Biólogo explica a importância de Luzia para a antropologia da América

por Deutsche Welle

Entre os mais de 20 milhões de peças e documentos do Museu Nacional consumidos pelo incêndio em 3 de agosto de 2018 estava o crânio da mulher mais antiga da América de que se tem conhecimento: o fóssil de mais de 11 mil anos conhecido como Luzia.

O crânio foi encontrado na década de 1970 em Pedro Leopoldo [mapa], em Minas Gerais, por uma missão francesa liderada pela arqueóloga Annette Laming-Emperaire.

Luzia proporcionou uma revolução nos estudos sobre o povoamento do continente americano.

"O crânio de Luzia mostrou que a morfologia craniana desses antigos habitantes da América, chamados paleoamericanos, é diferente da morfologia craniana dos indígenas atuais", diz o biólogo da USP Pedro da Glória.

Fóssil é da época
 anterior à ocupação
indígena no Brasil

O fóssil da mulher de olhos grandes serviu de base para o bioantropólogo Walter Neves, da USP, propor, no final da década de 1980, que os primeiros habitantes do continente tinham a morfologia craniana diferente dos habitantes atuais da América. Foi ele que apelidou o crânio da mulher mais antiga do Brasil de Luzia.

"Neves identificou que o povo de Luzia, na região mineira da Lagoa Santa, tinha morfologia craniana similar aos africanos e aos povos da Oceania, enquanto que os habitantes atuais são mais próximos biologicamente dos habitantes da Ásia", diz Glória.

O biólogo afirma que os crânios de Lagoa Santa viraram referência internacional para os modelos de ocupação do continente americano e Luzia se tornou um símbolo da ocupação antiga do território brasileiro.

Outra preciosidade do acervo do Museu Nacional estava na coleção de ossos humanos de Lagoa Santa de cerca de 166 indivíduos de mais de 7.000 anos.

"Esses ossos são cruciais para entendermos os rituais mortuários, o estilo de vida e a origem biológica dos primeiros brasileiros e dos primeiros americanos. É um patrimônio único e de valor internacional", diz Glória.

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