Aos 112 anos, laicidade da França resiste ao islamismo


Lei é de 1905

da RFI

A França celebra neste sábado (9 de dezembro de 2017) os 112 anos da lei que separou a Igreja Católica do Estado — a Lei da Laicidade de 1905.

No momento em que crescem as tensões entre católicos, muçulmanos e judeus nascidos e criados sob os mesmos valores do Estado laico francês, a revista semanal L'Obs questiona o que deve ser feito para que escolas, hospitais públicos e o ambiente de trabalho na França continuem a ser espaços impermeáveis à prática religiosa.

Em seu editorial, Jean Danielm o fundador da revista, lembra que a Constituição francesa de 1958 declara em seu artigo primeiro que a França é um país indivisível, laico, democrático e social. E assim deve continuar, uma pátria para os franceses de todas as religiões, regida pelo princípio da laicidade. 



"O problema atualmente é o islamismo radical, que propaga uma energia mortífera, e não deve de maneira alguma comprometer o ensino laico na escola pública, que deve permanecer livre, aberta, republicana e obrigatória", afirma Jean Daniel.

A L'Obs constata que certas tradições muçulmanas se transformaram em reivindicações religiosas. Por uma questão de higiene e de segurança dos pacientes contra infecções, os hospitais foram obrigados a "legislar". 

Enfermeiras de centro cirúrgico muçulmanas queriam usar o véu islâmico embaixo da touca esterilizada, o que foi proibido. Os homens barbudos tiveram de se contentar com barbas de 4 cm de comprimento no máximo.

Na rede de ensino público tem sido mais complicado pela imaturidade natural dos adolescentes. Segundo o governo francês, 150 mil professores, dos 800 mil em atividade, foram treinados para discutir a questão da laicidade com os alunos. 



Em uma atitude muitas vezes conciliadora, os professores e diretores de estabelecimentos tentam mostrar aos estudantes muçulmanos que o objetivo de proibir o uso de um véu pelas meninas ou de um tapete de orações por um menino não é entrar em conflito com a identidade deles, apenas focar o interesse comum, que é a neutralidade religiosa.

No caso do setor privado, as empresas podem decidir se toleram ou não símbolos e práticas religiosas. 

Uma pesquisa do Instituto Randstadt revelou que os conflitos provocados por solicitações religiosas atingem apenas 7,5% dos empregados. 

A grande maioria dos entrevistados (72%) estima que as empresas não devem se adaptar à religião.





Católicos franceses estavam rezando para o deus errado