Hitler ajudou a resgatar a homeopatia, afirma livro


Conselheiros do nazista
 incentivaram a retomada
da homeopatia por ela ter
 sido criada por um alemão

por Cícero Escobar

Estudar o processo histórico das atuais chamadas práticas complementares da medicina pode auxiliar no entendimento de como elas ainda se mantêm populares.

Pouco antes de eclodir a segunda guerra mundial a homeopatia estava relativamente esquecida na Europa. Foi nessa época em que os conselheiros médicos de Hitler o incentivaram para a retomada da prática.

 A razão disso parece ter sido pouco científica. O fundador da homeopatia, Chistian Hahnemann, era alemão. Assim, a tentação de retomar a prática era óbvia: isso aumentaria o sentimento nacionalista.

Essas e outras histórias estão bem relatadas no livro "Truque ou tratamento", que foi traduzido em 2013 pela editora Record.


Os autores Edzard Ernst e Simon Singh ainda nos contam mais sobre a homeopatia. Coisas que geralmente os homeopatas não sabem ou escondem.

É verdade que Benveniste e colaboradores publicaram um artigo na prestigiada revista Nature. Alegação: que a água possuía memória, e de alguma maneira a ultra-diluição em preparados homeopáticos poderia reter moléculas da solução original.

Como foi feito (em síntese): basófilos (uma célula sanguínea que reage a um agente alérgico específico) foram colocados em contato com soluções cada vez mais diluídas e ainda reagiram contra o componente alérgico que as compunha.

Mas também é verdade que os experimentos foram conduzidos sem rigor.

Meses após a publicação um grupo de cientistas visitou o laboratório de Benveniste no intuito de acompanhar as experiências. Como a alegação era extraordinária (assim exigindo evidências igualmente extraordinárias), o grupo propôs experimentos de duplo-cego, nos quais os realizadores das experiências não saberiam previamente quais frascos continham as soluções mais diluídas (mais precisamente, o analista não saberia identificar quais as amostras de basófilos teriam sido tratadas com soluções homeopáticas e quais teriam recebido apenas tratamento com água). Isso eliminaria a tendência do laboratorista em privilegiar os resultados das amostras mais diluídas, pois as análises dependiam de certa forma de um componente subjetivo para se chegar ao resultado.

Assim, constatou-se que, após essa nova batelada de experimentos, os basófilos não reagiram de maneira distinta do grupo controle contendo apenas água.

Os homeopatas ainda não dizem: a mesma revista publicou mais três artigos nos quais pesquisadores independentes falharam em repetir os resultados alegados por Benveniste. Ele também foi o primeiro pesquisador a ganhar dois igNobel (paródia do prêmio Nobel).

Conclusão, homeopatia não se distingue de pílulas de farinha.

Esse texto foi publicado originalmente no blog do autor, com o titulo "Memória da água e coisas que os homeopatas não dizem".


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