segunda-feira, 27 de abril de 2015

Ateus são os párias oficiais do Brasil, afirma presidente da Atea

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por Hugo Torres
para o jornal português Público

Sottomaior disse que
nada acontece contra
quem xinga ateus
Não se foge à religião no Brasil. Aqui, a fé é ela própria uma divindade de direito próprio: onipresente. A velar o turismo carioca no topo do Corcovado; no Brás, distrito industrial paulistano onde a Igreja Universal do Reino de Deus construiu recentemente uma enorme réplica do primeiro templo citado na Bíblia, o Templo de Salomão; nas intersecções obscuras da mata atlântica que se adentra pelas cidades, com o candomblé baiano; nos media; no Congresso.

Falar de laicismo parece por isso mais um exercício de republicanismo teórico do que um debate sobre uma característica fundamental dos Estados modernos. Nas urnas, as escolhas do povo estão longe de refletir essa necessidade. O que tolhe as elites e aumenta o poder das várias igrejas que pululam pelo país, em particular as evangélicas. É nesse contexto, e em absoluta contracorrente, que nasceu a Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea).

Daniel Sottomaior (foto) é o fundador (2008), presidente e principal rosto da Atea, que está a tomar em mãos o que ele próprio, com ironia, designa como “luta de David contra Golias”: travar a promiscuidade entre o Estado e as religiões. Na Justiça. Um caso de cada vez. Conversamos numa pequena padaria do centro de São Paulo, onde pouco depois da entrevista um pregador fortuito num altar de cartão nos diz na rua: “Deus continua existindo!”

Quantos ateus estimam que existam no Brasil?

Todas as pesquisas indicam de 1% a 3%. Não dá para saber exatamente quanto, porque a margem de erro é perto de 1%.

Em números absolutos são…

Se pensarmos em 2%, são quatro milhões de pessoas.

Como são tratadas num país tão religioso?

Uma imensa parte muito mal. Costumo dizer que somos os párias oficiais. Se olhar o que aconteceu na evolução do movimento negro ou do movimento LGBT, por exemplo, houve no Brasil uma progressiva judicialização dos casos de preconceito e discriminação – o que é um sinal de progresso. Hoje em dia, se uma pessoa xinga um negro de macaco, sabe que pode ser preso. Se faz o mesmo com um ateu, a expectativa é completamente diferente.

Por exemplo.

Há um tempo uma moça fez um tweet preconceituoso contra os nordestinos (os imigrantes magrebinos na França são os “imigrantes” nordestinos em São Paulo, é a mesma coisa) e houve comoção nacional, investigação no Ministério Público, manchetes… Ótimo. Muito bom. Agora, quando se falam as mesmas coisas para os ateus [o tweet: “Nordestino não é gente, faça um favor a SP, mate um nordestino afogado”] ou pior, nunca dá manchete, ação das autoridades, ninguém vai preso, é investigado, nada. Xingar os ateus é a mais perfeita normalidade institucional. Ninguém fica indignado. É a mais pura expressão da cultura local.

Acontece ao contrário: ateus a insultar crentes?

É possível, mas não tenho notícia de ateus dizendo que os cristãos – ou seja quem for – são criminosos, que não merecem viver, que têm que ser segregados da sociedade, que têm que ir embora, que merecem o inferno… Não vejo os ateus dizendo isso de ninguém.

Qual é o papel da Atea?

São muitos. Tentamos focar-nos em dois mais importantes: diminuir o preconceito e lutar pela laicidade do Estado.

A que tipo de ações se dedicam mais?

Ao ativismo judicial. Com a imprensa, podemos contar relativamente pouco. O poder público – o executivo e o legislativo – depende de votos. E ninguém que dependa de votos é louco de se associar com os ateus. Sabe o que acontece. Por eliminação, sobra o judiciário. E, ainda assim, aos trancos e barrancos.

Mas que ações são essas?

A mais recente: no final do mês [de março] a Cúria Metropolitana vai fazer uma procissão pedindo chuva. É a dança da chuva moderna. A diferença é que agora se sentem no direito de usar o carro do corpo de bombeiros – um serviço público essencial – para carregar a imagem pela cidade. E os bombeiros, obviamente, também não vêem nenhum problema. A Atea vai tentar impedir que isso aconteça – ou, se não for impedido, que os cofres públicos sejam ressarcidos.

