórmons batizam mortos, a pedido de seus parentes. Cabe aos mortos aceitarem ou não o batismo, aceitarem ou não Jesus. 

O batismo dos mortos é ensinado em 1 Pedro 4:6: “Porque por isto foi pregado o evangelho também aos mortos, para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens na carne, mas vivessem segundo Deus em espírito.”

Nos anos 90, os mórmons batizaram judeus que tinham sido mortos no holocausto. Houve familiares dos “novos” mórmons que ficaram indignados, e a Igreja se comprometeu a não mais incluir as vítimas do Holocausto nos chamados “batismos póstumos”.

8 – Contradições do Livro Mórmon

Os mórmons seguem as suas próprias escrituras e a tradicional Bíblia. Mas, para eles, a verdade de Deus, em sua inteireza, está no Livro Mórmon, deixado por Smith. 

Para o fiel e estudioso da religião não deve ser fácil tentar traçar uma linha de racionalidade, porque, como se não bastassem as contradições do texto bíblico, o Livro Mórmon também não se notabiliza pela coerência, além das diferenças inconciliáveis que há entre um livro sagrado e outro.

O Livro Mórmon é acusado de ser incompatível, em alguns pontos, com o ensinamento do próprio mormonismo. Exemplo: O livro diz que Deus é único, mas a teologia mórmon abre a possibilidade de haver vários deuses. Para o livro, Deus é imutável, mas o que os mórmons pregam é que Ele ainda se encontra crescendo, obtendo novos conhecimentos.

Enfim, as diferenças entre o “livro perfeito” e o que se prega são muitas.





Ex-bispo diz como Igreja dos Mórmons faz lavagem cerebral
fevereiro de 2012


terça-feira, 25 de novembro de 2014

Homens são mais seculares que mulheres, mostram pesquisas

Nenhum comentário:
Há várias possíveis explicações
para o secularismo dos homens
Estudos e pesquisas mostram que os homens tendem mais para o secularismo que as mulheres.

Como exemplo, há uma pesquisa recente da ARIS (American Religious Identification Surveys) segundo a qual 75% dos americanos que se identificam com o agnosticismo são homens, o mesmo ocorreu com os ateus, na proporção de 70%, e com aqueles que se declaram sem religião, com 58%.

Outro exemplo, nos Estados Unidos, é a composição da diretoria da influente fundação FFF (Freedom Form Religion), que se dedica à defesa da laicidade do Estado. Os homens detêm 79% dos cargos da diretoria.

O predomínio de homens no movimento secular foi discutido recentemente nos Estados Unidos por causa de uma declaração do neurocientista Sam Harris de que os ateus (e não as ateias) são os leitores mais frequentes de seus livros.

Uma feminista chegou a acusar Harris de sexismo porque, dizia ela, o ateísmo não pode ser entendido a partir de uma abordagem de gênero.

Posteriormente ela se retratou diante de um artigo do sociólogo Phil Zuckerman expondo não só a abundância de documentos sobre o fato de haver mais homens seculares, como também as pesquisas que comprovam o maior engajamento das mulheres com a religião.

Um recente levantamento do instituto Pew Research Center mostrou que 77% das mulheres americanas acreditam em Deus com absoluta certeza, contra 65% dos homens.

Pelo levantamento, 66% das mulheres rezam todos os dias, contra 49% dos homens. Na proporção de 63%, elas também acham que a religião é muito importante para sua vida, enquanto o percentual dos homens ficou em 49%.

Desde 1945 o Gallup tem apurado que, com grande diferença, as mulheres norte-americanas são mais religiosas que os homens.

Em outros países, os homens também são mais seculares. Exemplos: na Ucrânia, 77% do total das pessoas que se declaram ateias são homens; em Portugal, 76%; no Uruguai, 70%; Japão, 67%; Israel, 65%, México, 61%; Suécia, 61%; e Holanda, 60%. As informações são do livro The Oxford Handbook of Atheism (Oxford Handbooks), de Stephen Bullivant e Michael Ruse.

Sobre o Brasil, não há dados, mas, ao se observar na internet os ativistas seculares, a maioria também é constituída por homens.

