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Negras acusam de racista música que enaltece a luta dos escravos

"A negra fúria guerreira / Não se dobra ao opressor"
Toda a letra da música gauchesca “Quilombo das Luzia” enaltece os negros que vieram como escravos para o Brasil. Já no começo afirma que eles “pelearam em guerras e revoluções para defender uma pátria que nem sua era”. E termina assim: “A negra fúria guerreira / Não se dobra ao opressor / Enfrentam de alma aberta / O chicote e o feitor / Quem nasceu para ser livre / De pouco interessa a cor”.

Mas para as  filhas de Luzia Rodrigues Nenê essa música é racista. Elas moveram ação acusando Pedro Ortaça e Júlio César Fontele dos Santos, autores da música, e a ACIT Comercial e Fonográfica Ltda. não só de racismo, mas também de ofensa à família delas, pela exposição do nome da mãe e tia, as Luzia. Pediram o pagamento de uma  indenização porque "houve danos morais e materiais".

A juíza Letícia Bernardes da Silva, da 6ª Vara Cível de Caxias do Sul (RS), julgou a ação improcedente, o que levou as mulheres a recorrer a uma instância superior.

Agora, o TJ (Tribunal de Justiça) do Rio Grande do Sul confirmou a sentença de Letícia. O desembargador Artur Arnildo Ludwig, relator do caso, sentenciou que a letra da música não tem “qualquer conteúdo racista” e nada prova de que as Luzia sejam parentes das autoras da ação.

 Ludwig afirmou que a música não macula a imagem de ninguém porque apenas resgata uma parte da história do quilombo de Santo Antônio das Missões.

Na sentença, o desembargador transcreveu a letra da música.

"Clã de raça brava" 




Letra da música

De além mar vieram os negros africanos para o Brasil. Não por vontade própria. Vieram como escravos. Pelearam em guerras e revoluções, para defender uma pátria que nem sua era. Inclusive o Rio Grande do Sul. Espalharam a sua cultura por todo este continente. Na Vila 13, nas missões, também existia um quilombo...  Das Luzia... Que era bem assim...

Raça negra dominando na Vila 13 vivia
Carvão na pele curtida
Brasa no olho que ardia
E a liberdade na alma no quilombo das Luzia

E a liberdade na alma no quilombo das Luzia

Africanos quase puros
Uma clã de raça brava
Que quando estanha os olhos
Ou quando afrouxa a baba
Ficam pior que temporal
Quando com fúria desaba.

Ficam pior que temporal
Quando com fúria desaba.

Certa feita a autoridade
Quis prender as negras Luzia
Vieram os ratos e os baios
E mais o povo que podia
E o quilombo pegou fogo
E o chão de medo tremia

E o quilombo pegou fogo
E o chão de medo tremia

Peleavam se conversando
Cotejando no facão
Não gostavam dos de farda
Dos paisanos também não
E a cada estouro das negras
Um branco beijava o chão

E a cada estouro das negras
Um branco beijava o chão

Enquanto a briga crescia
Que cerrava a polvadeira
As Luzia davam laço
Com panela e com chaleira
E até os negrinhos de colo
Davam pau com as mamadeiras

E até os negrinhos de colo
Davam pau com as mamadeiras

Anda lacaio, negro não ameaça, negro dá!

A negra fúria guerreira
Não se dobra ao opressor
Enfrentam de alma aberta
O chicote e o feitor
Quem nasceu para ser livre
De pouco interessa a cor

Quem nasceu para ser livre
De pouco interessa a cor

Com informação do TJ do Rio Grande do Sul e imagens do Youtube.

Supermercado revista menino porque de 'preto a gente desconfia'.
fevereiro de 2011

Casos de racismo.    > Posts deste mês.

Comentários

Paulo Lopes disse…
Comentários racistas serão deletados.
Anônimo disse…
Não que sejam racistas, mas que elas são oportunistas, elas são...
Abaixo o politicamente correto.
Anônimo disse…
Fio, jogador do Flamengo, processou Jorge Ben por ter sido homenageado na música famosa.
Perdeu o processo e foi entregar pizza em San Francisco.
Everton Maciel disse…
Só o que faltava. Olhem pra cor do Ortaça. O cara é um índio missioneiro!! Além disso a composição tem mais de 5 anos. Prescreveu. A música é uma homenagem! Nessa história vão ter dificuldade pra achar um juiz tão burro.
Adolfo disse…
Ganhar dinheiro fácil não é uma "habilidade" que combina com a burrice...
Anônimo disse…
Música linda que conta a verdade nada mais que a verdade sobre uma parte da história, da injustiça que era dispensada aos negros. Está evidente o propósito imoral dessa ação que ao meu ver não passa de lide temerária prevista no inciso II do artigo 17 do Código de Processo Civil, pois essa ação apenas tenta distorcer fatos verdadeiros, e afirma fatos inexistentes.
Anônimo disse…
Basta de burrice. Abaixo ao preconceito de defesa, o "racismo positivo".
Anônimo disse…
O racismo existe, somente está implícito nas atitudes das pessoas. Os racistas só não manifestam seus atos pq agora a lei existe. Caso contrário...
Anônimo disse…
Para quem não notou qual teor racista existe na música, é só prestar atenção às entrelinhas de cada versículo, o que não será dificil de notar quem tiver lido a letra.
Questionamento disse…
Se o negro é negro, chamar o negro de negro é racismo?

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