Acervo brasileiro ajuda na descoberta de nova espécie de peixe em rio argentino

Com até medindo 19,39 cm
 de comprimento, a espécie
 é mais adequada para
 ornamental aquários

por Marcelo Canquerino
para Jornal da USP

Uma nova espécie de Farlowella, gênero de peixe originário da América do Sul, foi descoberta na bacia do rio Bermejo, no noroeste da Argentina.

O animal foi descrito pelo biólogo da Universidade Nacional da Colômbia, Gustavo Ballen (foto abaixo), que atualmente realiza doutorado no Museu de Zoologia (MZ) da USP. 

Publicada na revista científica Neotropical Ichthyology em 2019, a descoberta do biólogo integra uma linha de pesquisa alternativa de documentação da biodiversidade que ele realiza na instituição em paralelo ao seu doutorado.

O acervo do museu teve grande importância para a descoberta por possuir a maior coleção do mundo de peixes de água doce da América do Sul. 

O espécime foi trazido para o Brasil em 2017, após colegas de Ballen, do Conselho Nacional de Pesquisa (Conicet) da Argentina, terem feito contato por conhecerem o trabalho do pesquisador com o gênero Farlowella. Espécies desse gênero, inclusive, ocorrem em toda a América do Sul.




“Eles encontraram um peixe que não conseguiam saber direito onde se encaixaria dado o conhecimento atual do gênero. Então fizemos comparações com o material que temos aqui no Brasil e concluímos que realmente era uma espécie nova que precisava ser descrita”, explica o pesquisador.

Em termos taxonômicos, ciência que lida com a descrição, identificação e classificação dos organismos, o grupo Farlowella é difícil de ser tratado, pois não há uma característica única que identifica cada espécie, mas sim uma combinação que permite a distinção entre elas. 

A nova espécie foi chamada de Farlowella azpelicuetae em homenagem à pesquisadora argentina María de las Mercedes Azpelicueta.

 Atualmente, María trabalha com ictiologia, ramo da zoologia que estuda os peixes, na Universidade Nacional de La Plata, na Argentina.

As características que distinguiram a nova espécie foram a diferença na contagem dos suportes da nadadeira, chamados de raios, o padrão de colorido da cabeça, a configuração das placas do ventre, o comprimento do focinho, relativamente curto em comparação aos padrões do gênero, e o padrão de colorido caudal.

Este foi o maior espécime encontrado, medindo 19,39 cm. Além disso, o gênero Farlowella, no geral, não tem interesse pesqueiro alimentício, sendo muito popular no mercado de aquários do mundo e, portanto, podendo ser caracterizado como ornamental. 

O peixe foi descoberto pelo
 biólogo Gustavo Ballen, da
 Universidade da Colômbia

Com informação da revista Neotropical Ichthyology e outras fontes, com fotos de divulgação.





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EDITOR DESTE SITE

Paulo Roberto Lopes é jornalista

profissional diplomado. Trabalhou

no jornal centenário abolicionista

Diario Popular, Folha de S.Paulo,

revistas da Editora Abril e

em outras publicações.

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