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sábado, 12 de março de 2016

Notas de um cético: eu precisava de sangue, não de oração

No domingo passado, no elevador de um hospital público onde me encontrava para visitar um tio, escutei conversa entre duas obreiras da Igreja Universal. Uma delas disse que aquele hospital era o segundo no qual tinha ido naquele dia para orar por doentes. Acrescentou que um deles estava melhorando graças as suas orações.

Para crente, quem
 cura é a oração a Deus,
não a medicina
Ao chegar ao quarto do meu tio, me deparei com um casal de evangélicos que estava orando pela recuperação da saúde dele.

Obviamente não acredito no poder da oração. Se invocações a Deus curassem doenças, não haveria necessidade de médicos e hospitais.

Mesmo assim acho que é um ato de bondade sair de casa em um domingo depois do almoço, deixando de ver o Faustão na TV, para orar por um desconhecido em um leito de hospital, onde a decadência física de pessoas se encontra em exposição — algo sempre desagradável de se ver.

Mas é preciso que o paciente esteja de acordo com a oração, mas nem sempre um internado está em condições de expressar sua vontade. Nesse caso, a oração é um abuso, uma imposição, uma falta de respeito.

O meu tio (na verdade, tio de minha mulher) está semiconsciente. Talvez ele gostasse de não ser incomodado por oração de evangélicos, mesmo que bem intencionados. Ele é católico.

Em 2013, após dois ou três dias de eu ter sido submetido a uma cirurgia de ponte de safena no Hospital São Paulo, umas senhoras católicas entraram no quarto rezando um pai-nosso pela minha saúde.

Como sou ateu, aquilo não fez para mim o menor sentido. Mas ainda assim agradeci a atenção das senhoras; procuro ser educado. Mas acho que elas ao menos deveriam bater na porta.

Antes de ser operado, já internado, houve dois ou três dias de tensão, porque o hospital não tinha sangue, para o caso de haver a necessidade de eu receber uma transfusão.

Minha mulher usou a rede social para pedir sangue. E houve quem dissesse que ia... rezar, mas sangue mesmo, que é bom, não deu.

Felizmente, houve pessoas — algumas eu nem conhecia — que foram ao hospital para dar sangue, do qual acabei não precisando.

Disse acima que quem visita um desconhecido em um hospital para orar faz um ato de bondade, mas estou quase mudando de opinião, porque me lembrei de Nietzsche.

O filósofo alemão escreveu que a bondade cristã é falsa, porque quem a faz tem o interesse de ser recompensado com a ida ao céu e aqui quer mostrar que é melhor e mais humano que outros. Não é bondade, é hipocrisia.

Bicho no céu é mentira de papa marqueteiro

Notas de um cético







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