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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Silas Malafaia é exemplo de que perseguir gays dá Ibope

do leitor Luan Cunha (foto) a propósito de
Malafaia é intolerante, mas não prega ódio contra gays

Luan Cunha
No meu primeiro texto, criei uma polêmica ao dizer que o pastor Silas Malafaia, apesar de ser intolerante, não é homofóbico. Mas, depois deste festival de escatologia protagonizado por ele, eu queria começar este texto retirando cada palavra referente a isso. Me dei conta do tamanho do meu equívoco. Pois uma coisa é você não concordar com a orientação sexual alheia e outra é perseguir um grupo relativamente pequeno de pessoas e amolar a faca de quem deseja eliminá-los com discursos recheados de ignorância. Mas o mais abominável é se aproveitar disso para fazer propaganda de si mesmo.

Sim, caros amigos. Hoje em dia, perseguir gays dá Ibope. Malafaia, na época em que ainda tinha bigode, era só mais um pastor berreiro na televisão, não muito diferente de Macedo e companhia ilimitada. Mas agora, se intitulando o inimigo nº. 1 dos gays, de repente se torna um dos pastores mais influentes e importantes do Brasil. Coincidência?

Agora vamos para o campo da política. O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) era apenas mais um na multidão. Depois, é só ele se posicionar de forma agressiva contra o kit anti-homofobia, que ele de repente ganha destaque na mídia. Já chegou ao cúmulo de propor que hospitais identifiquem "sangue gay" para transplantes. Pra piorar, ele faz comentários racistas e tem tara pela ditadura militar, além de achar Hitler um "grande estrategista". E parece que o filhote dele está aproveitando a popularidade do papai e trilhando o mesmo caminho. Tal pai, tal filho. Há quem diga que mal-caratismo é hereditário.

O deputado João Campos (PSDB-GO) procura interferir em qualquer projeto de lei que favoreça LGBTs. Engraçado que anos atrás ele não fazia discursos contra a causa, mas parece que andou embarcando na mesma onda do Bolsonaro.

Temos o deputado e pastor Marco Feliciano (PSC-SP), que adora comparar gays com "nazistas russos" e "fascistas alemãs" (nas palavras dele). Parece que ele deseja ofuscar o Malafaia e ser a principal voz anti-gay do Brasil.

E ainda temos o "caríssimo" senador Magno Malta (PR-ES), que mais parece um gravador ambulante, repetindo as mesmas frases de impacto, e acusando a homossexualidade de estimular a pedofilia, apesar do relatório da sua CPI da pedofilia dizer exatamente o contrário.

E o que falar então do vereador Carlos Apolinário (DEM), de São Paulo?! Mesmo com seus inúmeros esforços para proibir a Parada Gay, ele não era levado muito a sério. Até ele virar destaque e piada internacional graças ao Dia do Orgulho Hétero, proposto por ele. Claro que isso só serviu para fazer demagogia barata.

Agora pergunto, o que todos esses caras têm em comum? Fazem parte da famigerada bancada evangélica no Congresso. Ainda tem duvidas sobre as reais intenções desses demagogos?

Saindo da política e voltando pra religião. A "psicóloga cristã" Marisa Lobo ficou mais conhecida ao propor uma "cura" que não existe para algo que não é uma doença. Reclama que está sendo perseguida, mesmo agindo contra a ética da profissão dela.

Malafaia, Bolsonaro, Malta
Malafaia, Bolsonaro,
Campos e Malta
Sem mencionar ainda Julio Severo. O caso dele é mais patológico, mas é igualmente perigoso. O fato é que ele ficou mais conhecido, assim como os outros, escrevendo livros e fazendo um blog mediocre contra os homossexuais. Depois fugiu do país alegando perseguição, quando na verdade fugiu porque se recusava a colocar os próprios filhos na escola, o que é proibido no Brasil.

Mas por que estou mencionando todas essas pessoas, e o que elas têm a ver com o Malafaia? Ora, tudo. Além de compartilharem as mesmas crenças, eles querem popularidade perseguindo um grupo que eles julgam "inferiores". Isso é tão abominável que não dá mais para não considerar o Malafaia como um homofóbico.

Não basta pro Malafaia ser contra a homossexualidade. A prova disso é ele distribuindo livros de cunho homofóbicos para os deputados no Congresso. Ele quer plateia, quer os holofotes focados nele. Tudo não passa de um grande teatro para ganhar prestígio de suas "ovelhas".

Este é o jeito evangélico e "amoroso" de fazer as coisas.

'Perseguição homofóbica dos evangélicos é insana. Tenho medo'
por Luan Cunha em maio de 2012

Silas Malafaia.

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