Doente, Cavaleiro do Ateísmo lança seu provável último livro

Livro acaba de ser 
lançado nos Estados Unidos
Christopher Hitchens, 62, está lançando nos Estados Unidos o livro Arguably: Christopher Hitchens. Trata-se de um livro de ensaios sobre cultura e política. Na tradução literal, arguably significa "discutivelmente".

No prefácio, diz que escreveu alguns dos ensaios com a plena consciência de que podem ser os últimos. Em 2010, ele soube que estava com um agressivo câncer no esôfago.

Hitchens, um britânico com cidadania americana, é um dos quatro Cavaleiros de Ateísmo, conforme termo cunhado pela imprensa. Ele é, portanto, um dos “pregadores”, por assim dizer, da descrença religiosa e do secularismo, cuja expansão neste começo de século parece ser a maior preocupação dos líderes religiosos. Os outros três são Richard Dawkins, Daniel C. Dennett e Sam Harris.

Dos quatro, Hitchens – que prefere ser chamado de antiteísta – é o mais polêmico, prolífero, espirituoso e eclético. Seus artigos vão além do ateísmo e suas citações são de largo espectro, vão de Charles Dickens a Isaac Newton, passando por George Orwel, Thomas Jefferson, Karl Marx, etc. Sobretudo Orwel, seu autor preferido.

Mas são seus livros de questionamento à religião que têm sido os mais lidos, inclusive no Brasil, como o “Deus não é grande – como a religião envenena tudo” (304 págs, Edioro, R$ 33). Em contrapartida, a reação de religiosos aos seus livros tem sido vigorosa. O livro que acusa a Madre Teresa de Calcutá de ter sido amiguinha de ditadores causa até hoje arrepios nos católicos.

Hitchens faz quimioterapia
Além de ateu, Hitchens é descendente de judeu e, pelo menos até o câncer o pegar, alcoólico e fumante compulsivo. É, portanto, um alvo ambulante a variados tipos de preconceituosos, dos quais, aliás, ele não reclama.

Ao comentar o lançamento do Arguably, Phillip Lopat, do San Francisco Chronicle, escreveu: “Independentemente de se concordar ou não com algumas das posições dele, o leitor poderá admirar a sua habilidade e elegância discreta de sua prosa. O homem é muito bom no que faz.”