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Vaticano investiu por mais de 20 anos em indústria de contraceptivo, diz TV

> FRANCESCO ANTONIO GRANA
Il Fatto Quotidiano

Uma investigação de um programa da TV italiana revelou que a Secretaria de Estado tinha ações no valor de aproximadamente 20 milhões de euros [130 milhões de reais] em duas indústrias farmacêuticas que produziam o remédio contraceptivo de emergência. Violando, portanto, as regras da Santa Sé.

“Por mais de 20 anos, até 2016, o Vaticano investiu em uma indústria que produzia a pílula do dia seguinte.” É o que afirma o programa Report, transmitido pelo canal Rai3, segundo o qual, “por meio da Apsa, a Administração do Patrimônio da Sé Apostólica, a Secretaria de Estado tinha ações no valor de cerca de 20 milhões de euros em duas indústrias farmacêuticas que produziam a pílula do dia seguinte”.

Foi o que confirmou aos microfones do Report o ex-auditor geral da Santa Sé, Libero Milone, que explicou que “a Apsa tinha investido em algumas empresas farmacêuticas que nós considerávamos como investimentos de risco, porque não respondiam à doutrina social da Igreja”.

Na época, a Apsa era chefiada pelo cardeal Domenico Calcagno, um homem muito ligado ao secretário de Estado de Bento XVI, Tarcisio Bertone.

Depois da indicação de Milone, chamado em 2015 pelo papa Francisco para colocar as contas do Vaticano em ordem e afastado bruscamente depois de apenas dois anos, em 2017, as ações foram imediatamente vendidas. Quem confirmou isso ao programa da Rai3 foi Ferruccio Panicco, auditor adjunto do Vaticano de 2015 a 2017: “Sabemos que essas ações foram vendidas, depois, reconhecendo o erro. Quando alguém busca rendimentos, às vezes se esquece das outras coisas”.

Contatado pelo Il Fatto Quotidiano, Dom Nunzio Galantino, nomeado em 2018 por Bergoglio como presidente da Apsa, comentou: “Em 2016, eu não estava na Apsa. Eu estava na Conferência Episcopal Italiana (CEI). Posso dizer com certeza que são seguidos critérios éticos para os investimentos. Aliás, uma referência pode ser encontrada no texto da CEI de 2020 intitulado ‘A Igreja Católica e a gestão dos recursos financeiros com critérios éticos e de responsabilidade social, ambiental e de governança’. Não sei o que foi transmitido pelo Report, programa que eu não acompanho”.

A pílula do dia seguinte, assim como a pílula dos cinco dias depois, é um contraceptivo de emergência para o qual não é necessária a receita. A posição do Vaticano a esse respeito sempre foi bastante clara: embora reconhecendo que se trata de um remédio contraceptivo e não de um remédio abortivo, o Vaticano pede a objeção de consciência à prescrição de tal medicamento.

Em um comunicado da Pontifícia Academia para a Vida do ano 2000, lemos que, “nas farmácias italianas, está à venda a chamada pílula do dia seguinte, uma descoberta química (de tipo hormonal) bem conhecida, que frequentemente tem sido apresentada por muitos adeptos aos trabalhos e por inúmeros meios de comunicação como um simples contraceptivo ou, mais precisamente, como um ‘contraceptivo de emergência’, ao qual se poderia recorrer pouco tempo depois de uma relação sexual considerava presumivelmente fecundante, quando se quisesse impedir a continuidade de uma gravidez indesejada. Às inevitáveis reações polêmicas de quem manifestou sérias dúvidas sobre o mecanismo de ação de tal descoberta, que não seria simplesmente ‘contraceptiva’, mas sim ‘abortiva’, respondeu-se, de forma totalmente decidida, que tal preocupação parece infundada, pois a pílula do dia seguinte tem uma ação ‘antinidatória’, sugerindo, assim, implicitamente uma clara separação entre aborto e interceptação (impedir que ocorra a implantação do óvulo fecundado, ou seja, do embrião, na parede uterina)”.

Para o Vaticano, “do ponto de vista ético, a mesma ilicitude absoluta de proceder a práticas abortivas subsiste também para a difusão, prescrição e ingestão da pílula do dia seguinte. Também são moralmente responsáveis por isso todos aqueles que, compartilhando ou não a sua intenção, cooperem diretamente com tal procedimento”.

E ainda: “Diante da difusão de tais procedimentos, exortamos veementemente a todos os operadores do setor que pratiquem com firmeza uma objeção de consciência moral, que testemunhe corajosamente, nos fatos, o valor inalienável da vida humana, principalmente diante de novas formas ocultas de agressão aos indivíduos mais fracos e indefesos, como é o caso do embrião humano”.

> Com tradução de Moisés Sbardelotto para IHU Online.

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