Ligar fé à saúde é afronta à ética da medicina, diz pesquisador



Um estudo norueguês concluiu que as pessoas religiosas sofrem menos de hipertensão.

Outros têm sido publicados em revistas científicas apontando que a fé melhora a recuperação de pacientes que recebem transplantes de órgãos, combatem a depressão, etc.


Para Richard Sloan (foto), pesquisador de medicina comportamental na Universidade de Columbia (EUA), as revistas científicas deveriam recusar esses estudos porque eles são uma afronta à ética da ciência médica.

Richard Sloan
Sloan disse que revistas
científicas deveriam recusar
 enaltecimento à religião

"Não há nenhuma evidência de que a fé faz bem à saúde", afirmou ele em entrevista ao site da Veja. "A maioria desses pesquisadores está interessada em promover alguma religião."

Sloan, que é autor do livro Blind Faith: The Unholy Alliance of Religion and Medicine (“Fé Cega: a aliança profana entre religião e medicina”), disse que existem pesquisas sérias que confirmam que pessoas otimistas enfrentam melhor a adversidade de uma doença, mas isso, explicou, não tem a ver com a fé em Deus. Um otimista pode ser religioso ou não.

Sloan afirmou que os estudos que ligam crença e saúde podem apresentar um efeito perverso porque a pessoa poderá se sentir culpada por achar que não teve fé suficiente para evitar uma doença.

"Ficar doente já é ruim”, disse. "E fica pior se a doença vem acompanhada pelo peso na consciência por não ter sido crente o suficiente."

Falou que muitos desses estudos são feitos de modo a dar credibilidade a algumas crenças. Amostras de pesquisa são pequenas e dados importantes são ignorados ou deturpados.

“Pessoas religiosas podem fumar menos, beber moderadamente, se exercitar mais”, afirmou. “Mas como afirmar com certeza que a religião é a responsável por isso? Não é assim que se faz ciência.”



Com informação do site da Veja.

Conhecimento científico é incompatível com fé e religião