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Religião, ateísmo, teoria da evolução e astronomia

quarta-feira, 7 de março de 2012

Crucifixo em espaço público é manipulação ideológica

por Concí Sales a propósito de
No Sul, Justiça acata pedido para retirar crucifixo de seus prédios

"Homem ensanguentado é uma
estratégia dos fazedores do sagrado"
Cristo, se vivo fosse, mandaria ele mesmo retirar essas imagens horríveis de um homem torturado, dos lugares onde se deve justamente coibir toda forma de violação da dignidade do ser humano.

Quando o texto atribuído a Paulo e que consta do Novo Testamento afirma que a cruz é sinal de salvação, não está sendo autorizada a iconografia deste cruel instrumento de morte, como representação do sagrado.

Seria até um contra-senso, pois Paulo era judeu e a sua religião proíbe imagens, quaisquer que sejam, sob pretexto de adoração, culto ou veneração por mais simples que possa parecer: o pecado se chama idolatria, todos nós sabemos, de tanto ouvir a prédica protestante contra os católicos romanos.

Salvação por meio da cruz, em sentido teológico clássico, seria a exaltação da coragem e da esperança, que não recuam nem sob a tortura e não silenciam com a morte. Qualquer pessoa que não cede em sua luta, que não renuncia ao ideal, a ponto de ser torturada, e mesmo morrendo, sua mensagem ainda se faz ouvir. É um sinal de salvação e de que ainda há esperança para o gênero humano prosseguir, mesmo com tantos sistemas cruéis e opressores, fazendo uso da violência, da dor, do sofrimento, para manter todos silenciados.

Daí a utilizar-se da cruz, como instrumento dessa mesma violência opressora, de um sistema cruel que se pretende estabelecer como inquestionável, porque autorizado supostamente por Deus, é má-fé e manipulação ideológica que a retirada dos símbolos faz bem por anunciar que o engodo chegou ao fim. Está mesmo na hora de sua eliminação.

Este homem torturado e ensanguentado que penduram nas paredes dos órgãos públicos é também uma estratégia de tantos outros Herodes e Pilatos redivivos - os que aliás crucificam de novo milhões de outros pobres Cristos -, abençoados contudo por padres, pastores e tantos outros Caifazes e Anazes...a apresentar-se como fazedores do sagrado, do sacro faccerem, do sacrifício ofertado com dinheiro e sangue ao suposto Deus.

Esta iniciativa das lésbicas gaúchas, corroborada pela autoridade competente, merece todo apoio e mais do que justa e santa aprovação. É um raro momento de fé verdadeira, na humanidade, nesse fanático e fundamentalistamente religioso país.





Cruz não expressa moralidade, e sim sacrifício, tortura, dor, morte
de um leitor em agosto de 2011

Religião no Estado laico.     Posts de leitor.


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