E campanhas de sensibilização?

Já fizemos duas, mas isso é eventual. O dia-a-dia é ir à Justiça, ir ao Ministério Público, e pedir providências.

Quantos associados têm?

Cerca de 14 mil, por todo o país.

Como assistiu às últimas eleições presidenciais, tão marcadas pela religião, em particular pela candidatura de Marina Silva?

Não só as presidenciais: para governador, prefeito, vereador, deputado estadual… Todas as eleições são dominadas pela questão religiosa. É uma tragédia anunciada. Os evangélicos se começaram a expandir no Brasil pela TV, há 20 ou 30 anos. Têm muitos fiéis com baixa escolaridade, vítimas fáceis destes predadores, que conseguem amealhar vastas fortunas – um deles é Edir Macedo [fundador da Igreja Universal do Reino de Deus], que está até na lista Forbes entre os mais ricos. Óbvia e literalmente, o dinheiro não cai do céu. Sai dos bolsos dos fiéis. Uma parte vai parar em propaganda porque rende (se desse prejuízo, parariam). E essas pessoas, como noutros países, elegem o melhor representante que o dinheiro pode comprar.

Têm interlocutores habituais? Partidos políticos, poderes locais, estaduais, federal…
Ninguém é louco. [risos]

Ainda assim, há algum partido em particular mais apto a incluir as reivindicações da Atea no seu programa político?

Quanto mais à esquerda, maior é a tendência de haver uma certa afinidade. São esses os partidos que vejo a poder defender os direitos das minorias e a laicidade do Estado. Mas não sei se posso apontar algum em particular – tanto que isso não aconteceu até hoje.

Em 2009, endereçaram uma carta aberta ao Presidente Lula da Silva, apontando-lhe contradições no que diz respeito à laicidade. Como é que Dilma Rousseff está a tratar esta questão?

A ação é sempre ambígua. Tende mais para o religioso do que para o laico. Um dado interessante: ela é agnóstica. Um pouco antes de ser candidata, numa entrevista famosa, disse [sobre a existência de Deus]: “Eu me equilibro nessa questão. Será que há? Será que não há?” Podemos interpretar isso como sendo a confissão de uma agnóstica, ou de uma ateia que está só abrindo a portinha do armário. Meses depois, miraculosamente, se converteu. Virou uma beata, como se o fosse desde a infância – e assim permanece.

Isso é só curiosidade. Em termos da laicidade em si, ela prefere ceder às pressões dos evangélicos, dos religiosos, sempre que haja um conflito. Seja na questão do aborto, na questão dos direitos das mulheres, casais homossexuais… Dilma sabe qual é o poder da bancada [parlamentar] evangélica. Teve um caso emblemático do chamado “kit gay”, uma iniciativa do Ministério da Educação para incluir em material didático uma espécie de cartilha sobre diversidade sexual – a importância e o preconceito. A bancada evangélica disse que o Governo estava tentando influenciar as crianças a serem homossexuais e conseguiu barrar a iniciativa. Isso, obviamente, com o aval da Presidente.

É possível uma associação tão pequena fazer frente a forças tão poderosas? Igrejas com tanto dinheiro, acesso a canais de televisão, que se impõem nas cidades com grandes templos…

É uma luta de David contra Golias. [risos] No que diz respeito ao Brasil, a organização deles chegou com 500 anos de antecedência em relação à nossa. É natural que estejam na frente. Não temos a perspectiva de ficar num embate equilibrado de forças em pouco tempo. Temos de ser realistas: estamos só começando. Já fizemos progressos monstruosos: os media já reconhecem a Atea como uma liderança. A quantidade de associados é enorme, mesmo para um país com 200 milhões de pessoas. No Facebook, caminhamos para os 400 mil seguidores. Para uma página em português, que só fala de ateísmo e achincalha todas as religiões, é um número extremamente expressivo. Temos muitas ações na Justiça, já conseguimos movimentar uma pequeníssima quantidade de dinheiro… Há dez anos, antes de começar a Atea, jamais imaginaria que teríamos tantas vitórias assim em pouco tempo.

