Moralidade vem da natureza do homem, afirma biólogo


O biólogo holandês Frans de Wall afirmou que a moral é um valor intrínseco do homem e de outros animais de espécies superiores, como primatas, elefantes e ratos.

Ele explicou que, do ponto de vista científico, “moral” significa o impulso que esses animais têm de reconhecer seus iguais e na necessidade de se reproduzir e transmitir seus genes.

"Os humanos são ricos de tendências sociais", afirmou.


A tese de Wall é polêmica porque bate de frente com a corrente científica de que a natureza (da qual o homem faz parte) é neutra. Por esse ponto de vista, a moral é algo que  se adquire nos primeiros anos anos de vida porque ela inexiste quando se nasce.

Do lado oposto à tese de Wall estão também os religiosos, cuja pregação é de que a moral (ou seja, a ideia do certo e do errado e do bem querer ao próximo) vem de Deus.

Para os religiosos, o homem é intrinsecamente mau, já nasce pecador, e é por isso que se precisa aceitar Deus.

Em um encontro recente promovido em Vancouver (Canadá) pela Associação Americana para o Avanço da Ciência, Wall disse que pesquisas científicas recentes refutam a ideia dominante desde o século 19, e endossada pelo biólogo Thomas Henry Huxley, de que a moralidade é um advento cultural.

O biólogo afirmou que os animais superiores têm tendências naturais à sociabilidade, reciprocidade, correção e consolação. Ele exibiu um vídeo que mostra um símio se privando de uma guloseima para oferecê-la a outro símio. Em outro vídeo, um rato desistiu de um chocolate para ajudar um companheiro a escapar de uma armadilha.

Para reforçar a sua tese, ele citou o evolucionista Charles Darwin, que chegou à conclusão, entre outras, de que os animais que desenvolveram instintos sociais acabaram adquirindo “um senso moral ou uma consciência”.

Para Wall, a moral
vem da empatia
Wall (foto) trabalha na Universidade Emory, de Atlanta, no sul dos Estados Unidos. Ele é autor do livro “A Era da Empatia".

Para ele, a moral humana vem da empatia [colocar-se no lugar do outro]. Essa empatia, disse, teve origem em pequenos grupos de humanos, na pré-história, decorrente de sua simpatia em relação a seus iguais.

Disse que essa simpatia se verifica hoje entre membros de pequenas comunidades e que o esforço da civilização tem sido de estendê-la para os integrantes de uma grande comunidade, que são os habitantes do planeta.

Com informação das agências.