Para Zuckerman, entre as prováveis explicações de os homens serem mais seculares, está o fato de as mulheres serem mais facilmente exploradas e excluídas da sociedade, e, por isso, elas procuram a compensação na religião.

Gallup revela que mulher
 sempre foi mais religiosa
O sociólogo escreveu ainda que a religião atrai mais as mulheres provavelmente porque elas são mais vulneráveis financeiramente. Em contraposição, na religião elas encontram maior apoio psicológico e institucional.

Outra explicação, segundo ele, está na formação educacional: os homens são preparados para ser mais independentes e rebeldes, enquanto as mulheres recebem orientação para a obediência, o que se reflete em tudo na vida delas.

“É possível, também, haver algo em relação às diferenças inatas entre os sexos,sejam elas genéticas, neurológicas e fisiológicas”, escreveu o sociólogo.

Zuckerman concluiu que talvez a explicação esteja em uma complexa combinação dos vários itens acima, embora ele, como sociólogo, tende a dar mais importância às forças sociais e culturais.

Com informação do artigo de Phil Zuckerman, entre outras fontes.





Embora mais oprimida pela religião, mulher é mais devota


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Projeto quer MacDonald's em igrejas para atrair fiéis

Nenhum comentário:
Logotipo da campanha que
quer arrecadar U$ 1 milhão
A Lux Dei Design, uma entidade norte-americana dedicada à pregação cristã, criou o Projeto McMass para obter US$ 1 milhão de modo que possa abrir franquia da McDonald's dentro de igrejas com o propósito de atrair novos fiéis e impedir que os atuais continuem se afastando dos cultos e outras atividades religiosas.

A coleta do dinheiro está se dando por intermédio do Indegogo, site de financiamento coletivo. A campanha de arrecadação tem camisetas e bonés com uma cruz dentro de um logotipo da McDonald's.

A entidade acredita que o hambúrguer e as batatas fritas podem salvar as igrejas que se encontram em dificuldade financeira por causa do distanciamento dos fiéis. A sua proposta é “renovar” as igrejas.

Um estudo recente mostrou que o número dos sem Igreja está crescendo rapidamente nos Estados Unidos. Eles já representam 38% da população.

O site do Projeto McMass estima que, anualmente, cerca de 3 milhões de americanos abandonem as Igrejas, e muitas delas têm de fechar.

Para os formuladores do projeto, a parceira entre Igrejas e McDonald's tem potencial para dar certo porque, primeiro, os templos estão localizados em pontos de grande movimentação nas comunidades e, segundo, a rede de fast food já atrai todos os dias 70 milhões de consumidores.

Prevista para terminar no dia 16 de janeiro de 2015, a campanha arrecadou até hoje menos de U$ 100.

Não é a primeira iniciativa desse tipo que tenta salvar igrejas da fuga de fiéis. Já houve quem se dispusesse a instalar lojas de café nos templos.

Em outubro de 2014, um grupo tentou organizar visitas a templos que se tornaram históricos por causa de sua arquitetura. Muitos desses templos estão vazios.

Parceria fast food-Jesus

 

Com informação do Projeto McMass, entre outras fontes.





Evangélicos 'McDonalizaram' a fé cristã, afirma sociólogo


sábado, 22 de novembro de 2014

TAM muda voo com medo de tragédia de sonho de vidente

Nenhum comentário:
Jucelino registrou sua premonição
em cartório e avisou a empresa
A TAM alterou o número do voo de 26 de novembro de 2014 que sai às 8h30 do Aeroporto de Congonhas, São Paulo, para Brasília porque um vidente disse que o avião dessa rota poderá se chocar com o prédio que fica no cruzamento da avenida Paulista com a Alameda Campinas, o Edifício Barão de Serro Azul. Somente naquele dia, o voo mudará de JJ3720 para JJ 4732.

A companhia aérea, ao menos nesse caso, demonstrou confiar mais em uma pessoa com supostos poderes sobrenaturais do que na habilidade de seus pilotos, na manutenção de sua aeronave e nas previsões meteorológicas.

No dia 24 de outubro de 2014 o vidente Jucelino Nóbrega da Luz (na ilustração) registrou em um cartório a premonição que teve em um sonho de que o avião daquele voo poderá ter um problema em uma turbina, causando uma tragédia às 9h.

