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Berço da homeopatia, Alemanha retira essa pseudociência do sistema público de saúde

Os pacientes continuam livres para recorrer ao pseudo-tratamento, mas terão que pagar de forma particular.


Edzard Ernst
professor emérito da Escola de Medicina da Península, na Universidade de Exeter, Inglaterra
professor


O que se previa há muito tempo, agora aconteceu: a Alemanha – berço da homeopatia – finalmente decidiu deixar de reembolsar tratamentos homeopáticos e antroposóficos pelo sistema público de saúde.

A decisão representa uma importante tentativa de alinhar os gastos públicos com a medicina baseada em evidências.

Com a reforma, os planos de saúde não poderão mais financiar esses tratamentos como benefícios padrão ou opcionais. 

A política é significativa não porque a homeopatia represente uma parcela importante dos gastos com saúde, mas porque aborda uma questão ética fundamental: as contribuições obrigatórias para o seguro saúde devem financiar tratamentos cujos benefícios específicos não podem ser comprovados? 


Ensaios clínicos rigorosamente controlados e avaliações independentes não estabeleceram efeitos além do placebo. A medicina antroposófica, embora mais diversa em suas práticas e modalidades, também inclui conceitos e tratamentos que não atendem aos padrões de evidência comuns para reembolso público.

Os defensores argumentam, naturalmente, que os pacientes valorizam essas terapias, relatando, por vezes, alívio dos sintomas ou melhora do bem-estar. O tempo de consulta, a empatia, as expectativas e a flutuação natural dos sintomas são todos fatores importantes para os pacientes e podem influenciar os resultados. 

Esses fatores, contudo, não comprovam que uma preparação homeopática, por si só, tenha um efeito terapêutico específico. 

O reembolso público, durante décadas, conferiu uma aura imerecida de legitimidade científica, levando os pacientes a acreditarem que um tratamento coberto pelo seguro foi clinicamente validado.

A homeopatia é frequentemente considerada segura. Como os medicamentos homeopáticos normalmente não contêm princípios ativos, isso parece razoável. 

No entanto, a homeopatia pode causar danos graves. Sempre que usada como substituta de um tratamento eficaz, pode prolongar o sofrimento ou, em casos extremos, acelerar a morte. 

Assim, suspender seu reembolso poderia, portanto, proteger pacientes vulneráveis ​​dos danos causados ​​pelas inúmeras alegações irresponsáveis ​​de saúde feitas por homeopatas.

A reforma alemã não proíbe a escolha. Ela preserva a autonomia individual, ao mesmo tempo que distingue a preferência privada do atendimento médico financiado coletivamente.

Um paciente pode comprar produtos homeopáticos ou consultar um profissional de homeopatia, assim como pode gastar dinheiro em muitos outros serviços que valoriza pessoalmente, mas que são inúteis. 


No entanto, um sistema público de saúde tem a obrigação especial de investir os recursos comuns, invariavelmente limitados, em intervenções comprovadamente benéficas, seguras e eficazes.

A decisão alemã, portanto, estabelece um princípio defensável: popularidade, tradição e demanda do paciente não substituem evidências confiáveis. 

A política de saúde deve proteger a liberdade de escolha, mas o financiamento público deve permanecer sujeito a padrões científicos e aos legítimos interesses clínicos dos pacientes.




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