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Governo Bolsonoro usa verba publicitária para pagar ‘dízimo’ às igrejas amigas

Bolsonaro afaga com
 verba publicitária os líderes
 religiosos que lhe dão apoio

[texto opinativo] O Governo Bolsonaro pagou ‘dízimo’ a igrejas que lhe dão apoio, incluindo suas emissoras  de TV na distribuição de verba publicitária da Previdência Social.

Um ato de politicagem e de afronta ao Estado laico.

A Rede Gênesis, da Igreja Sara Nossa Terra, foi presenteada com R$ 176,3 mil.

Bolsonaro já usou cultos dessa igreja como palanque de discursos, convidado pelo ex-deputado e bispo Robson Rodovalho, bolsonarista de primeira hora.

A TV Gospel, da Renascer em Cristo, recebeu R$ 54 mil.

Impossível falar dessa igreja sem lembrar que seus fundadores, bispos Estevam Hernandes e Sônia, marido e mulher, cumpriram pena de prisão de seis meses nos Estados Unidos por entrarem naquele país com dólares não declarados, com cédulas escondidas até dentro de Bíblia. 


Introdutores no Brasil da "Marcha para Jesus", os ex-presidiários são amigos de Bolsonaro e da primeira-dama, Michelle.

A Igreja Internacional da Graça de Deus, do missionário R.R. Soares, recebeu R$ 54 mil da verba publicitária da Previdência, por intermédio da RIT TV.

R.R. Soares também se considera amigo de Bolsonaro.

O pastor é um defensor do governo, por identificação ideológica e conveniência pessoal, porque nos bastidores de Brasília atua para não pagar R$ 127 milhões que sua Igreja deve aos cofres públicos.

À TV Boas Novas, da Igreja Mãe, do grupo das Assembleias de Deus, Bolsonaro pagou o “dízimo” de R$ 69,9 mil.

Essa emissora foi fundada por Samuel Câmara, irmão de Silas, coordenador da Frente Parlamentar Evangélica.

Coube à Rede Super, da Igreja Batista de Lagoinha, do pastor Márcio Valadão, R$ 39,2 mil.

A ministra Danares Alves, dos Direitos Humanos, é uma assídua frequentadora dessa igreja.

Uma instituição católica também foi agraciada pelo dízimo de Bolsonaro.

A TV Canção Nova, da Renovação Carismática Católica, recebeu R$ 146,9 mil.

A emissora foi criada pelo monsenhor Jonas Abib, conhecido por escrever livro e fazer sermões contra as religiões de origem africana.

A Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República) tentou justificar o “dízimo” pago pelo Governo Bolsonaro com a seguinte desculpa: “Esses canais atingem públicos diferenciados, ampliando a cobertura e o alcance da mensagem de forma segmentada”.

Pelo critério de audiência, esses canais, com uma ou outra exceção, não atingem praticamente ninguém.

A rigor, essas emissoras de igrejas não merecem sequer um tostão porque a verba publicitária fere a Constituição, que estabelece uma separação nítida entre Estado e Igreja.

Em um regime de plena democracia, nem Deus (cuja existência é controversa) está ou deveria estar acima da Constituição.

Com informação da Folha de S.Paulo e de outras fontes.





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Paulo Lopes é jornalista
Trabalhou no jornal 
abolicionista Diario Popular, 
Folha de S.Paulo, revistas da
Editora Abril e em outras 
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