Têm algum apoio do Estado, enquanto associação cívica?

O Estado quer que a gente morra! Tudo o que fazemos é contra o Estado. O violador é sempre um agente do Estado. E, frequentemente, alguém do alto da pirâmide: o presidente da Câmara que diz que tem que deixar o crucifixo na Câmara; o magistrado que beneficia religiosos; ou o Congresso, que aprova a Concordata com o Vaticano concedendo à Igreja Católica direitos que ninguém mais tem. Todas as decisões para preservar a laicidade, num país religioso, com a religiosidade tacanha que tem aqui, são impopulares.

Recebem muitas reações de crentes?

O amor cristão sempre nos é expresso nos termos mais chulos e mais violentos: “um dia, todo o joelho se dobrará a Jesus”, ou que nós arderemos no fogo do Inferno, que vamos todos morrer de cancro, que somos pessoas infelizes, que não temos mais nada para fazer, que temos que deixar [em paz] a maioria cristã… Bastante!

No ano passado, sentiram necessidade de sair em defesa do coletivo Porta dos Fundos. Por quê?

O Porta dos Fundos tem vários ateus. Mas isso não seria relevante, não fosse o fato de que eles fazem muitos vídeos ridicularizando muito abertamente a religião. E eles foram várias vezes atacados. Salvaguardando as devidas proporções, foi um pouco como aconteceu com o Charlie Hebdo: qual é direito que eles têm para falar coisas daquelas? O nosso apoio foi para lembrar que o sagrado só o é para os religiosos, que não podem obrigar os outros a seguir as mesmas regras que eles, inclusive as regras da sexualidade.

Um jornal como o Charlie Hebdo poderia singrar no Brasil, ou seria rechaçado?

Tem espaço para a Porta dos Fundos… O único problema é o espaço para os media impressos, que hoje em dia atravessam dificuldades sérias. Fora isso, assim como na França [o Charlie Hebdo] só vai vender um milhão de cópias por causa da tragédia, aqui também: iria vender 5 mil cópias, que seriam os seus fiéis… leitores.





Pressionado pela Atea, colégio libera ateu do curso de religião

Criança que assiste ao Pokémon pode virar gay, afirma pastor

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Pastor Dollar disse que
amizade entre Ash e Brock
faz parte de 'agenda gay'
No começo deste mês, o pastor e televangelista Creflo Dollar [na foto abaixo], de Atlanta (EUA), alertou em um sermão seus seguidores para que não deixem crianças e adolescentes verem o desenho japonês Pokémon, de modo a evitar que se tornem homossexuais.

O pastor fundador da World Changers Church afirmou ter um estudo mostrando que os personagens do desenho fizeram com que jovens do final da década de 1980 e começo da de 1990 se tornassem gays.

Afirmou que a estreita amizade entre os personagens Ash e Brock faz parte da “agenda gay” do desenho.

Por conta de Ash e “seus amigos frustrados”, afirmou o pastor, os jovens daquela época ficaram com a “sua sexualidade distorcida”.

Pastor falou dos
Pokémons fálicos
Com base no suposto estudo cuja autoria não revelou, Dollar falou que alguns Pokénons, como Weedle e Caterpie, são fálicos, para que os jovens aprendam a gostar dessa forma.

O pastor citou outro Polkémon que, segundo ele, distorce a sexualidade de jovens. Trata-se do Charmander, que acaricia com frequência a sua cauda.

A primeira vez que o pastor obteve destaque na imprensa americana foi em 2012, ao ser preso por agredir sua filha que então estava com 15 anos. Ela sofreu tentativa de asfixia após pedir ao seu pai autorização para ir a uma festa.

Ele teve de submeter a um programa de gestão de raiva para se livrar de uma condenação.

Recentemente, Dollar comunicou aos fiéis que Deus lhe mandou comprar um avião de USS 65 milhões. Ele fez uma campanha para arrecadar o dinheiro, mas decidiu suspendê-la após críticas da imprensa e de fiéis. O pastor já tem um jatinho.

Abertura do desenho



Com informação de agências e imagens de divulgação.





