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Andar e calcular ao mesmo tempo pode expor declínio cognitivo cedo

Andar e calcular ao mesmo tempo pode expor declínio cognitivo cedo

Pesquisa da UFRJ testa caminhada com tarefa mental para detectar sinais precoces de declínio cognitivo em idosos


Agência Bori
serviço de apoio à imprensa na cobertura da ciência

Testes que combinam caminhar com uma tarefa mental simultânea, os chamados testes de dupla tarefa, podem ajudar a identificar precocemente o declínio cognitivo em idosos, aponta estudo da UFRJ.

A pesquisa foi publicada na revista Dementia & Neuropsychologia e sugere que o método pode complementar ferramentas já usadas no diagnóstico de alterações cognitivas iniciais.

                 Imagem produzida por inteligência artificial


A equipe avaliou 144 pessoas com mais de 60 anos, divididas entre um grupo saudável e outro com possível comprometimento cognitivo, submetidas a testes cognitivos, motores e de dupla tarefa.

Os testes de dupla tarefa combinavam caminhada com atividades mentais, como subtração ou nomeação de animais, além de avaliação do desempenho em tarefas cotidianas como medicamentos e dinheiro.

Os dois grupos tiveram desempenho parecido em testes motores isolados, mas os idosos com possível declínio cognitivo apresentaram pior resultado ao combinar caminhada com desafio mental.

Em situações que exigem duas ou mais tarefas simultâneas, o cérebro não processa todas as informações com a mesma eficiência e prioriza o estímulo mais relevante, afirma a autora Daniella Gomes.

Segundo Gomes, do Instituto de Psiquiatria da UFRJ, isso pode reduzir a velocidade da marcha, causar interrupções ou aumentar o risco de quedas, sobretudo em idosos com quadros de demência.

O grupo com possível declínio também apresentou dificuldades de atenção, esquecimento de compromissos e problemas no gerenciamento de medicamentos, associados ao desempenho na dupla tarefa.

Essa associação perdeu significância estatística após ajuste para escolaridade, raça e nível geral de cognição, o que indica necessidade de mais estudos sobre o valor preditivo do método.

Para Gomes, a demência reduz progressivamente a autonomia dos idosos, mas o diagnóstico nas fases iniciais é difícil porque as dificuldades cotidianas ainda são sutis nesse estágio.

A pesquisadora defende que os testes de dupla tarefa, por combinarem demanda motora e cognitiva, geram interferência que os torna mais sensíveis para detectar alterações precoces.

O diagnóstico antecipado pode reduzir a progressão da doença, permitir mudanças no estilo de vida e viabilizar estratégias voltadas à melhora cognitiva, segundo a autora do estudo.

Os testes de dupla tarefa têm potencial para integrar a triagem de declínio cognitivo já feita no SUS por meio do aplicativo ICOPE, da Organização Mundial da Saúde, aplicado em clínicas de família.

A avaliação do ICOPE usa testes físicos, cognitivos e psicológicos simples, que podem ser aplicados por profissionais como fisioterapeutas e educadores físicos devidamente treinados.

Enquanto o método não integra as estratégias oficiais, a equipe da UFRJ segue as pesquisas para ampliar a detecção precoce do declínio cognitivo entre a população idosa.

Com informações de Dementia & Neuropsychologia


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