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Religião, ateísmo, teoria da evolução e astronomia

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Deputada propõe ensino do criacionismo nas escolas do RS

Liziane disse que gaúcho
tem direito de decidir se
 descende ou não do macaco 
A deputada estadual Liziane Bayer (PSD), na foto, do Rio Grande do Sul, protocolou projeto de lei que introduz nas escolas públicas e privadas o ensino de que Deus criou todas as coisas — o criacionismo.

Em seu primeiro mandato, Liziane é pastora da Igreja Internacional da Graça de Deus. Também é apresentadora na TV Pampa do programa “Mulheres que Vencem”.

Liziane argumentou que as escolas não podem ensinar apenas a teoria evolucionista. Falta, segundo ela, coerência.

“A família gaúcha tem o direito de escolher se descende de um macaco ou de outro bicho, ou se foi criada por Deus”, disse.

Provavelmente sem saber, a evangélica repetiu a acusação da qual o naturalista Charles Darwin (1809-1882) foi alvo quando publicou a teoria da seleção natural das espécies.

A verdade é que a teoria do naturalista não diz que o homem descende do macaco, mas que os primatas têm um ancestral em comum, o que é diferente. Mas, ainda assim, se o homem descendesse diretamente do “macaco”, como diz Liziane, não haveria nenhum demérito nisso, exceto para os religiosos mais devotos.

A deputada disse que elaborou o projeto de lei 124/2015 com base em um questionário cuja maioria (96%) dos participantes se manifestou favoravelmente ao ensino do criacionismo. Não há informação sobre o rigor científico desse formulário, se foi respondido ou não só por integrantes da igreja da pastora, por exemplo.

Uma pesquisa feita pelo biólogo Nelio Bizzo, professor da USP, com 2,3 mil estudantes do ensino médio de escolas públicas e privadas de todas as regiões do Brasil concluiu que esses jovens, em torno de 15 anos, acreditam mais na teoria da evolução do que na concepção bíblia do homem.

A pastora afirmou que o ensino do criacionismo “não é uma questão religiosa, mas de fé”. Mas ela é contraditória, porque, em defesa de sua proposta, disse que o artigo 5º da Constituição Federal estabelece que “é inviolável a liberdade de consciência e de crença”.

O que a Constituição determina é que o indivíduo tem liberdade de consciência e de crença e que o Estado brasileiro é laico, não podendo, portanto, se envolver com qualquer atividade de teor religioso.

Liziane fez uma comparação inválida entre a teoria da evolução e a do criacionismo, porque aquela é comprovável cientificamente e esta não passa de uma mitologia cristã.

A deputada também quer incluir a “Marcha para Jesus” no calendário oficial de eventos do Rio Grande do Sul.

Com informação da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e  de outras fontes, com foto do Google Plus da deputada Liziane Bayer.






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