Pastor afirma que gays devem ser mortos, como manda a Bíblia

domingo, 26 de abril de 2015

Papa disse que não julga gay, mas recusa francês como embaixador

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Papa tem feito papel de
bonzinho porque diz
uma coisa e faz outra
Em julho de 2013, no começo de seu pontificado, em um avião durante uma viagem em que retornava do Brasil, o papa Francisco (foto), ao responder se havia no Vaticano um “lobby gay”, ele assim respondeu: "Se uma pessoa é gay e busque a Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgar?"

A afirmação teve ampla divulgação porque seria a confirmação de que a Igreja Católica passou a ter, afinal, um papa menos conservador do que Bento 16 em relação aos homossexuais.

Mas agora o que se verifica é que talvez a maior diferença entre Bento 16 e Francisco é que este é um bom marqueteiro, está construindo a imagem de bonzinho, de tolerante, mas na essência é tão conservador quanto o seu antecessor, pelo menos em relação aos homossexuais.

O papa que há dois anos humildemente deixou entendido que não faria julgamento de uma pessoa gay está agora recusou Laurent Stefanini (na foto abaixo), 55, como embaixador da França no Vaticano por ser gay.

Francisco está fazendo o mesmo que Bento 16, que em 2008 teria recusado um homossexual (que adotou o sobrenome do companheiro) para a embaixada da França no Vaticano.

Na época, Bento 16 teria reprovado uma segunda indicação francesa por se tratar de um homem divorciado que tinha se casado de novo.

Em favor da honestidade intelectual de Bento 16, pode-se dizer que ele nunca sugeriu que não julgaria uma pessoa por ser gay.

O papa alemão nunca foi tão popular como é hoje Francisco, mas sempre se sabia que estava falando. Bento 16 não fazia marketing, não posava de bonzinho.

Stefanini tem qualificação 
para cargo, mas é gay
O presidente François Holland está disposto a manter a indicação de Stefanini, reafirmando a laicidade do regime democrático francês.

O ministério das Relações Exteriores afirmou que não se manifesta sobre a vida particular de seus funcionários.

Católico fervoroso, Stefanini tem experiência para ser o embaixador da França no Vaticano. Ele trabalhou na embaixada francesa da Santa Fé entre 2001 e 2005. Depois, foi conselheiro para assuntos religiosos do Ministério das Relações Exteriores.

Ele tem experiência de sobra para ocupar o cargo de embaixador no Vaticano. Mas, ao que parece, para o papa marqueteiro Stefanini não é homem o suficiente, como se na hierarquia da própria Igreja Católica não existissem homossexuais.

Com informações das agências.





Vaticano afasta padre acusado de participar de orgias gays

Pela primeira vez, Justiça suspende rádio por alugar horário à igreja

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Evangélicos Apolinário e
Pagliarin tiram vantagem
de uma concessão pública
O mercado de aluguel de horário de rádio e de TV a igrejas deve ter ficado apreensivo com a primeira decisão judicial que suspende uma emissora por essa prática ilegal.

A juíza federal Flávia Serizawa e Silva determinou a interrupção das transmissões da Rádio Viva por alugar todo o seu horário à Comunidade Cristã Paz e Vida, do pastor Juanribe Pagliarin (na foto à direita). Cabe recurso.

O Código Geral de Telecomunicações proíbe esse tipo de locação, porque rádio e TV são concessões públicas.

Apesar disso, em todo o país, igrejas, principalmente pentecostais, alugam horário de rádio e TV, sem que o Ministério Público e as autoridades do Executivo façam algo para impedir a ilegalidade. Esse mercado de locação é bilionário. O Grupo Bandeirante está na lista das emissoras que mais faturam com igrejas.

Carlos Apolinário (na foto à esquerda), dono da Rádio Viva e ex-presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, reagiu à suspensão das transmissões argumentando que mais de 2.000 emissoras do país alugam sua programação, e não só para igrejas, mas também para bancos, como o Bradesco, e seguradoras, como a Sul América. Ele teve seus bens bloqueados pela Justiça.

"Ou a lei vale para todas as 2.000 rádios e televisões que arrendam horário ou não vale”, disse. “Agora, o único que sofreu essa sanção foi o Carlos Apolinário, eu".

A emissora de Apolinário vinha recebendo R$ 480 mil por mês do pastor Pagliarin.

