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Religião, ateísmo, teoria da evolução e astronomia

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Indonésio teme pegar até 11 anos de prisão por dizer que Deus não existe

Ateu indonésio Alexander Aan
Aan apanhou na prisão por seu ateu 
O indonésio Alexander Aan (foto), 31, está muito preocupado com o pronunciamento sobre o seu caso da Justiça, que deverá ocorrer até o final do ano. Ele poderá ser condenado por blasfêmia até a 11 anos de prisão por ter escrito no Facebook que “Deus não existe”. “Estou pensando sobre como vou lidar com isso”, afirmou ao jornal britânico The Guardian

No dia 18 de janeiro, para não ser linchado por causa de sua ofensa aos religiosos, Aan chamou a polícia, que o livrou da violência, mas também o deteve pelo crime de blasfêmia.

Na Indonésia, há cinco religiões oficializadas: Islã (a maior de todas), catolicismo, protestantismo, budismo e hinduísmo. Quem ofender uma delas poderá ser condenado a cinco anos de prisão. Se a ofensa for pela internet, haverá o acréscimo de seis anos. Esse é o caso de Aan. Além de se declarar ateu, há a agravante de que ele publicou no Facebook uma caricatura de Maomé.

Na cadeia de sua cidade, Dharmasrava, Aan apanhou dos detentos quando eles souberam do crime do qual é acusado. O ateu teve de ser transferido para uma prisão rural de segurança média em Padang, ao oeste de Sumatra. Em sua nova prisão, ele tem mentido sobre o motivo de estar ali. "A verdade é muito perigosa.”

Entidades ateístas americanas  e de direitos humanos têm dado apoio a Aan, arcando, inclusive, com os honorários dos cinco advogados que estão cuidando do caso.

Taufik Fajrin, um dos advogados, reconheceu que dificilmente Aan será inocentado e que o esforço da defesa é obter a pena mínima. “Promover direitos humanos aqui é difícil”, disse. “Porque você tem de enfrentar os fanáticos e radicais culturalistas.”

Farjrin afirmou que os próprios advogados correm risco de sofrer algum tipo de represália. “Estamos preocupados porque os religiosos da linha dura poderão invadir nosso escritório ou nossas casas ou ainda jogar pedras sobre nós”, afirmou. “É um desafio.”

Em um momento em que muçulmanos fundamentalistas estavam pedindo a pena de morte, Aan pediu desculpas públicas e disse ter se convertido ao islamismo, mas não conseguiu convencer as autoridades.

Nuraina, a mãe dele, continua afirmando às autoridades que o filho nunca foi ateu. “Ele sempre foi zeloso”, disse ela ao jornal britânico. “Sempre compareceu à mesquita para orar cinco vezes por dia.”

Segundo o The Guardian, Aan tomou consciência de sua descrença aos 11 anos de idade. Afirmou que, na época, questionou: “Se Deus existe, por que há sofrimento? Por que há guerra, pobreza, inferno”.

Na prisão, segundo relato do jornal, Aan por alguns instantes revela otimismo ao dizer que o que deseja é “ajudar a criar um mundo melhor”. Mas em seguida afirma algo que revela a sua angústia: “Se eu não puder sonhar [com isso], prefiro morrer”.

Com informação do The Guardian.

Direitos Humanos pedem liberdade do indonésio preso por ser ateu.
abril de 2012

Alexander Aan.     Ateísmo.

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