‘Medicina alternativa’ coloca o SUS contra a ciência, dizem estudiosas


Técnicas tidas
como curativas
 fragilizam o sistema
público de saúde

[notícias]

Ao introduzir novas modalidades de terapias alternativas no SUS, o governo colocou esse serviço público contra a ciência e, em consequência, compromete a saúde dos brasileiros mais pobres.

É o que afirmam Natalia Pasternak, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, e Alicia Kowaltowski, do Instituto de Química da mesma universidade.

Elas criticam a comunidade científica por se omitir diante do avanço no Brasil de “técnicas ditas curativas que ignoram os avanços da ciência”.

Lembram que, como se não bastasse a reverência à homeopatia e à acupuntura — que visam o “equilíbrio das energias do corpo”, sem que haja qualquer comprovação científica —, outras pseudociências foram empurradas para o SUS.

Em 2016, houve a introdução de procedimentos “bastante questionáveis”, como dança circular, termalismo social e arteterapia.

Em 2018, o governo acrescentou mais dez terapias sem o lastro da ciência, como aromaterapia, cromoterapia, imposição de mãos e aplicação de florais e geoterapia.

As duas estudiosas observam que a “medicina alternativa” passou a ser chamada pomposamente pelo Ministério de Saúde de Práticas Integrativas e Complementares, PICs.

“Nenhuma dessas terapias tem eficácia cientificamente comprovada”, dizem Pasternak e Kowaltowski em artigo que escreveram para um jornal.

“Para ser considerado eficaz um medicamento ou tratamento deve passar por uma extensa série de rigorosos testes clínicos que garantam sua segurança e funcionalidade.”

“Quando dizemos que não há evidências científicas de que pseudociências recém-incorporadas ao SUS funcionam, indicamos que elas falharam nesses testes ou, pior, nem sequer foram a eles submetidas.”


As estudiosas afirmam que muitas pessoas acreditam que essas práticas funcionam por causa do efeito placebo. Elas são autossugestionadas, acham que melhoraram, mesmo quando, sem saber, tomam pílulas de açúcar.

“Esse efeito pode confundir o usuário das pseudociências, dando-lhe a falsa impressão de que o tratamento é eficaz. Há outros fatores a considerar, como regressão à média e cura espontânea.”

“Várias doenças são cíclicas e o paciente busca tratamento somente quando sente o auge dos sintomas. Ora, como a tendência natural da doença é que os sintomas regridam naturalmente, o crédito fica para o tratamento alternativo.”

Explicam que há também a cura espontânea, que decorre do sistema imune, e o crédito, nesse caso, é atribuído às pseudociências.

“Além disso, existem doenças típicas de certas fases da vida. Doença da infância pode desaparecer na puberdade.”

As estudiosas escrevem que o Brasil está indo na contramão de países como a Austrália e o Reino Unidos, onde a homeopatia foi banida da rede pública de saúde.

“Nos Estados Unidos, remédios homeopáticos apresentam, em suas bulas, o alerta sobre a falta de comprovação científica.”

No Brasil, o que ocorre é espantoso, dizem, porque a homeopatia é disciplina obrigatória em algumas universidades.

“Oferecer as PICs no SUS serve apenas para enganar de modo populista as camadas sociais mais pobres. São procedimentos antiéticos e perigosos e ainda podem adiar diagnósticos e tratamentos necessários.”



SUS desperdiça recursos ao adotar práticas alternativas, diz CFM

SUS deveria ter gatos para adoção, já que aderiu à pseudociência

SUS adota o Reiki, uma pseudociência de cura pelas mãos



Cura de impotência com hipnose pelo SUS divide opiniões de cariocas

A responsabilidade dos comentários é de seus autores.

Comentários

Busca neste site