Documento do Vaticano estimula o fanatismo, afirmam LGBT católicos

Documento da Igreja
 critica duramente a
ideologia de gênero


por Jesús Bastante
para Religión Digital

O documento “Homem e mulher os criou”, publicado na segunda-feira, 10 de junho de 2019, pela Congregação para a Educação Católica, no qual se critica com dureza a ideologia de gênero, suscitou uma onda de críticas vindas do mundo LGBTI.


Também, na órbita católica, que mesmo reconhecendo que há o esforço de se abrir a um “diálogo” sobre gênero e a defesa da não discriminação, lamentam que será utilizado pelos tradicionalistas para negar a realidade LGBT na sociedade, e na Igreja.

O jesuíta James Martin, sj, um dos maiores especialistas no diálogo entre fé e diversidade sexual, lamenta que o documento supõe uma “ruptura” com os canais de diálogo abertos por esse Pontificado.

“O documento aponta a ideologia de gênero, e ainda que peça diálogo e escuta, não considera a vida real das pessoas LGBTs”.

Documento não dialoga com as pessoas LGBT

"Infelizmente", diz Martin, "será usado como um aríete contra pessoas transgênero e uma desculpa para argumentar que eles nem deveriam existir".


Em suas redes sociais, o jesuíta tenta explicar — como Versaldi fez ontem — que o documento "é um diálogo com filósofos e teólogos, e com outros documentos eclesiásticos, mas não com cientistas ou biólogos, não com psicólogos, e certamente não com as pessoas LGTBI, cujas experiências não têm qualquer peso no texto".

O texto coincide com a celebração, nas próximas semanas, do Mês do Orgulho, e tem sido denunciado pelos coletivos gays católicos como "uma contribuição ao fanatismo e à violência" contra os setores gays e transgêneros.

Assim, o grupo em defesa dos católicos LGBT, 'New Ways Ministry', criticou o documento, ao considerar que poderia confundir ainda mais as pessoas que questionam sua identidade de gênero.

“As pessoas não escolhem seu gênero, como afirma o Vaticano”

Francis DeBernardo, líder do New Ways Ministry, lamentou que Roma tem os conceitos “desatualizados” e que o Vaticano ignora a ciência contemporânea sobre o gênero.

“O gênero também está determinado biologicamente pela genética, os hormônios e a química cerebral, coisas que não são visíveis ao nascer”, apontou DeBernardo, em um comunicado.

“As pessoas não escolhem seu gênero, como afirma o Vaticano, o descobrem a partir das suas experiências vividas”.

Com informação do documento Homem e Mulher, da Igreja Católica, e tradução de  Wagner Fernandes de Azevedo para IHU Online.





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EDITOR DESTE SITE

Paulo Lopes é jornalista profissional diplomado. Trabalhou no jornal centenário abolicionista Diário Popular, Folha de S.Paulo, revistas da Editora Abril e em outras publicações. WhatsApp de contato.