A TAM não quis falar com a imprensa sobre o assunto, talvez para não assumir oficialmente os critérios “técnicos” de algumas de suas decisões. Mas o SRPV (Serviço Regional de Proteção ao Voo de São Paulo), da Aeronáutica, informou que não há nenhum voo comercial que passa sobre aquela região da cidade.

Nóbrega enviou à TAM sugestão para que cancele o voo. “Pedimos amigavelmente para que a empresa retirasse esse avião e fizesse uma vistoria para localizar o defeito”, disse o vidente.

Segundo ele, a TAM respondeu que tomaria providência e ela também fez uma notificação via cartório. O vidente disse ainda que houve passageiros que cancelaram sua reserva de voo daquele dia e horário.

Severino Alves de Lima, 67, síndico do Edifício Barão de Serro Azul, também está preocupado. Ele disse que comunicou às pessoas que trabalham no prédio sobre a premonição.

O vidente, em sua página na internet, tem um calendário mensal de premonições. Para hoje (22 de novembro de 2014), por exemplo, ele prevê um terremoto na Indonésia, que poderá ter "muitas vítimas”. A previsão falhou.

De qualquer forma, a TAM, para tranquilizar seus funcionários e passageiros, talvez possa contratar o vidente Nóbrega para cuidar da programação dos voos.

Com informação do G1 e do site do vidente e foto de divulgação.





Igreja diz que Santa Vó impede que haja terremoto no Brasil
setembro de 2011


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Filme conta história do padre pedófilo acobertado por JP 2

Nenhum comentário:
Padre devasso Marcial Maciel sempre
teve apoio de João Paulo 2, seu amigo
Lançado no México, o filme “Obediência Perfeita” tem como base a história do padre mexicano Marcial Maciel (1920- 2008), que se notabilizou por ser o fundador da ordem Legionários de Cristo e pedófilo, mulherengo e cocainômano. Teve vários filhos — dois deles sofreram abuso do próprio padre.

Em diferentes momentos, houve denúncias contra Maciel, mas ele nunca foi punido pela Igreja.

O padre, que mandava anualmente substanciosa contribuição para o Vaticano, tinha a simpatia do papa João Paulo 2, que chegou a citá-lo como exemplo a ser seguido por sacerdotes.

O diretor de "Obediência Perfeita" é Luis Urquiza. O padre Ángel de la Cruz (Juan Manuel Bernal) representa Maciel e o personagem Sebastián Aguirre, interpretado por Sacramento, é o garoto por quem o sacerdote se apaixona.

No filme, não há cenas explícitas de pedofilia, só muitas insinuações. Há uma cópia em espanhol do filme no Youtube (ver abaixo).

A intenção de Urquiza foi abordar uma história já conhecida no México — e ao mesmo tempo denunciar o problema da pedofilia dentro da Igreja Católica — sem recorrer a cenas chocantes. Por isso, no México, alguns críticos afirmaram que o filme “pegou leve”.

A filmagem foi feita secretamente e com a presença de psicólogos e dos pais de Sacramento, para evitar algum abalo emocional no garoto.

O nome do filme se inspirou na “Carta de Obediência”, de Inácio de Loyola, para quem, entre outras coisas, a obediência dignifica o homem porque ela implica numa submissão da parte inferior em relação a vontade superior. “Aquele considera este como representante de Deus nesta terra e submete sua vontade alegremente, disposto a superar todos os sacrifícios que lhe são exigidos, ainda que experimente uma involuntária repugnância, nascida de sua natureza, em relação à ordem recebida.” Era o que Maciel exigia de seus meninos violentados.

João Paulo 2 só afastou Maciel de suas atividades sacerdotais e sexuais quando o padre já estava velho e doente, Maciel se recolheu para orações sem sofrer qualquer punição mais drástica do Vaticano. Logo depois ele morreu.

Até recentemente, uma filha do padre com uma espanhola reclamava uma herança milionária. A Legionários de Cristo abafou o caso por intermédio de um acordo com Norma Hilda Rivas Baños, a filha.