A Procuradoria acusa a Rádio Vida de outra ilegalidade. Sem autorização da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), a emissora aumentou a sua potência de 30 kW para 100 kW, atingindo, assim, mais pessoas, o que valorizou o preço de venda de seu horário.

Antes disso, o valor do aluguel cobrado pela emissora era de R$ 300 mil.

Apolinário obteve a concessão da emissora cuja sede legal é São José dos Campos, na Grande São Paulo. Mas ali só há uma antena nos fundos de um quintal.

O estúdio e o escritório central da rádio ficam em São Paulo, em um sobrado no bairro de Santana.

O Ministério Público Federal acusou a Rádio Vida de ter instalado ilegalmente um retransmissor no alto da serra de Itapeti, em Mogi das Cruzes, de modo que seu sinal atinga a cidade de São Paulo.

A juíza Serizawa e Silva  sentenciou que "há dupla usurpação de bem público pela Rádio Vida, que ampliou sem autorização sua potência [...] e transferiu seu sistema irradiante para Mogi de forma a atingir toda a Grande São Paulo; e [também] 'alugou' sua concessão mediante vultoso ganho financeiro".

Apolinário foi vereador, deputado estadual três vezes e deputado federal.

Integrante da Igreja Assembleia de Deus do Ministério de Madureira/Brás, São Paulo, Apolinário teve uma atuação política marcada pelo conservadorismo religioso.

Em 2011, Apolinário propôs a criação do Dia do Orgulho Hétero, em reação, segundo ele, ao endeusamento pela sociedade dos homossexuais.

Com informação da Folha de S.Paulo e outras fontes.





Prefeito de SP veta a lei que criou o Dia do Orgulho Heterossexual

sexta-feira, 24 de abril de 2015

'Religião não tem nada a nos dizer', afirma pesquisador do Big Bang

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por Daniel Mediavilla
para El País

James Peebles afirmou que
avanços da ciência ocorrem
através do efeito acumulativo
Em 1964, Robert Wilson e Arno Penzias, dois engenheiros da companhia Bell Labs, estavam ocupados construindo uma nova antena de comunicações. Durante seu trabalho, detectaram um ruído de fundo que não conseguiam eliminar e que não sabiam de onde procedia. Finalmente, aquela radiação foi identificada como o fundo cósmico de microondas, uma radiação fóssil que era uma espécie de eco do Big Bang. A descoberta, que mereceu o prêmio Nobel, dava razão aos cientistas que haviam defendido a ideia de que o universo começou em um pequeno ponto extremamente quente e denso, do qual se expandiu.

James Peebles (nascido em Winnipeg, Canadá, em 1935), na foto, é um dos cientistas que havia previsto a existência daquela radiação de fundo. Pouco antes da descoberta dos engenheiros da Bell, tinha planejado sua busca junto com outros pesquisadores da Universidade Princeton (Estados Unidos). Segundo o físico canadense, nem ele nem seus companheiros expressaram qualquer decepção por terem sido antecipados em uma corrida ao Nobel. "O que existia era emoção diante dos dados sobre a origem do universo que estavam ali para ser medidos e analisados", afirma em artigo que lembrou o 50º aniversário da descoberta.

No dia 20 de abril de 2015, Peebles deu uma conferência na sede da Fundação BBVA em Madri intitulada "A descoberta e a expansão do universo". Antes, ele concedeu uma entrevista onde disse, entre outras coisas, que a religião não influencia em nada o seu trabalhador de pesquisador do Big Bang. "A religião não tem nada a nos dizer", falou. "Mas também diria que não temos nada a dizer à religião,"

Segue a entrevista

Mudou muito nosso conhecimento sobre o universo desde que o senhor começou a pesquisar?

Mudou incrivelmente. Quando começamos, há 50 anos, falava-se no Big Bang, mas era um conceito muito especulativo. Havia muito pouca evidência de que tivesse acontecido. O descobrimento dessa radiação fóssil há 50 anos e os estudos posteriores, realizados com detalhes espetaculares, permitiram consolidar a ideia de que o universo se expandiu a partir de um estado denso e quente. É um avanço extraordinário.

Apesar do avanço que o senhor menciona, dá a sensação de que em cosmologia, pelo menos do ponto de vista dos não especialistas, não houve descobertas do impacto cultural do Big Bang.

