Pastor Gondim se afasta do ‘delírio de esperar por Deus’


Religioso admite que
 crer é um tormento

O pastor Ricardo Gondim, da Igreja Betesda, escreveu que se afastou da igreja “que se alimenta do delírio metafísico de esperar por Deus, como uma Mulher-maravilha ou um Super-homem”, que tudo pode.

Explicou que continua com fé, embora isso, admitiu, não tenha “sentido racional”.

“[De qualquer forma] não creio mais na promessa religiosa de que livramentos sobrenaturais nos alcançarão, vindos de um Deus que se senta em um trono.”

Sem querer ofender o pastor, ele deixou de acreditar em Papai Noel. Está de parabéns. Conseguiu, acho. A maioria não consegue.


Gondim escreveu que não resvala no ateísmo porque não consegue abafar o “eu creio”, mesmo se sentindo torturado por isso.

Declarou-se humanista.

“Acredito nas iniciativas humanas, nos movimentos solidários, na busca incessante da justiça, na ação profética de instituições que defendem a dignidade humana. Sou irmão de quem arregaça as mangas e luta pelos desvalidos.”

Disse que a sua teologia é apofática, que é aquela que não faz afirmações propositivas sobre Deus.


“Não há como afirmar nada sobre Deus que seja conclusivo, taxativo, descritivo.”

Argumentou que só pode se afirmar o que Deus não é.

“Deus não pode ser mau, discriminatório, injusto, estúpido, dissimulado.”

Mas esse Deus é o da Bíblia, como o pastor sabe muito bem.

Ele só vai se livrar do tormento se voltar a ser um "verdadeiro cristão" ou se tiver a coragem de se assumir como ateu.

Mas é preciso admitir que o tormento, em determinadas circunstância, pode ser intelectualmente  enriquecedor.  

Seria esse o caso?






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