Igreja do Chile tem confraria secreta de pedófilos, denuncia católica


Grupo de abusadores
tem pelo menos 12
integrantes, de acordo
com ex-coordenadora
de pastoral


por José Manuel Vidal
para Religión Digital

A Igreja Católica do Chile parece podre por dentro e por fora e continua sangrando sem parar por causa da ferida aberta da praga dos agressores. 

Um dia depois que todos os bispos chilenos apresentaram ao papa Francisco a sua renúncia no contexto do escândalo dos abusos sexuais, um novo caso de pedofilia veio à tona.

Sacerdotes da diocese de Rancagua, no centro do país, foram acusados de fazer parte de um grupo secreto que se chamava La Familia e que, nos últimos anos, teria se aproveitado sexualmente de crianças e adolescentes.

Elisa Fernández, ex-coordenadora da Pastoral da Juventude, denunciou essa situação, na qual supostamente cerca de 12 presbíteros estão envolvidos, em uma reportagem que foi ao ar no Canal 13.

“Eu não sei se posso chamá-la de confraria, seita ou grupo de sacerdotes que têm práticas que não condizem com a condição de padres, e com respeito a jovens, pelo menos na minha época, de entre 15 e 29 anos”, explicou Fernández, que participou ativamente das atividades da Igreja Católica durante 14 anos.

Elisa afirmou ter sido testemunha de como sacerdotes da diocese de Rancagua, cidade localizada a cerca de 85 quilômetros de Santiago, comentavam suas preferências sexuais por menores de idade.


A denunciante entregou há aproximadamente um ano e meio uma lista com os nomes dos sacerdotes envolvidos nesses fatos ao bispo de Rancagua, Alejandro Goic, embora o religioso, disse Fernández, não tenha tomado nenhuma medida.

Por isso, há alguns meses, criou uma conta no Facebook em que se fez passar por um jovem chamado Pablo, de 16 anos, e entrou em contato com os sacerdotes questionados, o pároco Luis Rubio Contreras, da localidade de Paredones.

O pároco de 54 anos de idade enviou ao suposto adolescente mensagens de conteúdo erótico e fotos suas em que aparece totalmente nu, fatos que ele mesmo admitiu na reportagem da televisão chilena.

 “Eu reconheço que fiz isso, sei que é horrível, mas mais do que isso não posso dizer”, disse o pároco, que acrescentou: “É um dia de muita tristeza e lamento o que fiz. Estou muito envergonhado”.

Como resultado deste episódio, a diocese de Rancagua anunciou a decisão de suspender temporariamente o pároco de suas funções e o envio das informações à Santa Sé.

Elisa Fernández denunciou a passividade do bispo Alejandro Goic diante dos fatos, apesar de ter se encontrado com ele quatro vezes para falar sobre o assunto.

Goic, que retornou ao Chile de Roma no dia 18 de maio, onde participou com os demais bispos chilenos das reuniões com o papa Francisco para tratar dos escândalos de abusos sexuais na Igreja, garantiu ao Canal 13 que não inquiriu em profundidade Luis Rubio porque nunca existiu uma “denúncia formal”.

“Eu não estudei para ser detetive; estudei para ser pastor”, disse Goic, um dos bispos chilenos mais influentes e que também dirige o Conselho Nacional para a Prevenção de Abusos Infantis e Acompanhamento de Vítimas da Conferência Episcopal Chilena.

Essas novas acusações agravam a já delicada situação da Igreja chilena após as reuniões dos bispos com o papa, que lhes entregou uma carta contendo parte das conclusões da longa investigação realizada pelo arcebispo maltês Charles Scicluna sobre os abusos cometidos pelo clero no Chile.

O bispo de Rancagua, Alejandro Goic Karmelic, pediu perdão através de um comunicado sobre o padre Luis Rubio Contreras, apontado como membro de uma “confraria” de sacerdotes da referida diocese, que se chamava La Familia e que teria promovido condutas sexuais impróprias e possíveis abusos.



Com tradução de André Langer para IHU Online. A foto é meramente ilustrativa.


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