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sábado, 6 de outubro de 2012

Padres russos podem entrar na política para combater apóstatas

do Religión Digital

Patriarca Kirill já faz política
ao apoiar o governo de Putin
A Igreja Ortodoxa Russa permitiu que seus sacerdotes  apresentem suas candidaturas para as eleições para proteger a Igreja das campanhas anticlericais. “Em casos excepcionais, por motivos de extrema necessidade eclesiástica ou quando for necessário enfrentar forças apóstatas ou de outras confissões, que querem utilizar o poder eleitoral para a luta contra a Igreja ortodoxa russa”, informou o Sínodo da Igreja, num comunicado feito pelas agências russas.

A nota aponta que será a Igreja que escolherá e abençoará as pessoas que aspirarem cargos públicos, embora advirta que esses candidatos não terão “direito a serem membros de partidos políticos”.

“Se qualquer força política diz que um de seus objetivos é combater a Igreja ortodoxa russa e utiliza o poder eleitoral para isso, nesse caso”, uma pessoa pode aspirar ser eleito para um cargo de responsabilidade na administração pública, assinala.

No resto dos casos, acrescenta, a Igreja russa mantém a sua oposição para que os sacerdotes assumam cargos políticos, sejam em órgãos de poder ou partidos ao uso.

Nesse caso, o interessado, seja um hierarca da Igreja, um simples clérigo ou um modesto monge, “deve apresentar uma solicitação em nome do Patriarca, o Santo Sínodo (...), em que justifique com argumentos a necessidade de ser candidato a um órgão legislativo ou executivo”, indica.

O candidato, que deve apresentar essa solicitação antes do início da campanha eleitoral, deve especificar os planos que essas forças cismáticas preveem colocar em prática contra a Igreja ortodoxa.

No caso do Patriarca ou o Sínodo concluir que o candidato não é a pessoa adequada para exercer tal cargo político, a qualquer momento podem lhe retirar a bênção. “Nesse caso, o clérigo eleito para um cargo legislativo ou executivo será obrigado a renunciar tal função”, diz.

O Patriarca ortodoxo Kirill (foto) afirmou que nos últimos tempos a Igreja ortodoxa russa tem sido vítima da maior campanha anticlerical, desde a queda da União Soviética.

A Igreja russa começou a denunciar os ataques justamente depois de receber numerosas críticas pelo apoio aberto dado ao então primeiro-ministro russo Vladimir Putin, nas vésperas das eleições presidenciais de março passado.

Foi por este motivo que o grupo punk russo Pussy Riot, do qual três componentes foram condenadas a dois anos de prisão por “vandalismo motivado por ódio religioso”, decidiu cantar na catedral de Cristo Salvador.

“Eu pensava que a Igreja amava todos os seus filhos, mas parece que a Igreja ama apenas aqueles que querem Putin”, manifestou uma das integrantes do grupo que foi presa, Maria Aliójina.

A Igreja ortodoxa russa cresceu em sua influência, desde a chegada de Putin ao poder, que devolveu para a instituição as propriedades expropriadas durante a União Soviética, incentivando seu proselitismo pelo mundo e não ouvindo as denúncias sobre seu duvidoso financiamento.

A Igreja se converteu num dos pilares do sistema estatal russo, em que os sacerdotes desempenham um papel cada vez mais importante, o que tem valido a aversão de liberais e comunistas, defensores em sua maioria de uma sociedade secular.

Rússia está a um passo de se transformar em Estado clerical.
setembro de 2012

Religião na política.

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