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Igreja Universal pede isenção de imposto para helicóptero de 35 milhões

Igrejas tentam isenção para Jaguar, BMW, Porsche e lotes em resorts de luxo


A Igreja Universal do Reino de Deus move processo na Justiça para não pagar impostos sobre um helicóptero Bell 429 WLG. O veículo custa R$ 35 milhões.

A informação é do jornalista Rogério Gentile, em texto para a revista Piauí. A entidade alega que a aeronave serve para transportar pastores e pregar o evangelho.


Para a Igreja,
a aeronave
é um
instrumento
de trabalho

O caso mostra como instituições religiosas usam a imunidade tributária. O benefício serve para proteger a liberdade de crença, mas gera polêmicas sobre o que é essencial. Gentile explica que a aeronave tem capacidade para sete pessoas.

O processo corre em sigilo no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3). Em 2023, o Congresso Nacional alterou a Constituição por pressão da bancada evangélica.

A mudança facilitou a isenção para organizações religiosas inteiras. Onde a lei citava apenas templos, agora inclui toda a estrutura assistencial. Isso ajuda a tese de que helicópteros e carros de luxo não devem pagar tributos.

Existem outros exemplos de pedidos semelhantes. A Igreja Evangélica Comunidade Cristã tentou não pagar IPVA de um Jaguar XF V6 e de uma BMW X6 no Rio de Janeiro (RJ).

A Justiça fluminense negou o pedido. O procurador Gustavo do Amaral Martins afirmou que a demanda servia mais ao desejo da carne do que ao evangelho. A igreja também tinha um Porsche Cayenne Turbo e uma BMW 550i.

O juiz Claudio Ferreira viu desvio de finalidade para atender anseios individuais dos usuários.

Em Sorocaba (SP), a Assembleia de Deus tentou isenção de IPTU em um condomínio de luxo. O local possui spa, lagos e campo de minigolfe para descanso de pastores.

O Tribunal de Justiça de São Paulo (SP) rejeitou o pedido em 2025. Os magistrados entenderam que o terreno não atendia às finalidades da igreja.

A Universal conseguiu decisão diferente para um lote no mesmo condomínio. O tribunal decidiu que a prefeitura não provou o desvio da finalidade religiosa.

O deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ) defende a expansão dessas isenções. Ele é sobrinho de Edir Macedo, fundador da Igreja Universal.

Crivella apresentou proposta para isentar qualquer bem que gere renda para as igrejas. Ele afirmou no plenário que o país precisa de fé.

Estudo da USP indica que o Estado deixou de arrecadar R$ 2,6 bilhões em apenas um ano. O valor refere-se à renúncia fiscal para entidades religiosas.

O professor Raphael Corbi, da USP, diz que a imunidade ajuda a abrir novos templos. O modelo de expansão evangélica é rápido e de baixo custo.

Existem casos de fraude, como clínicas que se fingem de igrejas. Em Nova Friburgo (RJ), o Ministério Público descobriu um consultório dentário agindo assim.

O procurador Thiago Batista Costa defende que as igrejas tenham fiscalização rígida. Sem controle, o benefício causa distorções e prejuízo aos cofres públicos. A imunidade é um direito constitucional desde 1946.

O estiramento da lei para bens de luxo divide opiniões entre juristas e autoridades fiscais.

As igrejas citadas pela revista Piauí não responderam aos questionamentos sobre os processos. 

Com informação de Piauí.

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