terça-feira, 20 de maio de 2014

Ateus contam no Face da Atea como a intolerância os atinge

Associação tem página com 333 mil seguidores
Desde que revelou ser ateia, a jovem Laura Bisinella tem sido vítima de intolerância religiosa na escola e em sua sua família, que a pressiona para que volte a ser cristã. Contou que é forçada a frequentar a igreja. Ela postou na página da Atea (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos) do Facebook o seu desabafo. “Isso me conforta”, disse.

Outros ateus têm usado o Face da Atea para denunciar os preconceitos que sofrem. Esse é o caso de Izabella Palis Fernandes.

Ela era espírita, e sua família agora se esforça para que volte a frequentar o centro de sessões. Além disso, nas redes sociais, algumas pessoas a excluíram de sua lista de “amigos”, porque, argumentou Izabella, “‘desrespeitar’ as religiões parece ser algo inadmissível”. Afirmou que deixa de se sentir sozinha quando acessa a página da Atea porque lá encontra outros ateus, alguns deles, inclusive, vítimas de intolerância, como ela.

Marcela Valino também frequenta a página para não se sentir só, embora acredite que os ateus precisam de mais união entre eles.

O Face da Atea tem neste momento 333 mil seguidores — a associação é “meio satânica”, informou a página, fazendo uma brincadeira com o número da besta, o 666, de acordo com a tradição cristã.

Certamente nem todos que acompanham a página da associação são ateus ou agnósticos, mas ainda assim trata-se de um número significativo, levando em conta que, de acordo com o Censo de 2010, o Brasil tinha naquele ano 615,1 mil ateus e 124,4 mil agnósticos. O que significa que uma parcela expressiva dos descrentes brasileiros acessa a página do Face da Atea, o que comprova a representatividade da associação.

A página se propõe a ser na rede social um endereço de ativismo ateísta, humor e informação, entre outros temas de interesse dos céticos. Ela é alimentada por voluntários.

Os posts de humor costumam ser os mais polêmicos. Alguns deles são criticados até por ateus e outros levantam ira de religiosos, que julgam haver desrespeito para com sua crença.

Algumas ilustrações de humor, de fato, extrapolam o bom gosto, mas o que parece orientar esses posts é a postura da nova geração de descrentes segundo a qual a religião deve ser questionada com contundência, sem dó nem piedade, quando for preciso, como ocorre, aliás, com qualquer outro tema que seja objeto de debate público.

Para esses ateus, a religião não desfruta de um tratamento diferenciado que a exclui do crítica mais contundente e até do escracho. Por esse ponto de vista, a religião pode ser sagrada para seus seguidores, e não, evidentemente, para os descrentes. Os crentes nem sempre entendem isso.

O Face da Atea é a parte mais visível das atividades da associação.

No relatório de 2013 de atividades da associação constam, por exemplo, a participação do presidente Daniel Sottomaior em debate sobre o preconceito contra ateus e sobre diversidade sexual e seminários sobre intolerância religiosa.

Sottomaior falou em várias ocasiões à imprensa e escreveu artigos. Ele ainda participou de programa na TV como o "Super Pop", da Rede TV!, "Mulheres", da TV Gazeta e "Em Revista", da Rede Brazil.

A Atea também protocolou representação no Ministério Público pedindo providência para acabar com a ostentação de símbolos religiosos em escola pública de Formiga (MG). Encaminhou pedido à direção de um colégio de Esteio (RS) para que impeça bullying a um estudante ateu.

Acionou o Ministério Público contra o custeio de evento religioso com verba pública na cidade de Vargem Alta (ES).

Eu julho promoveu em cinco cidades ato de “desbatismo” contra a visita do papa Francisco.

Participou em protestos contra a presença do deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

A associação responde diariamente a centenas de e-mails. Muitas das respostas precisam de auxílio jurídico e encaminhamentos.

A Atea é a única entidade que sistematicamente combate a discriminação contra ateus e defende a laicidade do Estado. Trata-se de uma militância de extrema importância neste momento de avanço no Brasil do fundamentalismo religioso.






Com informação da Atea, entre outras fontes.

Pressionado pela Atea, colégio libera ateu do curso de religião
março de 2013
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