Ateus criticam Associação Humanista por ter cancelado prêmio concedido a Dawkins

Ateus proeminentes criticaram duramente a AHA (Associação Humanista Americana) por ela ter retirado o prêmio Humanista do Ano 1996 concedido ao biólogo evolucionista e militante do ateísmo Richard Dawkins.

Algumas críticas fazem referência a “woke” (acordar), que é o nome de movimento de militantes pela igualdade e diversidade, mas que, para isso, tentam impor um ponto de vista único, reinterpretando ou manipulando as palavras. O movimento é tido como de extrema-esquerda, neomarxista. O termo é geralmente usado com sentido pejorativo.

O próprio Dawkins já criticou o movimento "woke" dizendo que se trata da Polícia do Pensamento da esquerda.

A escritora Ayaan Hirsi Ali, por exemplo, afirmou que a Associação Humanista deixou-se corromper pela “multidão woke” ao tomar a atitude “covarde” de tentar deslegitimar o trabalho de Dawkins, o “Humanista do Século”.

“Apesar de sua decisão descaradamente irracional [da associação], Dawkins será celebrado como a verdadeira voz da razão que ele é.”

Autor do bestseller “Deus, um Delírio” e do “O Gene Egoista”, Dawkins foi cancelado pela AHA por, segundo a associação, “rebaixar grupos marginalizados”, como as pessoas trans, usando “o disfarce de discurso científico”.

Como estudioso da biologia, Dawkins tem feito nos últimos anos, na rede social, comentários sobre as pessoas trans, causando, por vezes, polêmica pela maneira assertiva como se expressa.

Comentários como este: “Mulher trans é mulher? Puramente semântico. Se você definir por cromossomos, não. Se por autoidentificação, sim. Eu a chamo de "ela" por cortesia.”

O físico Lawrence Krauss afirmou que cancelou sua afiliação vitalícia à AHA porque a associação, com o cancelamento do título de Dawkins, mostrou que é dirigida por “indivíduos que não entendem nem valorizam o pensamento cético, o debate crítico ou o livre questionamento — as marcas do humanismo”.

O escritor e psicólogo Michael Shermer disse que a decisão da AHA foi “pura loucura”.  Trata-se, segundo ele, de uma “uma evidência tão odiosa”, que “apenas alimenta os verdadeiros fanáticos” que não sabem o significado do liberalismo.

O neurocientista Sam Harris comentou que alguém deve avisar os diretores da AHA que eles estão cometendo o suicídio de sua militância.

O professor de filosofia Peter Boghossian, autor do “Um manual para criação de ateus”, lamentou: “Outra organização ateísta caiu no vazio”.

“O movimento woke é um solvente universal que corrói e destrói tudo com o qual entra em contato”.

Michael Sherlock, ex-presidente da American Atheists, disse que o cancelamento do prêmio de Dawkins é “um grande exemplo de como o movimento humanista/ateísta se tornou insanamente autoritário e irrelevante”.

“Os #woke retardaram o movimento [humanista], transformando-o em uma ortodoxia secular de opiniões hiper-policiadas”, acrescentou.

Steven Pinker e Rebecca Goldstein, também ganhadores do prêmio Humanista do Ano, escreveram ao AHA uma carta aberta afirmando que Dawkins não defendeu a discriminação ou marginalização de qualquer minoria.
 
Afirmam que a associação deveria expor suas objeções, em vez de “procurar punir, desonrar ou humilhar um escritor” de reconhecimento entre os humanistas.

O filantropo Todd Stiefel anunciou que deixará de fazer doações à AHA e às entidades ligadas à associação.  Para ele, o cancelamento de Darkins envergonha todo o movimento secular.

Ele comparou a AHA a uma religião que queima herege que se recusa a aceitar os seus dogmas.

> Com informação do Twitter e de outras fontes e foto de divulgação.

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