Cartunista Laerte anuncia que agora não é homem nem mulher



Laerte: antes e agora

O cartunista Laerte Coutinho (fotos), da Folha, passou a usar roupas femininas em 2009. Na época sua namorada e filhos estranharam e até hoje alguns de seus amigos suspeitam que ele tenha endoidado. Agora, nas últimas semanas, ele tem dado entrevistas para explicar por que adotou o cross-dressing (travestimento). 

Laerte, que é bissexual, tem afirmado que decidiu se libertar de uma “cultura binária” que impõe às pessoas que sejam homens ou mulheres. Ressalta que se veste com roupas femininas, mas sabe que não é mulher e deixou de se considerar homem.

Para confundir ainda mais quem tenta entender o seu comportamento, ele afirma que seu novo vestuário não tem nada a ver com fetiche sexual. “O travestimento é uma questão de gênero, não de sexo.”

Há quem diga que Laerte começou a ficar pirado em 2005 por causa da morte naquele ano de um de seus filhos em um acidente de carro. Foi quando as suas tiras no caderno Ilustrada ficaram estranhas, na avaliação de leitores e de jornalistas da Folha.

O cartunista garante estar na plenitude de sua consciência. “Eu não me sinto fora do eixo, fora do tom, fora de nada”, diz. “Comecei a me aproximar do travestimento em 2004. Interrompi por causa da morte do meu filho e agora retomei.”

Ele atribui o estranhamento das pessoas ao seu comportamento ao fato de que não se rompe com facilidade "o código da cultura binária”.

A colunista Nina Lemos escreveu que Laerte chutou todos os preconceitos e é o primeiro cross-dresser do Brasil a sair do armário para usar vestido, brinco, unhas feitas e maquiagem. “Hoje ele é um dos caras mais livres do país.”

Laerte diz estar ainda na fase da descoberta de tecidos, estampa, cor – o que lhe cai bem. Reconhece que antes era mais simples: “Eu comprava uma calça a cada três anos, colocava uma camiseta e pronto”.

Está impressionado com os elevados preços das roupas femininas. Mas nem por isso – assegura – tem recorrido ao guarda-roupa de sua namorada.

Com informação do iG e da Folha.

Cartunista no quintal de sua casa



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