As ciências naturais dependem das observações. As ideias são boas, mas tão boas quanto as provas que as sustentam. A noção de um universo que se expande já não é revolucionária, mas as provas de que é algo que realmente acontece são o grande avanço. Também temos importantes avanços teóricos, como a proposta da matéria escura e da energia escura. Temos provas convincentes de que esses conceitos são reais, mas não posso lhe dizer o que são ou se há alguma alternativa melhor.

Há alguma descoberta que tenha lhe parecido especialmente surpreendente há meio século?

Teria sido uma série de surpresas. A ciência avançou de uma forma mais ou menos progressiva nos últimos 50 anos. Houve muitas descobertas importantes, mas o efeito cumulativo é maior que cada um individualmente. Às vezes se realizam observações chaves que têm grande importância, mas com muito maior frequência é o acúmulo de pequenos avanços, que se somam uns aos outros, o que nos dá uma ciência desenvolvida. Em todo caso, se tivessem me dito há 50 anos como ocorreria esse processo, eu não teria acreditado.

De fora, pode parecer que as grandes descobertas vêm do nada, de momentos de inspiração.

Há descobertas impressionantes que surpreendem todo mundo, mas são raras. O mais normal são esses avanços progressivos que, depois, é possível que apareçam de repente na mídia como uma grande descoberta. A descoberta do fundo cósmico de microondas foi transformadora. A mera existência dessa radiação foi uma grande vergonha para a teoria concorrente 50 anos atrás, a teoria do estado estacionário [que defendia um cosmo estático, que sempre foi e sempre será, no qual a matéria se cria de maneira lenta e constante]. Recentemente, houve uma grande excitação com o descobrimento do BICEP2 de uma polarização que poderia se dever a ondas gravitacionais produzidas durante a inflação. Isso teria completado um dos pontos incompletos de nossa teoria, porque não podemos garantir o que aconteceu antes que o universo começasse a se expandir. A melhor aposta que temos é a inflação, mas as evidências que a apoiam são escassas. Se a descoberta de BICEP2 tivesse se confirmado, teria me dado mais confiança em que a inflação é a resposta adequada, e isso teria sido realmente outro experimento transformador. Mas afinal não se confirmou.

O senhor se surpreenderia se a ideia da inflação fosse descartada pelos resultados de outros experimentos?

Não. A inflação poderia se mostrar errônea, e não me surpreenderia. Se aparecessem evidências de que o universo não se expande, algo que creio que não acontecerá, sim, eu ficaria realmente surpreso. Diria que as possibilidades são zero, mas não deveria dizer zero. Não creio que haja uma teoria que seja absolutamente correta. Para dar um exemplo, sobre a conservação da energia, nos EUA você não pode patentear uma máquina de movimento eterno. Há uma boa razão para isso.

Os experimentos demonstraram muitas vezes que a energia se conserva, e no entanto, na teoria da relatividade geral, a energia não se conserva. Mas as máquinas de movimento eterno são extremamente improváveis. Não podemos garantir que não existem porque não podemos chegar à verdade última. Isso vale inclusive para a matemática. Em ciência, só temos aproximações excelentes.

Mas suas descobertas, apesar de parecerem mais limitadas que as certezas que a religião pode oferecer, influem muito na ideologia das pessoas, em seu modo de ver o mundo.

Espero que você tenha razão, mas, por exemplo, nos EUA temos políticos bastante curiosos, pessoas em níveis muito elevados, que consideram a noção de um universo que se expande uma abominação, porque não está escrita na Bíblia. Se você me perguntar qual é a influência da religião em meu trabalho, eu diria que a religião não tem nada a nos dizer. Mas também diria que não temos nada a dizer à religião. São âmbitos diferentes, e muita gente se sente incomodada com isso.

De fato, George Lemaître, um dos pais da ideia do Big Bang, era um sacerdote católico. O senhor o conheceu?

Quando ele começava a se aposentar, eu começava a subir. Não o conheci pessoalmente, mas sim seu trabalho, e o admiro. Nos anos 1930, entendeu muito bem a teoria da relatividade de Einstein, era um indivíduo excepcional. É claro que era muito religioso, mas não tinha problema em reconciliar os dois âmbitos. Ele disse uma coisa de que eu gosto muito. Se um crente quer nadar, é melhor que o faça igual a um não crente. E o mesmo acontece com as ciências naturais: se um crente trabalha nelas, deve fazê-lo como um não crente.

