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Radicalização política desarticulou o movimento ateísta no Brasil, afirma professor

MARIA FERNANDA GUIMARÃES   A radicalização política é a causa, entre outras, do declínio do movimento ateísta do Brasil a partir 2014, quando se formou um bloco de conservadores de diferentes matizes para se opor a forças progressistas.

Essa observação é de Ricardo de Oliveira da Silva, professor de história, estudioso do ateísmo no Brasil e colaborador deste site.

Ele diz que em um momento de forte tensão política houve ateus que, para se colocarem contra a esquerda, aproximaram-se do então candidato a presidente Jair Bolsonaro, apesar de ele representar ultraconservadores, entre os quais religiosos com propósito de aparelhar o Estado brasileiro. 

No vídeo "O ativismo ateísta está morto?" [abaixo], onde faz uma reflexão a partir do artigo "Nem os desvairos de Bolsonaro conseguem despertar o movimento ateísta", publicado neste site, Silva manifesta a expectativa de que surja um movimento ateísta em bases amplas, deixando para trás a batalha retórica contra as religiões e o refrão "Deus não existe".

A exemplo do que ocorre com entidades ateístas dos Estados Unidos — onde, aliás, também há radicalização política —, o professor sugere a existência de um movimento ateísta brasileiro que apresente uma visão alternativa de mundo, com pautas e valores próprios, de modo a atrair parcelas da população para as quais a questão da crença/descrença não tem grande importância.

Além disso, de acordo com ele, a crítica sistemática às crenças religiosas em nada abala o pacto histórico entre igrejas e sociedade. 

Ao concordar com o referido artigo, assinado por Paulo Lopes, o professor Silva diz que os remanescentes do movimento ateísta não chegarão a lugar algum falando apenas uns com outros, sem levar em conta as parcelas da sociedade que seriam mais receptíveis aos valores do secularismo, por exemplo.

"Temos de ir além, porque o ateísmo não pode se prender à questão crer ou não crer em Deus", diz.

"O ateísmo tem de se conectar com outros grupos sociais, mas sem querer impor um ativismo contra as religiões, que vão continuar prosperando por conta de um pacto social."


> Maria Fernanda Guimarães é jornalista. Trabalhou em revistas e jornais de São Paulo.


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Comentários

  1. Eu confesso que sou ateu não para ficar tentando convencer a ninguem a virar ateu ... se a pessoa esta em duvidas se quer continuar sendo teista ou nao ... ai eh outra estoria ... sento pra conversar e tricar ideia , acho perda de tempo ficar discutindo com teistas que não pensam em mudar de ideia ... pra ver quem esta certo ou errado ... mas "movimento ateista" ... essa soa engraçado ... como se tivesse que existir uma cruzada para converter a galera .. Claro que temos que defender o estado laico ... mas as ferramentas para isso ja existem e qq pessoa pode entrar com uma representacao no MP sobre excessos ... De resto ... eu como teu sigo normal ... com o pé no chão e sem precisar da muleta da religião pra entender o mundo que me cerca...

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    1. Os religiosos e outros tipos de crédulos (de fé) DEPENDEM de DOUTRINAÇÃO. Ainda que a maioria das pessoas tende a crer em algo, em vez de serem céticas amplamente, o TIPO de crença É cultural e está muito ligado ao PODER, ainda mais quando houve a institucionalização de crenças (de fé), no caso específico muitas religiões.
      É sempre útil ajudar a libertar as pessoas das crenças. Ou ao menos, fazê-las não fanáticas. Continuarem em suas crenças "na boa", sem preconceitos de outas pessoas e no que são (LGBTs, gênero...), e SEM defender institucionalização de crenças. Admitir que crença é algo pessoal e de direito. E como um ideal, é legítimo ser alvo de críticas. Igrejas e afins institucionalizados são outras coisas, devendo ser tratadas com extremo rigor, e até extintas em muitos casos. Compreender que Estado, Educação etc laicos (rigorosamente) é a base para a Democracia e Estado de Direito.

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  2. O problema da queda do ativismo ateu no Foicebook é que o Facebook classifica como discurso de ódio e pune toda crítica as religiões, mesmo quando o foco não é nos crentes e sim nas mitologias em que eles acreditam e mesmo nas que usam apenas argumentos científicos pra criticar visões religiosas, já o oposto não acontece, os crentes podem criticar os ateus a vontade e a falta de crença em Deus e não dá discurso de ódio.

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  3. A melhor fatia do “mercado” é efetivamente a secularização, todavia, entendo que se trata de uma parcela da população muito pequena. Os demais ainda vão sempre associar a moral religiosa ao desempenho do estado.

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  4. O fato de haver ateus bolsonarista mostra que não há e nunca existirá movimento ateísta por aqui.

