“Ao instituir uma oração estritamente cristã, o projeto tira o direito das crianças que vêm de famílias de outras crenças, como umbanda, candomblé, budismo, espiritismo, ou ainda das que não têm religião alguma", disse.
O autor do projeto de lei é o vereador José Airton Araújo (PR), conhecido como “Deco do Cachorro Quente”, porque ele mantém a sua atividade de vendedor ambulante. Ele é seguidor da Assembleia de Deus.
O projeto de lei foi aprovado em primeira discussão pelos 11 vereadores da cidade. A segunda votação ocorrerá hoje (2). Se for confirmada a sua aceitação, terá de passar por um terceiro escrutínio, para em seguida ser sancionado ou não pelo prefeito João Carlos de Oliveira (PMDB).
Deco disse que o pai-nosso vai acalmar os estudantes, os quais, assim, segundo ele, deixarão de ter comportamento agressivo. “As crianças entrarão na sala de aula mais tranquilas.”
O vereador disse que a sua lei não terá problema de aceitação, mas para o monge Wagner Bronzeri, presidente do Colegiado Budista Brasileiro, trata-se de um abuso, mesmo se a oração fosse budista. “Essa lei fere a Constituição.” Ele disse que os filhos de budistas podem se sentir constrangidos no momento de rezar o pai-nosso e ou sofrerem discriminação.
Maria Onide Sardinha, chefe do Núcleo Regional de Educação de Apucarana, disse que a lei, caso seja aprovada, não será cumprida. Segundo ela, o que determina o currículo pedagógico é a lei de diretrizes e bases da educação e a Constituição Federal, e não a Câmara Municipal.
Em Apucarana, já existe um lei — também de autoria do Deco — que obriga professores da rede de ensino municipal a ler trecho da Bíblia, seguida de uma oração. Mas essa lei não pegou, e só “existe no papel”, disse a professore Clotilde.
Com informação da Agência Brasil, entre outras fontes.
junho de 2012
Religião no Estado laico.