Diretor e atores falam sobre o filme


Íntegra do filme






Pervertido se passou por santo com as bençãos do Vaticano
maio de 2010

Mais sobre Marcial Maciel


Justiça condena retífica por impor oração a funcionário

Nenhum comentário:
Empresário pressionava quem 
não orava, segundo testemunhas
A Justiça do Trabalho condenou a Retsul (Retífica e Recuperação de Cabeçotes Ltda.) a pagar a um ex-funcionário a indenização de R$ 30 mil por obrigá-lo a participar de orações no início do expediente. Cabe recurso.

A empresa tem sede em Trombudo Central, Santa Catarina. Ela faz parte do grupo empresarial que também detém a Zoar Confecções Roupas Profissionais e a Fazenda Zarpago, de criação de gados.

A Retsul alegou, na Justiça, que a oração não era obrigatória, mas testemunhas disseram que havia pressão do empresário sobre os funcionários que não aderissem.

O juiz Roberto Masami Nakajo, da 2ª Vara do Trabalho do Rio do Sul, disse que o Brasil é um país laico, o que significa que empresa alguma pode impor a seus funcionários ritos e práticas religiosas.

Nakano sentenciou que a liberdade religiosa é um princípio constitucional e que ninguém pode ser discriminação por causa de sua crença ou pela ausência dela.

Ele disse que o empresário não pode promover na retífica sessões oração mesmo para os funcionários que têm a mesma religião dele.

Na sentença, Nakajo citou o doutrinador José Afonso da Silva:

“Na liberdade de crença entra a liberdade de escolha da religião, a liberdade de aderir a qualquer seita religiosa, a liberdade (ou o direito) de mudar de religião, mas também compreende a liberdade de não aderir a religião alguma, assim como a liberdade de descrença, a liberdade de ser ateu e de exprimir o agnosticismo”.





Evangélica forçada a rezar pelo deus católico vai à Justiça
janeiro de 2012


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Livro orienta ateus a vivenciar luto em sociedade de religiosos

Nenhum comentário:
Carol teve ouvir pêsames
 como "Deus tem um plano" 
Quando a americana Carol Fiore (foto) perdeu o marido, ela teve de ouvir tentativa de consolo como “Seu amado está em lugar melhor” e “Deus tem um plano”.

Essas palavras não ajudaram Carol a enfrentar o luto porque ela não acredita em “um lugar melhor” nem em Deus. Ela é ateia.

O marido Eric, piloto de teste, morreu no dia 15 de novembro de 2.000 em consequências de queimaduras, após 36 dias de internação em um hospital. Ele tinha 43 anos e deixou duas filhas, uma de 10 e outra de 13, na época. Carol tinha 41.

Como estava sendo procurada para dar orientação como passar pelo luto sem a muleta do sobrenatural, Carol escreveu o livro A Grief Workbook for Skeptics: Surviving Loss without Religion (“Um livro de luto para céticos: sobrevivendo à perda sem religião”, na tradução literal para o português).

Trata-se de um livro de autoajuda onde Carol aborda itens específicos, como, por exemplo, lidar com declarações do tipo “Ponha sua vida nas mãos de Deus” e como construir um memorial a entes queridos.

Ela também sugere a adoção de animal de estimação e dedicação ao trabalho voluntário, dentro de um projeto de reconstrução do sentido de vida.

Como mostra o trecho abaixo do livro, Carol, a partir de sua experiência, não propõe uma fórmula única, mas alternativas, de acordo com o temperamento de cada pessoa ou as particularidades de cada ocasião.

Trecho do livro

Autora escreveu o livro com
base em sua experiência
Algumas destas afirmações lhe parecem familiar?

- Deus não comete erros.

- Você vai ficar melhor se aceitar o Senhor Jesus Cristo em sua vida.

- Deus tem um plano.

- Estou orando por você.

- Sua amada foi para um lugar melhor.

- Deus está testando você.

- Há uma razão e um propósito para tudo.

- É a vontade de Deus.

- Venha para a minha igreja e ore comigo.

- Deus ama a pessoa que você perdeu.

- A sua amada é mais feliz agora.

- Tenha fé.

- Ponha a sua vida nas mãos de Deus.

