Desde 1940, padres abusaram de mais de 200 mil menores na Espanha. Acordo prevê indenização.
O governo da Espanha e a Igreja Católica assinaram nesta quinta-feira (8) um acordo histórico. O objetivo é indenizar vítimas de abuso sexual cometido por membros do clero.
Félix Bolaños, ministro da Justiça, e a Conferência Episcopal Espanhola firmaram o pacto. O documento cria um sistema para reparar quem não pode mais recorrer à Justiça comum.
Muitos crimes já prescreveram. Bolaños afirmou que houve décadas de silêncio e ocultação. O acordo visa pagar uma "dívida moral" histórica com as vítimas.
A Igreja vai financiar as reparações. A instituição religiosa na Espanha resistiu por muito tempo a participar de programas desse tipo.
Luis Arguello, presidente da Conferência Episcopal, disse que o passo é importante. Ele alegou que a Igreja já possuía mecanismos internos para compensar as vítimas.
As pessoas afetadas devem procurar a ouvidoria do Estado. O órgão vai propor medidas que envolvem dinheiro e apoio psicológico.
Uma comissão mista analisará os casos se não houver acordo inicial. Esse grupo terá representantes do governo, da Igreja e das próprias vítimas.
O Vaticano ajudou a impulsionar a medida. O ministro Bolaños discutiu o tema com o Papa Francisco e com o secretário de Estado, Pietro Parolin.
Um relatório de 2023 expôs a dimensão do problema. O Provedor de Justiça espanhol apontou que mais de 200 mil menores sofreram abusos desde 1940.
O número salta para 400 mil se incluir leigos em ambientes religiosos. Os registros oficiais da Igreja, contudo, listam apenas 1.057 casos.
A Espanha demorou a reagir em comparação a outros países. Vítimas acusaram autoridades eclesiásticas de obstruir as denúncias por anos.
Com informação de ANSA
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