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quarta-feira, 7 de março de 2012

'Meu nome é Sarah, e um motoqueiro acaba de cuspir na minha cara'

da leitora Sarah Scardelatto

Oi, boa noite, meu nome é Sarah, e um motoqueiro acaba de cuspir na minha cara.

Por quê?

Porque eu não aceitei uma cantada.

Me desculpe, eu estava saindo da faculdade às 22h30, após trabalhar o dia todo, fazer a viagem de ida e volta entre São Caetano do Sul e Jundiaí, usando jeans, camisa larga e tênis, então talvez não estivesse no humor certo pra ouvir um assovio e me sentir a última bolacha do pacote. Me desculpe, mas eu reagi.

Eu mostrei meu dedo médio da mão direita.

O motoqueiro foi embora, mas voltou pra tirar satisfação. Me chamou de vagabunda e cuspiu em mim.

Me desculpe, devo ser uma histérica, mal comida, algum outro adjetivo que nós, mulheres que não aceitam uma cantada na rua, costumam receber.

Tenho mesmo que ser humilhada em público, na calçada da Escola de Engenharia Mauá, na frente de outras dezenas de pessoas. Tenho que receber uma escarrada no rosto por não ter, passivamente, aceitado o assovio de um estranho qualquer.

Eu sou uma mulher, não tenho o direito de discordar.

Piuf.

Me desculpe, mas eu não aceitarei esse tipo de coisa, mesmo com a ameaça de violência pairando sobre mim. Não pensarei que posso tomar um tiro, uma surra, ter um braço quebrado ou ser morta pelo simples fato que não aceitei uma cantada.

Não sou um pedaço de carne, uma peça em exposição para ter que ouvir qualquer pornografia que se passe na mente de um desconhecido.

Sou uma MULHER, trabalhadora, estudante, filha, irmã, como todas as outras. Me sustento, ajudo quem posso, reciclo meu lixo. Não mereço passar pelo humilhante expediente de ser cantada na rua, por um homem qualquer.

Me defenderei como puder, enquanto puder. Minha dignidade não está aí para ser pisada por um motoqueiro ignorante. Não saio na rua para ser humilhada gratuitamente, só por não ter um pênis entre as pernas. Se passar por um episódio mais grave, farei questão de aparecer o máximo possível, nem que para isso tenha que convocar uma ucraniana de seios nus para fazer alarde comigo na av. Paulista.

O problema da sociedade é que ensinamos as mulheres 'não seja estuprada', ao invés de ensinar para os homens 'não estuprem'.





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junho de 2011

Violência contra mulher.      Posts de leitor.

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