Em uma década, 100 mil católicos da Itália pediram para serem 'desbatizados'

Reação ao conservadorismo da Igreja

Desde seu lançamento na internet em 2010 por uma associação de ateus da Itália, o formulário de 'desbatismo' da Igreja Católico foi preenchido por 100.000 pessoas. 

Roberto Grendene, secretário-Geral da UAAR (União de Ateus e Agnósticos Racionalistas) afirma que tal adesão deve-se muito mais ao conservadorismo da Igreja do que à campanha ateísta.

Muitos católicos não conseguem ficar indiferentes ao reacionarismo politicamente ativo da Igreja e protestam anunciando o desligamento da instituição.

Os acessos ao site da UAAR aumentam sempre que o Vaticano gera uma polêmica, informa Grandene. Em dois dias de junho de 2021, por exemplo, a média diária de tráfico subiu de 120 para mais de 6.000.

A Igreja da Itália não informa o número de pedidos de desbatismo' que recebeu nos últimos anos, até porque, pelo direito canônico, o fiel não pode renunciar a esse sacramento.

O reverendo Daniele Mombelli, professor na Universidade Católica Sagrado Coração de Milão, disse ser impossível apagar registro de batismo e, pelo direito canônico, quem rejeita a Igreja pode sofrer "graves consequências", porque se trata do "crime de apostasia".

"Um apóstata enfrenta imediatamente a excomunhão da igreja, sem necessidade de julgamento. Isso significa que a pessoa está excluída dos sacramentos, não pode se tornar padrinho e será privada de um funeral católico."

Para a Igreja, curiosamente, o ateu não é considerado um "criminoso", como o apóstata, mas um "pecador" e poderá ser perdoado em caso de aceitação de Cristo.

O que está ocorrendo na Itália é o aumento de apóstatas e muitos deles se tornam ateus.

Estudo feito em 2020 pelo sociólogo Francesco Garelli, com financiamento da Conferência Episcopal Católica Italiana, mostra haver no país 18 milhões de ateus ou 30% da população.

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