Bolsonaro dá boas vindas à ômicron; estupidez do presidente não tem limite

Presidente omite que vacinação torna o vírus menos perigoso

PAULO LOPES
jornalista 

A variante ômicron do coronavírus se espalhou rapidamente no Brasil, preocupando famílias contaminadas pelo vírus e aquelas que ainda serão. 

Na minha família, há pelo menos duas pessoas com o vírus e outras estão sob suspeita. Eu mesmo tive alguns dias de tosse, dor de garganta e leve dor de cabeça. Já fui vacinado três vezes

O presidente Bolsonaro, claro, não perdeu a oportunidade para mais uma afirmação no mínimo inconveniente. Ele disse que a variante é “bem-vinda” porque teria efeito “vacinal” por ser branda. 

O que o presidente aloprado omitiu é que se a maioria da população brasileira não estivesse se vacinando, a despeito do negacionismo dele, a ômicron poderia ter consequências mais graves, como ocorre, aliás, em alguns países. 

Ainda não existe um imunizante específico para a ômicron, mas as vacinas existentes ajudam na reação dos anticorpos. Vacinas cuja aquisição, é sempre bom lembrar, não teve a boa vontade de Bolsonaro. 

O tsunami da ômicron está em curso no Brasil, é grande a solicitação por prontos-socorro e hospitais, e a expectativa de virologistas é de que não haja muitos óbitos, pelo menos entre os vacinados.

Pode-se afirmar, assim, que o mais preocupante mesmo não é a nova variante, mas Bolsonaro, continua sendo o presidente, cuja estupidez parece não ter limite, a ponto de ele, entre outras coisas, se colocar contra a vacinação de crianças.

Politicamente, é preciso ser muito burro dizer uma coisa dessa, perdendo o voto de milhões de pais que temem a contaminação de seus filhos pelo vírus da Covid.

A morte dos mais de 600 mil brasileiros pelo coronavírus deve-se, em grande parte, à inépcia e ao negacionismo de Bolsonaro - a CPI da Covid provou isso. E um dia Bolsonaro vai ter de assumir as suas responsabilidades. 

Espero que Bolsonaro seja colocado na cadeia, o que poderá ser logo, no próximo ano (sim, admito, às vezes exagero no otimismo).

O que afirmo com convicção é que dificilmente Bolsonaro conseguirá se reeleger (eleitor que perdeu parente para a doença tende a não votar nele), e aí sim, pela democracia, os brasileiros ficarão livres do vírus mais letal que o país já teve.

O pior dos vírus

> Com informação da Agência Brasil e de outras fontes.