Associação Humanista Americana retira prêmio de Dawkins por ele questionar pessoas trans

A Associação Humanista Americana retirou o prêmio Humanista do Ano que concedeu em 1996 a Richard Dawkins por ele ter feito afirmações “para rebaixar grupos marginalizados” usando “o disfarce de discurso científico”.

A “grupos marginalizados” a associação se refere a pessoas trans sobre as quais o biólogo evolucionista britânico tem feito questionamentos nos últimos anos na rede social.

Dawkins é um destacado militante ateísta e cientista de renome, autor do livro "O Gene Egoísta", entre outros.

Um dos referidos questionamentos de Dawkins é este: “Alguns homens optam por se identificar como mulheres, e algumas mulheres optam por se identificar como homens. Você será vilipendiado se negar que eles são literalmente o que se identificam. A discutir."

Fortemente criticado, o biólogo respondeu: “Não pretendo menosprezar as pessoas trans. Vejo que minha pergunta acadêmica 'Discutir' foi mal interpretada e deploro isso. Também não era minha intenção me aliar de forma alguma aos fanáticos republicanos nos EUA que agora exploram essa questão”.

Dawkins, contudo, continuou sob críticas, inclusive por ateus, porque ele permanece abordando as pessoas trans a partir da perspectiva biológica, na mesma linha do que escreveu em outubro de 2015 no Twitter:

“Mulher trans é mulher? Puramente semântico. Se você definir por cromossomos, não. Se por autoidentificação, sim. Eu a chamo de "ela" por cortesia.”

Ao defender a retirada do prêmio, Alison Gill, vice-presidente de assuntos jurídicos e políticos da Ateus Americanos, comentou: “Como mulher trans, espero que o professor Dawkins trate este assunto com maior compreensão e respeito no futuro”.