- Poderia ser pior.

- Deus nunca nos dá mais do que podemos suportar.

Existem três principais respostas para as pessoas que dizem esses tipos de coisas a quem é ateu: ignorá-las, rechaçá-las ou agradecê-las. O que você deve fazer?

Eu não posso responder a essa pergunta para você porque não há resposta certa ou errada. Mas posso lhe dizer o que fiz.

No início, agradeci às pessoas porque estava em choque. Eu sabia que elas estavam com boas intenções e tentei se o mais agradável possível.

Com o tempo, fiquei irritada e revidei aos comentários.

Lembro-me que agarrei a uma pessoa e disse: "Por que um Deus amoroso forçou duas crianças a verem seu pai sofrer e morrer?"

Eventualmente perdi a energia para discutir.

As minhas respostas que seguem abaixo são reais e, admito, algumas delas podem não ter sido as mais adequadas.

Eu passei por fases, dando respostas diferentes com base em diferentes pessoas e diferentes circunstâncias, às vezes indo e voltando entre a raiva e a aceitação, entre a tolerância e a intolerância.

Eu estava escondida no armário ateu e só saí quando Eric estava no hospital e, mesmo assim, não para todos.

Seus amigos [leitor], talvez até mesmo sua família, podem não saber que você é descrente. Se preferir mantê-lo assim, tudo bem, mas eu conclui que é preferível não mentir ou fingir.

Resposta sem argumentação

Pessoa religiosa (PR): Deus tem um plano.

Eu: Obrigado. Por favor, desculpe-me, eu preciso ir.

Resposta irritada

PR: Seu marido está em um lugar melhor.

Eu: Um buraco no chão não é um lugar melhor.

Resposta educada e sincera

PR: As coisas acontecem por uma razão.

Eu: Aprecio sua boa intenção, mas não acredito nisso.

Outra resposta educada e sincera

PR: Seu marido está com o Senhor Jesus.

Eu: Respeito o seu ponto de vista religioso, mas não acredito em vida após a morte.

Resposta gentil e verdadeira

PR: Eu estou orando por você.

Eu: Você tem sido um grande amigo. Espero que continue assim, mas sinto que devo ser honesto. Eu sou um ateu.

Resposta curta e grossa

PR: Deus nunca faz nada sem uma razão.

Eu: Eu sou ateu.

Resposta seca (para segurar comentário desagradável)

PR: Deus nunca nos dá mais do que podemos suportar.

Eu: Ok.

Resposta com comentário ríspido

PR: O seu marido está no céu e você vai vê-lo novamente.

Eu: Respeito a sua religião, mas não sou um crente. Eu sei que você está tentando me ajudar a me sentir melhor e eu aprecio isso. Mas você não precisa exagerar em sua condolência.

Resposta rude

PR: As coisas poderiam ser piores.

Eu: Claro. Qualquer tragédia poderia ser pior. .

Este próximo conselho é para as pessoas que tentam ajudar alguém que sofreu uma perda.

É difícil saber o que dizer a um amigo na dor emocional. Muitos de nós tropeçamos nas palavras e podemos dizer palavras inadequadas.

Que todos, religiosos ou não, precisam dizer a alguém com sofrimento de perda é simples: "Eu sinto muito".

Não fale sobre um plano de Deus ou em um lugar melhor. Pergunte o que seu amigo precisa. Talvez um passeio com as crianças dele ou um encontro para um almoço lhe ajude a suportar o luto.

A coisa mais reconfortante que alguém já me disse foi: "Minha vida era melhor porque sabia que podia contar com Eric".

Com informação do Reporter Herald, entre outras fontes, e foto de divulgação.





Cemitérios da França se adaptam à laicização da morte 
novembro de 2012


Papa foi imoral ao impor sua crença, diz mãe de Brittany

Nenhum comentário:
Debbie defendeu o direito de sua filha
 Brittany de ter morte com dignidade
Debbie Ziegler (na foto à esquerda), mãe da americana Brittany Maynard (foto), que no dia 1º de novembro se submeteu a um suicídio assistido por estar com câncer terminar, criticou duramente o papa Francisco por ter considerado a morte como “repreensível” e “pecado contra Deus”.

