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Religião, ateísmo, ciência, etc.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Bióloga evolutiva põe poema religioso em dissertação

Thaiany disse que não
se sente constrangida
Thaiany Quevedo Melo, 22, pesquisadora do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do IB (Instituto de Biociências), da USP, em sua dissertação de mestrado, agradeceu Deus, o qual Charles Darwin (1809-1882), autor da teoria evolucionista, acabou renegando.

A jovem transcreveu no trabalho acadêmico um poema religioso de sua autoria: “Sua força me fez forte / Sem tempo me fez preparada / Quando eu sabia o nada / O Senhor foi tudo, / Suas lições me fizeram saber / Que o Senhor me guiaria / Só posso sentir a gratidão.”.

Para Melo, que é católica, o poema não desmerece sua dissertação porque, disse, a página de agradecimento é livre. “Se a pessoa quiser fazer uma citação para o seu cachorro, ela tem o direito."

Ela tampouco se sente constrangida em se dedicar às pesquisas de células-tronco, às quais a Igreja Católica impõe restrições. "Não vejo dilemas morais entre as pesquisas que faço e a minha religião”, disse. "Porque todo projeto nesta área tem de passar por um comitê de ética."

Melo não é exceção no Instituto de Biociências, porque 8% das 4,8 mil dissertações de pós-graduação ali apresentadas entre 1943 a 2009 continham referências religiosas nos agradecimentos, dedicatórias ou epigrafes.

De acordo com pesquisa do biólogo Antonio Carlos Marques, que foi coordenador entre 2007 e 2010 da pós-graduação em zoologia do IB, alguns dos exemplos dessas referências são “agradeço a Deus”, “agradeço ao meu anjo da guarda” e “dedico a Jesus”. Há também citações bíblicas, inclusive de Gênesis, segundo reportagem de Herton Escobar, do Estadão.

Marques disse que as referências religiosas na proporção de 8% dos trabalhos acadêmicos estão abaixo da taxa de religiosidade da população brasileira, mas ainda assim, acrescentou, causam estranhamento porque, afinal, trata-se de um curso cuja base é a ciência evolutiva.

É uma inadequação, afirmou. “Questões físicas não devem ser misturadas com questões espirituais. Assim como não espero que um padre pregue ciência, não espero que um cientista ensine religião.”

Em relação à FMVZ (Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia), as citações de cunho religioso aparecem em 38% das dissertações. O índice é elevado, mas ao menos há nesse caso a  “atenuante”, por assim dizer, de que o curso não depende da teoria evolucionista.

O que talvez esteja ocorrendo no Brasil é que o sincronismo religioso é tão forte, que ele se compatibiliza até com a teoria evolucionista, sem que, com isso, as pessoas tenham crise existencial, como mostra a pesquisadora Melo.

Isso é o que sugere uma recente pesquisa do biólogo Nelio Bizzo, professor da Faculdade de Educação da USP. Ele apurou que a maioria dos estudantes do ensino médio de escolas de todo o país concilia evolução biológica das espécies com a religião, o que, aliás, alguns líderes religiosos também o fazem.





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