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    1. Sim em parte. Há os bolsominions, estes sem jeito mesmo.. Mas muitos votaram "a contra senso" devido o pessoal dito de esquerda continuar nessa arcaiquice de Socialismo, simpatizar com Cuba, bandidos como Che Guevara e tantas outras porcarias. IDOLATRAR Lula... SE o pessoal de Esquerda de atualizasse, SEM essa de Socialismo, Comunismo ou Anarquismo, respeitar a veracidade histórica, não ter ÍDOLOS, a situação poderia ser outra.
      Ocoreu o Efeito Ferradura, e Bolsonaro acabou ganhando.

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  5. Talvez o grande problema do "ateísmo brasileiro" que se movimentou pela Internet tenha sido que ele nada mais foi que um mero reprodutor de conteúdo estrangeiro. Enquanto havia pequenos grupos dispersos chamando atenção para o aparelhamento do estado e para o crescimento da atuação de políticos-religiosos, grupos com maior alcance estavam ocupados em traduzir artigos, tirinhas e vídeos para o português. Não que essa troca não seja interessante, ela é. Mas muitos ateus-de-internet brasileiros estavam mais preocupados com o "avanço" do Islã na Europa e nos EUA que com o ativismo neopentecostal em diversas instituições do Brasil. E os que tinham engajamento em redes sociais estavam ocupados em fazer piada com religião.

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    1. É isso aí. Enquanto os ateus brasileiros estavam preocupados com o avanço do islamismo na Europa, incluindo este site, os fundamentalistas evangélicos se infiltravam na política-partidária, e deu no que temos hoje: Bolsonaro.

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    2. "Preocupados com avanços do Islã na Europa...", tão preocupados assim?
      Independente disso, um erro (GRAVE) nunca exclui outro grave, e aqui perto por parte dos evanjas. O foco maior deve ser sempre na questão LAICA, lógico. Inclusive facilita união de todos pelos Direitos Humanos, pois violar a laicidade SEMPRE GERAM problemas graves nessa área, em particular LGBTs, gẽnero, mulheres e religiões muito diferentes das cristãs, como Umbanda e Wicca.
      Engana-se que a ICAR é "boazinha", ela age de outra forma. Quando convém, sempre se manifesta explicitamente e se une com evanjas. P. ex. as questões de divulgação de prevenção de ISTs e métodos contraceptivos a ICAR TEMBÉM está no contra, agindo no Governo...
      Dá para citar INÚMEROS problemas que religiões institucionalizadas causam. E aos incautos, nunca cair nessa da "ajuda" de igrejas / religiosos. Apena marketing basicamente, e um "tiquitinho" perante os enormes problemas que causam, salvo excessões de PESSOAS que fazem o bem, apesar de Deus e afins da religião.
      A velha falácia da ênfase. Enaltecer seu minúsculo lado bom e suprimir ou reduzir o colossal lado ruim, fora culpar os outros pelo ruim. Lógica crédula.
      Ateus deveriam se unir mais, mas também com religiosos de bem, daqueles que sabem e defendem o laicismo, e tantos outros grupos pelo Estado de Direito e democracia, onde sem serem laicos, IMPOSSÍVEL dignidade humana.

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    3. Se desarticulou porque uma certa ideologia política (esquerdismo) tentou se apoderar desse tal "movimento ateu" (se é que isso existiu mesmo) da mesma forma que se apoderou do feminismo e lgbt.

      Como ateu na maioria é bem mais inteligente que estes dois grupos (aliás, quem não é mais inteligente que feminista né?) e farejam qualquer tipo de doutrinação, seja ela religiosa ou POLÍTICA, de longe, o tal "movimento" ruiu.
      Não saímos de uma doutrinação religiosa pra entrar numa doutrinação política.

      Quase ninguém mais quis defender a "causa ateia" quando a ATEA - que, na época, era o grande representante dos ateus no brasil - e seus seguidores começaram com a palhaçada falando de comunismo, maconha, apoiar candidato do PSOL, até Che Guevara etc. quando deveria se abster a apenas impedir a imposição religiosa nos ambientes públicos e lutar contra o preconceito sobre nós.

      Na época que eu seguia essa página, parecia que eu tava seguindo um quebrando o tabu que falava mal de deus. Aliás, nem mais falando mal de deus tava, era esquerdismo 24 horas por dia kkkkk
      Eu nunca entendia que "diabos" tinha a ver uma frase daquela tal de Simone Beavouir com ateísmo.

      O mais engraçado era que quando você discordava de qualquer ideia de esquerda, automaticamente você tinha o seu ateísmo questionado, afinal ateu (na cabeça daquele bando de zumbi) não era mais quem não acreditava em deus, ateu era quem votava na Luciana Genro kkkkkk

      Eu pensei, se pra defender o estado laico, eu tenho que defender aquelas porcarias todas, então eu defendo p* nenhuma. E foi assim que muitos pensaram e o "movimento ateu" morreu.


      Ah, e essa tbm foi uma razão para o Bolsonaro ter recebido apoio de tantos ateus, mesmo ele dizendo que o Brasil é um país cristão, estado laico é o cara*** etc.

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