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Religião, ateísmo, teoria da evolução e astronomia

domingo, 4 de novembro de 2012

Filósofo questiona a concepção neodarwinista da natureza

Título original: Mente e cosmo

por Hélio Schwartsman para Folha

Thomas Nagel
"Alguns argumentos de
Nagel são fracos"
Ele é um homem de impecáveis credenciais acadêmicas e ateias. Um dos mais respeitados filósofos dos EUA, orientando de John Rawls, professor da Universidade de Nova York, autor de inúmeros textos em que declara sua descrença, Thomas Nagel [foto] vem causando alvoroço com a publicação de Mind and Cosmos, que saiu em setembro. O subtítulo esclarece as razões da celeuma: por que a concepção materialista neodarwinista da natureza é quase certamente falsa.

É um livro gostoso de ler, embora denso, e que levanta pontos importantes. Para Nagel, num eco do problema mente-corpo, as explicações científicas para questões como consciência, intencionalidade e valor são necessariamente incompletas, o que cobra uma mudança de paradigma.

Minha impressão, porém, é a de que o autor errou na mão. Não é de hoje que o filósofo trava uma batalha contra o reducionismo científico (o termo "reducionista" não é pejorativo em epistemologia; significa só a crença de que a parte explica o todo). O problema aqui é que alguns dos argumentos utilizados para baixar o estatuto do darwinismo são fracos.

No exemplo mais gritante, ele diz rejeitar a noção de que forças cegas da natureza produziram vida porque isso vai contra o "senso comum". Ora, quase tudo em ciência, da relatividade à mecânica quântica, ofende o senso comum, mas nem por isso descartamos essas disciplinas.

Outro ponto delicado é que Nagel não tem nada para pôr no lugar do darwinismo. Numa retomada de Aristóteles, o autor sugere que as explicações científicas incorporem uma teleologia, isto é, acatem a noção de propósito ou direção entre as leis da natureza. Com isso, a alegada improbabilidade da vida e o processo de evolução por meio de mutações aleatórias deixariam de ser um problema. Pode ser, mas receio que criaríamos outro ainda maior, à medida em que as portas da ciência estariam escancaradas para a metafísica.





Criacionistas tentam tirar proveito da crise da teoria da evolução.
setembro de 2012

Evolução e criacionismo.

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