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Religião, ateísmo, teoria da evolução e astronomia

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Politização da religião beneficia a democracia, afirma estudioso

A politização da religião no Brasil, com a participação nas eleições cada vez mais de pessoas com “sentimento de serem evangélicas”, desprivatiza as igrejas, havendo, em consequência, uma redução por parte delas da busca pela transcendência, fincando-se mais neste mundo real.

Essa análise é do professor evangélico Oneide Bobsin, doutor em sociologia da religião pela PUC-SP e graduado em teologia. Para ele, a politização dos evangélicos é boa porque “faz a democracia brasileira avançar nos marcos de uma república”.

Bobins não acredita que isso possa comprometer a laicidade do Estado. Disse que a democracia brasileira é moderna, o que garante aos crentes e à suas lideranças o direito de manifestação, mas impede que possa haver um governo em nome de um credo.

Ele relativizou o poder dos pastores sobre os devotos porque, disse, o processo de politização tornará “os fiéis mais cidadãos do que ovelhas”.

“Como pesquisador e observador das igrejas e religiões, tenho percebido uma crescente autonomia dos fiéis em relação às suas liderança religiosas e pastorais”, disse. “Cada vez mais as ovelhas não escutam a voz dos seus pastores quando se trata das questões públicas.”

Ele citou o líder comunista italiano Antonio Gramsci (1891-1937) para afirmar que, no âmbito da religião e política, “as camadas empobrecidas são mais pragmáticas” quando está em jogo a sua sobrevivência.

"Haverá mais cidadãos
e menos ovelhas"
“Suspeito que, entre as camadas pobres, os programas sociais do governo federal têm um peso muito maior do que esses temas [da religião] ou outros ligados à corrupção”, disse em entrevista ao site do Instituto Humanitas Unisino, que é uma entidade católica.

A análise de Bobsin (foto) está na contramão do temor de setores da sociedade preocupados com o suposto crescente poder político dos líderes evangélicos, que chegam a impor a sua pauta a candidatos, como ocorreu com Dilma Rousseff quando prometeu que o seu governo não tocaria na questão da legalização do aborto.

Íntegra da entrevista de Oneide Bobsin.

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