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Suposta existência de um deus não resiste à lógica

O deus amoroso dos cristãos (assim como todos) é, na verdade, perverso porque permite a sujeição de pessoas inocentes às maldades mais severas 


James A. Haugh
escritor  




A razão — o pensamento lógico de mentes inteligentes — prova claramente que o deus compassivo e todo-poderoso da religião não pode existir. A lógica comprova isso, como segue:

Quando uma mulher está morrendo de câncer de mama, ou uma criança está morrendo de leucemia — e os familiares rezam desesperadamente — por que o suposto deus deixa a maioria das vítimas morrer? Se o deus não pode salvá-las, ele não é onipotente. Se ele pudesse, mas não quisesse salvá-las, ele seria cruel, não benevolente. Ele seria um monstro.

A mesma conclusão lógica se aplica a tsunamis, furacões, tornados, terremotos, pestes, epidemias, fomes, inundações e outros horrores que matam multidões. Se um deus pudesse impedir essas tragédias, mas não o fizesse, ele seria mau.

E essa lógica se aplica às crueldades da natureza. Por que um deus amoroso criaria gaviões para despedaçar coelhos, jiboias para esmagar porcos, cobras para matar crianças, etc.? Só um demônio conceberia um sistema de predadores impiedosos.

A razão não pode refutar a existência de um deus maligno, mas elimina a figura do pai-criador benevolente defendida pela maioria das igrejas. A única conclusão inteligente é que um deus tão amoroso não pode existir.

O primeiro pensador conhecido a perceber essa verdade óbvia foi Epicuro (341–270 a.C.). Filósofos posteriores a chamaram de “o problema do mal”. 

Por 2.500 anos, sacerdotes e teólogos se debateram e tentaram oferecer explicações. Por exemplo, alguns disseram “não podemos conhecer a mente de Deus” — mas afirmavam conhecer a mente de Deus em todos os outros assuntos.

Alguns teólogos argumentam que o sofrimento horrível serve a um propósito maior, conduzindo a um “bem maior” — mas essa tentativa de explicação é absurda por si só.

Alguns teólogos argumentam que os horrores de hoje ocorrem porque Adão e Eva cometeram o Pecado Original ao comerem o fruto no Jardim do Éden. Isso é infantil. Alguém realmente acredita que um casal da antiguidade mordendo uma maçã seja a causa dos cânceres, tufões e picadas de cobra de hoje?

Tantas explicações falhas foram inventadas que esse campo de criação de desculpas foi denominado “teodiceia”. (Acho que deveria se chamar “a-idiotice”.)

Quando ficou óbvio que seu Javé nada fez para salvar seu “povo escolhido” do Holocausto nazista, muitos judeus perceberam claramente que Javé é uma invenção da imaginação.

Após a morte de seu filho pequeno, vítima de uma terrível doença debilitante, apesar de orações emocionadas, o rabino conservador Harold Kushner escreveu “Quando coisas ruins acontecem a pessoas boas”, questionando por que um deus todo-amoroso permitiu que isso acontecesse. Mas ele não teve coragem de expressar a verdade: que não havia deus para salvar seu filho.

Eis uma nota de rodapé: Charles Templeton foi um dinâmico evangelista canadense que se uniu a Billy Graham em cruzadas. Mas Templeton era muito inteligente e começou a duvidar dos dogmas sobrenaturais. Ele finalmente renunciou à religião e escreveu um livro intitulado Adeus a Deus: Minhas Razões para Rejeitar a Fé Cristã. Sobre o problema do mal, ele escreveu:

“Toda a vida se baseia na morte. Toda criatura carnívora precisa matar e devorar outra criatura. Não lhe resta outra opção. Por que o grandioso projeto de Deus exige criaturas com dentes projetados para esmagar espinhas ou dilacerar carne, garras feitas para agarrar e rasgar, veneno para paralisar, bocas para sugar sangue, espirais para constringir e sufocar — até mesmo mandíbulas expansíveis para que a presa possa ser engolida inteira e viva? A natureza é, na vívida expressão de Tennyson, 'vermelha de dentes e garras', e a vida é um carnaval de sangue. Como um Deus amoroso e onipotente poderia criar tais horrores?”

Em Cartas da Terra, Mark Twain disse o seguinte:

“A aranha mata a mosca e a come; o pássaro mata a aranha e a come; o gato-do-mato mata o ganso; o... bem, todos se matam uns aos outros. É assassinato em todos os sentidos. Há uma infinidade de criaturas, e todas elas matam, matam, matam, são todas assassinas.”

Quem poderia adorar um deus que concebeu tamanha crueldade? Um criador desse tipo seria repulsivo, nojento, desprezível. Em vez de rezar para um monstro assim, as pessoas racionais concluem que a natureza e a evolução — a sobrevivência do mais apto — produziram carnívoros mortais, e que não houve nenhum criador mágico para isso.

Da mesma forma, não existe um protetor celestial para salvar mulheres com câncer de mama ou crianças com leucemia. Confiar na ciência médica é a única esperança. E é inútil orar por alívio em furacões, tsunamis, tornados, pestes, etc. Tais orações são como telefonemas que não chegam a ninguém — a linha está vazia.

O ateísmo está enraizado na lógica científica. E a lógica prova, sem sombra de dúvida, que um pai-criador sobrenatural, todo-misericordioso e todo-poderoso não pode existir.

James A. Haught (1932–2023) foi colaborador da organização Freedom From Religion Foundation, organização sem fins lucrativos dos Estados Unidos que se dedica à defesa da separação entre o Estado e a Igreja.

Comentários

Lógica emburrece. Dizia o Mestre maligno de todos nós (Olavo de Carvalho) é melhor uma contradição real do que um discurso possível bem acabado, mas vazio de qualquer realidade. Argumentava Olavo de Carvalho, afinal andamos com duas pernas opostas, ó escândalo ilógico, mas que podem-nos levar para a próxima esquina.

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