“Censurar uma escolha pessoal como repreensível porque ela não vai de acordo com a crença de outra pessoa é imoral”, escreveu Debbie em uma carta que foi divulgada pela ong Compassion & Choices (Compaixão e Escolhas), que luta pelo direito à morte com dignidade.

Brittany tinha 29 anos e sofria de tumor no cérebro. Ela teria, no máximo, seis meses de vida com muito sofrimento.

Na carta, Debbie escreveu que só mesmo quem não conhecia Brittany, quem não conviveu com ela, poderia tê-la como “repreensível”.

Ela afirmou que, como professora, reserva a palavra “repreensível” para os tirânicos e pedófilos.

“A escolha de minha filha por morrer gentilmente em invés de sofrer uma degradação física e mental e dores intensas não merece ser classificada como repreensível por estranhos em um continente distante, que não sabem das particularidades da situação”, afirmou.

Segue a íntegra da carta

Eu sou a mãe de Brittany Maynard. Estou escrevendo em resposta a uma variedade de comentários feitos na imprensa escrita e online por indivíduos e instituições que tentaram impor o seu sistema de crença pessoal sobre o que Brittany e a nossa família consideramos ser uma questão de direitos humanos.

A imposição de uma "crença" em uma questão de direitos humanos está errada. Censurar uma escolha pessoal como repreensível, porque não está em conformidade com a crença de outra pessoa, é imoral. A escolha de minha filha de vinte e nove anos de idade de morrer calmamente em vez de sofrer uma degradação física e mental, além de dor intensa, não merece ser rotulada como repreensível por estranhos que estão a um continente de distância, que não a conhecem ou sabem das particularidades de sua situação.

Repreensível é uma palavra dura. Significa: "muito ruim; que merece censura". Repreensível é uma palavra que usava quando era professora para descrever as ações de Hitler, outros tiranos políticos e a exploração de crianças por pedófilos. Como mãe de Brittany Maynard, acho difícil de acreditar que alguém que a conheceu jamais selecionasse essa palavra para descrever suas ações. Brittany era uma doadora. Ela era uma voluntária. Ela era uma professora. Ela era uma advogada. Ela trabalhou para fazer do mundo um lugar melhor para se viver.

Essa palavra foi usada publicamente em um momento em que a minha família estava ainda sofrendo. De luto. Essa forte crítica pública de pessoas que você não conhece, nunca conheci - é mais do que um tapa na cara. É como nos chutar enquanto lutamos para respirar.

As pessoas e as instituições que sentem ter o direito de julgar as escolhas de Brittany podem me ferir e causar-me uma dor indizível, mas elas não me dissuadem de apoiar a escolha de minha filha. Atualmente, existe grande confusão e arrogância no caminho dos americanos que desejam terminar suas vidas suavemente. Exorto aos americanos a pensar por si mesmos. Deixe claro seus desejos enquanto você ainda tem essa capacidade. Certifique-se de que tenha todas as opções enunciadas se você for diagnosticado uma doença dolorosa, debilitante e incurável. Faça sua própria pesquisa. Peça à sua família para investigar e enfrentar a dura realidade com você. Peça a seu médico para ser brutalmente honesto com você. Então, faça a sua escolha pessoal sobre como você pretende prosseguir. É a SUA escolha.

A "cultura da cura" tem levado a uma crença de conto de fadas de que os médicos podem sempre corrigir nossos problemas. Perdemos de vista a realidade. Toda a vida termina. A morte não é necessariamente o inimigo em todos os casos. Às vezes, uma morte suave é um presente. Médicos equivocados, pegos em uma crença aspiracional de que eles devem prolongar a vida, seja qual for o custo, causam sofrimento desnecessário aos indivíduos e às famílias. Brittany levantou-se contra os "bullies". Ela sempre pensou que ninguém tinha o direito de lhe dizer quanto tempo deveria sofrer. Para o doente terminal, o direito de morrer é uma questão de direitos humanos. Puro e simples.


Debbie Ziegler
Mãe de Brittany

Com informação das agências e foto de divulgação.





Livro de Hitchens é exemplo de como um ateu enfrenta a morte
fevereiro de 2013


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...