Estudo publicado na revista Nature confirma uma hipótese proposta em 1875, ou seja, 150 anos depois.
A planta do estudo é a Saxifraga candelabrum, espécie alpina de flores brancas e amarelas que cresce no planalto do Qinghai-Tibete e nas montanhas Hengduan, na China. Uma equipe liderada por cientistas da Flórida e da China comprovou que ela é carnívora.
Charles Darwin já suspeitava disso. Em seu tratado de 1875 sobre plantas carnívoras, notou que espécies de Saxifraga tinham pelos glandulares pegajosos capazes de prender insetos, como os das droseras que o fascinavam.
Darwin chegou a alimentar duas espécies europeias do gênero, S. rotundifolia e S. umbrosa, com insetos, em experimentos caseiros. Mas não reuniu evidência conclusiva de digestão, e a hipótese ficou sem confirmação por décadas.
O critério científico é rigoroso, e é isso que separa ciência de especulação: não basta a planta capturar insetos por acaso. Para ser carnívora, ela precisa atrair, prender, digerir a presa e absorver os nutrientes.
Para provar a digestão, os pesquisadores identificaram atividade de fosfatase nas folhas, enzima digestiva típica de carnívoras. O resultado fecha o ciclo de evidências que faltava aos experimentos de Darwin no século 19.
O achado amplia a lista de linhagens carnívoras conhecidas. Segundo os autores, distintos tipos de carnivoria evoluíram de forma independente em pelo menos 14 famílias de plantas, processo chamado evolução convergente.
Evolução convergente é quando pressões seletivas semelhantes, em solos pobres em nitrogênio em altitude, levam linhagens sem parentesco próximo a desenvolver soluções parecidas para o mesmo problema.
Susan Myers, botânica do Jardim Botânico de Pittsburgh que não participou do estudo, comentou que o achado mostra o quanto ainda há por descobrir sobre plantas já catalogadas e estudadas há décadas.
O episódio ilustra o método científico: uma hipótese testável, formulada com os instrumentos disponíveis na época, fica em aberto até que novas ferramentas permitam testá-la de forma rigorosa e repetível.
Com informação de Nature.
A planta do estudo é a Saxifraga candelabrum, espécie alpina de flores brancas e amarelas que cresce no planalto do Qinghai-Tibete e nas montanhas Hengduan, na China. Uma equipe liderada por cientistas da Flórida e da China comprovou que ela é carnívora.
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Os cientistas analisaram 45 exemplares de S. candelabrum em campo. Insetos foram encontrados presos nos pelos glandulares de 43 deles, com média de 71 insetos capturados por planta madura |
Charles Darwin já suspeitava disso. Em seu tratado de 1875 sobre plantas carnívoras, notou que espécies de Saxifraga tinham pelos glandulares pegajosos capazes de prender insetos, como os das droseras que o fascinavam.
Darwin chegou a alimentar duas espécies europeias do gênero, S. rotundifolia e S. umbrosa, com insetos, em experimentos caseiros. Mas não reuniu evidência conclusiva de digestão, e a hipótese ficou sem confirmação por décadas.
O critério científico é rigoroso, e é isso que separa ciência de especulação: não basta a planta capturar insetos por acaso. Para ser carnívora, ela precisa atrair, prender, digerir a presa e absorver os nutrientes.
Para provar a digestão, os pesquisadores identificaram atividade de fosfatase nas folhas, enzima digestiva típica de carnívoras. O resultado fecha o ciclo de evidências que faltava aos experimentos de Darwin no século 19.
O achado amplia a lista de linhagens carnívoras conhecidas. Segundo os autores, distintos tipos de carnivoria evoluíram de forma independente em pelo menos 14 famílias de plantas, processo chamado evolução convergente.
Evolução convergente é quando pressões seletivas semelhantes, em solos pobres em nitrogênio em altitude, levam linhagens sem parentesco próximo a desenvolver soluções parecidas para o mesmo problema.
Susan Myers, botânica do Jardim Botânico de Pittsburgh que não participou do estudo, comentou que o achado mostra o quanto ainda há por descobrir sobre plantas já catalogadas e estudadas há décadas.
O episódio ilustra o método científico: uma hipótese testável, formulada com os instrumentos disponíveis na época, fica em aberto até que novas ferramentas permitam testá-la de forma rigorosa e repetível.
Com informação de Nature.

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