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Religião, ateísmo, teoria da evolução e astronomia

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Edir Macedo afirma que vive da ‘ajuda de custo’ da Universal

Edir Macedo
Chefe da Universal falou mais uma vez de
sua mágoa com a Igreja Católica e a Globo 
A Istoé perguntou a Edir Macedo (foto), 67, chefe da Igreja Universal, se é rico. Ele deu a entender que não, porque respondeu que vive “da ajuda de custo da Igreja", além dos direitos autorais dos livros dele. Falou que, embora seja dono da Record, não recebe nenhuma remuneração da emissora, “nem pró-labore ou ganho de lucros”.

Estimativa feita em 2009 pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão do Ministério da Fazenda que rastreia lavagem de dinheiro, aponta Edir Macedo como um dos empresários mais ricos do Brasil, com fortuna naquele ano avaliada em pelo menos US$ 2 bilhões, cerca R$ 4 bilhões.

A Istoé desta semana dedicou a sua capa ao fundador da Universal para destacar que o seu livro “Nada a Perder” já vendeu 350.000 exemplares, com traduções em vários idiomas.

No livro, como na entrevista, Macedo criticou, mais uma vez, a Igreja Católica e a Rede Globo. Relembrou que a Igreja romana teve participação no complô que resultou em sua prisão por 11 dias em 1992 sob a acusação de curanderismo, charlatanismo e enriquecimento com a exploração da fé dos pobres.

“Eram políticos de prestígio, empresários da elite econômica e social, intelectuais, juízes, desembargadores e outras autoridades do Poder Judiciário que tomavam decisões sob a influência do alto comando católico”, afirmou

A rigor, a entrevista da Istoé não revela nada de novo, mas chama a atenção a forma pela qual Macedo sai pela tangente em algumas perguntas, sem que haja questionamento do repórter.

Um exemplo: é público e notório que Macedo mora há anos nos Estados Unidos, de onde parte com seu avião para países onde a Universal está fincada, mas à pergunta “por que o sr. não mora no Brasil?” ele respondeu “não ter uma residência fixa”. “Moro em apartamentos construídos e, prédios da Igreja”, afirmou.  “É um sacrifício.”

Capa da edição da Istoé que entrevistou Edir Macedo
O melhor da entrevista foram
as perguntas não feitas
A entrevista também se destaca pelas perguntas que deixaram de ser feitas. Ela não tocou, por exemplo, na denúncia do Ministério Público Federal que foi aceita em 2011 pela Justiça de São Paulo colocando Macedo como réu em ação sobre evasão de divisas e formação de quadrilha.

Istoé enalteceu a pujança da igreja de Macedo, fingindo desconhecer a informação do IBGE de que de 2000 a 2010 a Universal perdeu 229 mil fiéis. No mesmo período, a sua concorrente mais direta, a Mundial, obteve 315 mil adeptos.

Macedo não foi questionado sobre o seu apoio a Celso Russomanno (PRB) nas eleições municipais de São Paulo deste ano, quando o candidato foi fragorosamente derrotado por estar envolvido com a Igreja Universal, entre outros motivos.

A revista também não abordou as dezenas de ações que fiéis da Igreja de diferentes regiões do país moveram contra a Folha de S.Paulo por ter publicado em 2007 a reportagem “Universal chega aos 30 anos como império empresarial”.

Cinco anos depois da reportagem, a Igreja continua operando como um conglomerado empresarial, e em expansão, porque, entre outras coisas, chegou a ter interesse em comprar a própria Istoé.

Com informação da Istoé.

Vídeo mostra Edir no banco dos réus negando falsidade ideológica
setembro de 2012

Edir na mira da Justiça

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