Pastor manda recado aos governantes: Estado não deve impor a moralidade cristã

Ferreira: 'O estilo de vida
 cristão é fruto de uma escolha
 do coração, jamais da coerção'

O Estado brasileiro é laico e nenhuma autoridade deve impor “qualquer tipo de moralidade cristã à sociedade”. 

Esse foi o recado que o pastor protestante Valdinei Ferreira (foto) mandou a Marcelo Crivella (PRB), prefeito do Rio, e ao governador João Dória (PSDB), governador de São Paulo.

A mensagem vale também para todas as autoridades que têm transitado com frequência do outro lado do muro, o da religião, por motivos eleitoreiros.

Dória se arrogou em impositor da moralidade cristã ao mandar recolher das escolas um livro no qual ele acredita haver exaltação à “identidade de gênero”. Em outras palavras: ensinando os estudantes a serem gays, o que não é verdade.

Crivella confundiu o seu cargo de prefeito com o de bispo licenciado da Igreja Universal e mandou fiscais caçarem na Bienal do Livro uma HQ onde aparecem dois garotos se beijando na boca.

Uma pregação de Valdinei Ferreira faz lembrar os tempos em que reis e as Cruzadas forçavam a conversão ao cristianismo, inclusive com o uso de violência, com frequência

“O estilo de vida cristão é fruto de uma escolha do coração, jamais da coerção”, disse, de acordo com a repórter Anna Virginia Balloussier.

O pastor afirmou que por detrás do comportamento de autoridades se esconde uma visão de mundo religiosa e que isso não pode ser imposto para agradar determinados segmentos do eleitorado.

"Faz parte da vontade divina que autoridades da esfera civil fomentem comportamentos da moralidade sexual?”, perguntou.

“Cristãos, enquanto cidadãos, devem pressionar autoridades civis para que as leis e as políticas públicas estejam alinhadas o máximo possível com suas convicções religiosas, ou seja, com aquilo que entendem ser a vontade de Deus para a sociedade?".

Para o pastor, que é o titular da Primeira Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo, a sociedade civil deve obediência às leis e às decisões da Justiça, como a de 2010 do STF (Supremo Tribunal Federal), que validou a união entre pessoas do mesmo sexo e a de 2019, que equiparou a homofobia aos crimes de racismo.





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Comentários

  1. Se ele é pastor, concordo com ele, esse é o pastor mais coerente que já vi.

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EDITOR DESTE SITE

Paulo Roberto Lopes é jornalista

profissional diplomado. Trabalhou

no jornal centenário abolicionista

Diario Popular, Folha de S.Paulo,

revistas da Editora Abril e

em outras publicações.

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