Faz apenas 53 anos que Igreja Católica revogou lista de livros proibidos


Capa de uma edição do
 Index librorum prohibitorum



por Deutsche Welle

No dia 14 de junho de 1966, o Vaticano aboliu seu Index librorum prohibitorum, com a lista dos livros proibidos aos católicos, instituído em 1559. Faz, portanto, 53 nos, o que, na escala histórica, é pouco tempo. Essa foi a primeira censura imposta diretamente por um papa.

Na Antiguidade, se uma obra fosse contra os preceitos dos magistrados, eles ordenavam sua destruição. Com a invenção da imprensa, entretanto, a publicação em série de obras indesejadas passou a ser proibida pela censura.

Em 1487, Inocêncio 8º promulgou a primeira constituição papal, em que instituiu a censura prévia.

Em 1559, o Papa Paulo 4º instituiu o Index librorum prohibitorum (Índice dos livros proibidos), que listava as obras proibidas aos católicos. Foi a primeira censura imposta diretamente por um papa.

Em contrapartida às anteriores, que se chamavam "catálogos", ela foi chamada de "índice". Ela serviu de base para a criação, cinco anos mais tarde, do Índice, pela Comissão de Bispos do Concílio de Trento.

Em 1571, o papa Pio 5º criou a Sagrada Congregação do Índice, encarregada de examinar e censurar livros e atualizar o "Index". 

Os governos católicos da Europa efetivaram as medidas repressivas e garantiram a aplicação da lei imposta pela Igreja. Na Espanha, por exemplo, o rei Carlos 5º determinou, entre 1520/50, algumas leis que condenavam à morte quem possuísse, comprasse, vendesse ou copiasse um livro herege.

Ao longo dos 400 anos que durou a proibição, a lista das obras condenadas foi-se tornando cada vez mais longa. Além de uma série de edições da Bíblia, do Novo Testamento e suas traduções, proibia aos católicos o acesso às obras de Martinho Lutero, à astrologia e à chamada "literatura lasciva".

Em 1571, chegou a ser fundada a Congregação do Índice, uma tentativa histórica de controle total sobre o conhecimento humano. Foram atingidas partes, ou as obras completas, de autores como Rene Descartes, Heidegger, Jean Paul Sartre, Voltaire, Emile Zola, Stendahl, George Sand, Balzac, Alexandre Dumas (pai e filho) e Gabriele D'Annunzio.

Em 1917, o papa passou o controle da censura ao Santo Ofício, que o Concílio Vaticano 2º mudou de nome em 1965 para Congregação da Doutrina da Fé. As crescentes críticas internas, no entanto, levaram à revogação completa do Índice em junho e novembro de 1966, pelo papa Paulo 6º.

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