Além de ajudar a conhecer o passado do universo, a física faz previsões sobre qual será seu destino final. Há alguma que lhe pareça mais interessante?

Não acho essas previsões muito interessantes. O passado se entende muito melhor que o futuro porque há fósseis. O futuro é fascinante. Podemos dizer que o mundo acabará. Mas nossa ciência tem muitas dificuldades para entender o futuro, porque não entendemos bem a energia escura, que está afetando o ritmo de expansão do universo agora e poderá ter um efeito muito grande no futuro ou não, dependendo da natureza da energia escura, que desconhecemos. O universo continuará se expandindo ou se contrairá de novo até produzir um Big Crunch [grande esmagamento]? Para mim, é uma pergunta pouco interessante, porque não há forma de testar as respostas.





Hubble não roubou o Big Bang do padre Lemaître, prova carta


Escola islâmica proíbe alunas de correr para preservar a virgindade

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Hallak, de escola na
 Austrália, também teria dito
 que lesão causa infertilidade
O diretor da escola islâmica Al-Taqwa de Melbourne, no Estado de Vitória, na Austrália, proíbe as estudantes de correrem em excesso por isso pode romper o hímen da virgindade. Para o Islã, as mulheres têm de casar virgem.

A denúncia foi publicada pelo jornal The Age. Ela foi apresentada por um ex-professor da escola, que escreveu ao governo federal e ao do Estado de Vitória acusando o diretor da escola Omar Hallak (foto) de fanatismo religioso.

O ex-professor acrescentou que Hallak acredita que uma estudante pode ficar estéril se, por exemplo, quebrar uma perna em um jogo de futebol.

James Merlino, secretário de Educação de Vitória, disse que as autoridades reguladoras do ensino vão apurar a denúncia. Se houver comprovação, afirmou, trata-se de uma “situação muito preocupante”.

A escola Al-Taqwa é privada, mas recebe financiamento público. Em 2013, por exemplo, ela obteve cerca de 10,8 milhões de dólares australianos. Tem 1.700 alunos entre cinco e 18 anos.

A escola divulgou nota em seu site afirmando que, “contrariando os relatos da mídia”, não proíbe as estudantes de participar de esportes. “Nós não acreditamos que [essas] atividades físicas podem causar perda da virgindade e tornar as estudantes inférteis.”

Contudo, a escola precisa explicar por que impediu que as estudantes participassem em 2013 de competições esportivas.

Na época, um grupo de estudantes escreveu uma carta de protesto ao diretor Hallak, ressaltando que a proibição era um “insulto”.

“O hadith (ensinamento de Maomé) não proíbe as mulheres de correr, desde que elas estejam com o vestuário apropriado”, argumentou a carta.

Em março de 2015, Hallak já tinha chamado a atenção da imprensa australiana por ter afirmado que o grupo extremista Estado Islâmico é patrocinado pelos Estados Unidos e Israel com o propósito de assumir o controle dos recursos petrolíferos do Oriente Médio.

Tudo o que diz respeito ao Estado Islâmico deixa os australianos apreensivos, desde que em setembro de 2014 o governo anunciou ter desarticulado uma rede de partidários do grupo radical que estava se preparando para fazer decapitações no país.

Com informação das agências.





Manual do Estado Islâmico ensina como ser jihadista no Ocidente

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Fiéis em culto confundem asma com ‘encosto’, e mulher morre

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Lúcia pediu sua bombinha
quando começou a crise
asmática, mas fiéis oraram
Durante um culto na casa de uma amiga de igreja, Lúcia Fernandes Santana (foto), 55, caiu, teve convulsão e de sua boca sangrou.

Ela estava tendo uma crise asmática, mas os fiéis acharam que estava "possuída" e oraram para livrá-la do Satanás.

Como Lúcia continuou passando mal, cerca de meia hora depois os fiéis chamaram um pastor para reforçar as orações, mas ele se convenceu de que não se tratava de “encosto”e mandou pedir socorro de uma ambulância.

