sábado, 16 de julho de 2016

Diretor do Arquivo Nacional usa auditório para celebrar culto

Evangélicos se apossaram de
 importante patrimônio histórico

por Cecília Ritto
para Veja.com

O imponente prédio do Arquivo Nacional, no Centro do Rio de Janeiro, guarda há 175 anos um dos mais valiosos conjuntos de textos e imagens relativos à história do país. Agora tem nova função: é local de culto evangélico.

Na quinta-feira, o diretor-geral da instituição, José Ricardo Marques, que pertence à igreja evangélica, pegou ele próprio o microfone durante uma pregação no auditório principal da casa, ao meio-dia. “Tenham fé. Eu e minha esposa oramos, cremos e dedicamos a nossa vida ao Senhor”, declarou. Em seguida, pediu que a plateia se levantasse e cada um desse um abraço no “irmão ao lado”.

Marques foi nomeado diretor-geral do arquivo em janeiro deste ano, indicado pelo deputado Ronaldo Fonseca, do Pros. Substituiu Jaime Antunes, arquivologista respeitado que passou 23 anos no cargo e acabou afastado quando a instituição entrou na cota dos postos públicos cedidos pelo governo federal para a acomodação de aliados políticos. 

Marques assumiu, saiu e voltou há uma semana  o que disse no culto acreditar fazer parte “dos planos do Senhor”. Garantiu ter orado pelo arquivo no tempo em que esteve fora e passou a palavra à mulher, Simone. “Se podemos estar aqui, se podemos glorificar em nome do Senhor é porque um dia ele se dispôs a morrer por nós, abriu mão de si mesmo para hoje termos acesso ao Pai”, pregou ela.

A plateia era formada por um grupo de funcionários evangélicos que há anos se congregava num canto do estacionamento e pleiteava espaço para a pregação dentro de um dos prédios do arquivo, composto de três grandes edifícios e dois pátios. 

Com a chegada de Marques, o pedido foi atendido e as reuniões, transferidas para o auditório onde o arquivo promove seminários acadêmicos. A maior parte do pessoal, que não frequenta o culto, critica o uso de uma instituição pública para a prática religiosa.

Estado laico no Brasil só existe no papel, afirma professora






Postar um comentário
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...