Quase um em cada cinco argentinos não está afiliado a nenhuma crença religiosa SÉRGIO RUBIN jornalista argentino É de se perguntar se um mundo e um país menos religiosos seriam melhores ou piores. A Argentina será melhor ou pior na medida em que prescinde cada vez mais de Deus, de um deus? A década revolucionária dos anos 60 deu lugar a um processo de enormes transformações culturais no mundo. As religiões não escaparam de tal abalo. O questionamento das crenças passou a ser a ordem do dia nas mãos de uma sociedade que apostava mais na razão e no desenvolvimento científico, satisfazendo-se à medida que alcançava maior bem-estar econômico. E que preferia ver o trabalho religioso relegado ao interior do templo, sem projeção na vida pública (o que se chama laicismo), atitude em certos casos como reação a uma invasão indevida dos religiosos no campo civil. Em um artigo recente no jornal Clarín, a prestigiosa socióloga argentina Marita Carballo — presidente da consultoria de opinião Voices...