Professor associa a transgressão ao Estado laico à intolerância religiosa

Explosão de bomba jogada
na sede do Porta dos Fundos

por Jornal da USP

O professor Renato Janine Ribeiro comenta em sua coluna "Ética e Política", na Rádio USP, que em uma sociedade laica a religião pertence à esfera íntima das pessoas, não à pública, mas, quanto isso, o que tem ocorrido no Brasil é uma intolerância crescente.

Como exemplo de intolerância, ele cita o ataque à sede do Porta dos Fundos no Rio, em dezembro de 2019, por causa de um curta do grupo de humor retratando Jesus como gay.

Ribeiro diz que, em uma sociedade democrática, esse tipo de expressão é livre e aceitável porque a questão religiosa não é coletiva, mas de cada uma das pessoas.


Ele lembra que a sociedade laica separou a parte pública — em que convivemos com as nossas diferenças — da parte privada — em que eu creio em Deus e você não, ou eu creio em um Deus e você, em um outro.

E isso não é um problema, pois deve haver respeito mútuo nas relações, argumenta.

Mas essa reciprocidade não significa que as pessoas devam deixar de fazer algumas coisas porque incomoda alguns — a menos que efetivamente cause algum dano às outras pessoas.

“Simplesmente ser incomodado por algo não é suficiente para a gente calar a boca de quem incomoda.”

Para Renato Janine, estamos vivendo em uma sociedade onde o ódio, o conflito e a agressão se tornaram maiores.

Ele também lembra das fake news que divulgam muitas coisas falsas e absurdas via WhatsApp.

“A falta de espírito crítico por parte de quem recebe esse tipo de coisa e a falta de decência de quem expressa certas calúnias e difamações criam um verdadeiro barril de pólvora", diz.

¨Estamos em uma situação no Brasil em que a qualquer momento tudo isso pode explodir.”




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Comentários

  1. Assistente Religioso17 de fevereiro de 2020 08:29

    O público é formado por vários particulares. Para separar o público do particular, então 1 particular deve sair do público.

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