Justiça da Argentina condena padres que abusaram de jovens surdos

Condenação de Horácio Corbacho
 (à direita) e de Nicola Corradio
mantém no noticiário a conivência
 da Igreja Católica com os pedófilos

por Deutsche Welle.

Justiça argentina condenou os padres Nicola Corradi e Horacio Corbacho a mais de 40 anos de prisão por abusos sexuais e violações cometidas contra alunos com deficiência auditiva no instituto de ensino Próvolo ,na província de Mendoza.

O argentino Corbacho, de 59 anos, foi condenado a 45 anos de prisão, enquanto o italiano Corradi, de 83, recebeu pena de 42 anos. Em ambos os casos, foi considerado o agravante de que os perpetradores eram responsáveis pela guarda das vítimas menores de idade, e conviviam com elas no internato.

Além dos dois sacerdotes, o jardineiro Armando Gómez também recebeu pena de 18 anos de prisão por "abuso sexual com acesso carnal". 

O Instituto Próvolo se dedica ao ensino de crianças com deficiência auditiva ou com transtornos de comunicação, sendo considerado um dos melhores da área.

As vítimas, seus amigos e familiares comemoraram a decisão dos juízes no tribunal, muitos portando panos com a cor laranja, utilizada pelos que pedem a separação entre a Igreja e o Estado. "A pena imposta é uma expressão de responsabilidade", disse Sergio Salina, advogado das vítimas. 

A acusação pedia penas de 50 anos de prisão para os acusados.

O processo contra Corbacho, Corradi e Gómez foi iniciado em 5 de agosto de 2019. A maior parte das audiências foi realizada a portas fechadas. As vítimas tinham quatro e 17 anos de idade. 

A Justiça considerou 25 casos de abusos cometidos entre 2004 e 2016 e ouviu os testemunhos de 13 vítimas, colhidos em audiências com psicólogos, sem que os menores de idade soubessem que estavam sendo escutados por um juiz.

Apesar de comemorarem o resultado do julgamento, os ex-alunos do instituto lamentaram que outros casos não puderam avançar, devido ao que consideram uma ação de acobertamento por parte da Igreja Católica. 

"A Igreja continua a ocultar provas, não acata pedidos de informações por parte da Promotoria para que possam se ocupar de outras vítimas", acusou Salinas. 

"Temos o sabor amargo de que haverá impunidade em alguns casos."

As investigações em Mendoza começaram no fim de 2016 com a denúncia de um ex-aluno, atualmente com 19 anos, que relatou ter sofrido abusos por parte de Corbacho, quando tinha cinco anos, no instituto na localidade de Luján de Cuyo, fechado desde dezembro de 2016.

Em diversas buscas realizadas no local foram encontrados vídeos, supostamente de pornografia, além de 550 mil pesos (em torno de 8,8 mil dólares). Duas monjas do instituto estão em prisão domiciliar, acusadas de acobertarem os casos de abuso.

Há ainda outros 14 acusados no caso do Instituto Próvolo, divididos em dois processos que ainda não foram iniciados. Outras denúncias na sede da mesma instituição em La Plata ainda estão sendo investigadas.

Em 2009, um grupo de 67 ex-alunos do Instituto Próvolo de Verona, Itália, denunciou abusos por parte de vários sacerdotes, entre os quais estava Corradi. 

Em 2014, o papa Francisco recebeu uma carta com os nomes de 25 padres da instituição acusados de cometerem abusos, e que alertava para a presença do padre italiano na Argentina.

A Igreja Católica vem sendo abalada nos últimos anos por centenas de casos de abusos sexuais cometidos por sacerdotes em países como México, Estados Unidos, Chile e Austrália. Em marco de 2019, o cardeal australiano George Pell se tornou o mais alto membro do clero a ser condenado por crimes sexuais.

Deutsche Welle uma emissora internacional da Alemanha que produz jornalismo independente em 30 idiomas.



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EDITOR DESTE SITE



Paulo Lopes é jornalista profissional diplomado.
Trabalhou no jornal centenário abolicionista
Diário Popular, Folha de S.Paulo, revistas da
Editora Abril e em outras publicações.