Uma semana depois, no dia 15, Lúcia morreu no Hospital de Base, em São José do Rio Preto (SP).

De acordo com o atestado de óbito e de testemunhas, Lúcia morreu por causa de sangramento do crânio causado pela sua queda. Ela caiu porque teve um AVC (Acidente Vascular Cerebral) provocado pela asma.

O pneumologista João Batista Salomão confirmou que quem sofre de asma grave pode perder a consciência e ter um AVC se ficar sem socorro médico em torno de dez minutos.

M.S.F.S., 36, a nora da evangélica, declarou ao “Diário da Região”que os fiéis deveriam chamar logo a família de Lúcia e um socorro médico.

"Na casa [onde se celebrava o culto], havia gato, e Lúcia tinha asma. Quando começou a passar mal, ela pediu a bombinha que tinha ficado na casa dela, mas eles [os fiéis] fizeram confusão e acharam que ela estava possuída."

A nora acredita que Lúcia não teria morrido se tivesse sido atendida a tempo por um médico. “Mas só Deus para saber isso.”

Com informação do Diário da Região e foto de arquivo pessoal.





Inocentado pastor que orou para fiel desmaiada; ela morreu


quarta-feira, 22 de abril de 2015

Umbandistas reagem à proposta de veto ao sacrifício de animais

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Pai Clóvis do Xangô diz
que rituais são feitos com
gratidão aos animais
Umbandistas do Rio Grande do Sul estão criticando a proposta da deputada estadual Regina Becker Fortunati (foto), do PDT, para derrubar o artigo 2º do Código Estadual de Proteção aos Animais, de 2003, que permite o sacrifício de animais em rituais religiosos.

Leni Dias de Ogum, por exemplo, disse que o sacrifício de bichos “é uma forma de materializar e fortalecer a religião”. Trata-se, disse, de algo que vem dos ancestrais.

Argumentou que os umbandistas consomem a carne do animal sacrificado e que somente “o sangue é utilizado para tratar os orixás”.

“No momento em que terminar o sacrifício de aves e de outros animais, a religião não vai ser mais a mesma.”

Para ela, se o veto for aprovado, todos os frigoríficos terão de ser fechados porque também sacrificam animais.

Clóvis Alberto Oliveira de Souza (foto), o Pai Clovis do Xangô, conselheiro-geral do Conselho Estadual da Umbanda e dos Cultos Afro-Brasileiros, afirmou que os rituais são feitos com respeito e gratidão aos animais.

O projeto de lei 21/2015 que altera o Código de Proteção aos Animais foi apresentado por Fortunati em fevereiro deste ano. No momento, ele se encontra em discussão na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Assembleia Legislativa.

Fortunai tem o apoio das entidades protetoras de animais.

Naís Andrade, da Associação Amigo Bicho de Venâncio Aires, por exemplo, disse que o sacrifício é uma prática muito cruel. Afirmou que, além disso, os rituais deixam lixo em vias públicas, em encruzilhadas, como resto de comida e de animais mortos.

A umbandista Leni afirmou que essa prática não é generalizada. “Eu não faço isso [sacrificar animais em lugar público]”.

Leni disse que há preconceito contra os umbandistas, que “não fazem trabalhos ruins”. “Não somos nós que fazemos maldade, é o povo que pede o 'trabalho' e paga por isso”.

Acrescentou que a deputada deveria cuidar de assuntos relacionados ao bem-estar da população, como saúde e educação.

Deputada Fortunati disse
que as pessoas evoluíram
Em defesa de seu projeto de lei, a deputada Fortunati (foto) tem afirmado que sacrifícios de animais são anacrônicos porque a humanidade passou a se empenhar pela proteção dos animais e do ambiente.

Ela argumentou que muitos rituais foram extintos, como oferendas de virgens apunhaladas em altares e imolação de cordeiros, embora eles fossem da tradição.

“As pessoas evoluíram e podem expressar suas crenças sem mortes”, afirmou. “Há outras formas de se manifestar a bondade, deixando a crueldade de lado.”

Com informação do portal Zero Hora,entre outras fontes, e imagens de divulgação.





Judeus ortodoxos retomam em Jerusalém rituais de sacrifício

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