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Religião, ateísmo, teoria da evolução e astronomia

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sábado, 25 de fevereiro de 2012

Arcebispo admite em debate a validade da teoria da evolução

Dawkins e Williams
 se confrontam 

O cientista ateu Richard Dawkins (na foto à esquerda) tratou na quinta-feira (23) de desmontar a crença em Deus do arcebispo da Cantuária (Grã-Bretanha), Rowan Williams (foto), partindo dos argumentos do naturalista Charles Darwin, num debate público na Universidade de Oxford.

Dawkins, autor de livros de divulgação científica como "Deus, um delírio" e "A magia da Realidade", realizou uma viva defesa do darwinismo para apoiar sua tese de que o ser humano é um produto exclusivo da evolução biológica, sem a intervenção divina.

“É maravilhoso saber que as leis da física, por meio da seleção natural, produziram estas enormes coleções de átomos que são os seres vivos, tão complexas que facilmente se produz a ilusão de que existe algum desenho atrás delas”, sustentou.

A publicação, em 1859, da teoria de Darwin sobre a origem das espécies desatou na sociedade vitoriana, da época, um escândalo cujos ecos chegam até os dias de hoje.

Então, a Igreja Anglicana revoltou-se irritada contra a “perigosa ideia” de que o homem descende de uma “forma inferior”, e o desagrado oficial durou até 2008, quando as autoridades eclesiásticas expressaram seu arrependimento por uma reação “excessivamente emocional” frente ao darwinismo.

No debate, Williams, que o líder espiritual da Igreja da Inglaterra, disse que a seleção natural pode se tornar útil para explicar certos aspectos da vida animal, porém sublinhou que falha ao tentar dar conta daquilo que define o ser humano.

“Darwin não tem muito o que dizer para solucionar o problema da consciência e não vejo grande avanço nas explicações científicas sobre esse tema. Talvez é algo que não dependa somente das leis da física”, afirmou.

“Se não podemos entendê-lo, será que tem a ver com Deus”, ironizou Dawkins, que sublinhou que um computador devidamente programado poderia atuar da mesma forma que um homem consciente, sem necessidade de que um ser superior intervenha no desenho do software.

O clérigo replicou que uma máquina não é mais que uma “ferramenta”, que nunca poderá “fazer-se perguntas sobre si mesma, explicar piadas, fantasiar”, nem, supostamente, “conectar-se com essa energia criativa que chamamos Deus”.

Como foi criado o universo?

Dawkins: Como podemos falar da evolução e os milhões de anos de desenvolvimento e desenho e depois dizer: sim, existe Deus? Por que não reconhecer que existem elegância e beleza na ideia de que a vida apareceu do nada, movida pelas leis da física?

Williams: O arcebispo admitiu que fica admirado dessa beleza, mas assegura que ele não poderia explicá-la somente pelas leis da física. “Uma mescla de amor e matemática”, disse o religioso. Assim se explica a beleza da criação.

Como se originou a vida no universo?

Dawkins: A seleção natural explica muito desse processo. Trata-se de imaginar como, num primeiro momento, as moléculas estavam no espaço. Porém, ninguém sabe realmente como se originou a primeira molécula que deu origem à vida. Penso que talvez a primeira formação fosse parecida com o ARN (ácido ribonucléico).

Estamos sós no universo?

Dawkins: Como pode ser que por causalidade a vida só tenha conseguido formar-se nas moléculas da terra? O universo deve estar cheio de vida.

A Bíblia e o universo.

Williams: Os autores não se referiam à criação da vida, mas ao que Deus queria estabelecer. Na realidade, com a Bíblia buscou-se explicar o conceito de pecado.

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abril de 2011

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