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Pseudociência se reinventa. Constelação familiar ganha versão com cavalos

Considerados presas e não predadores, os cavalos teriam sensibilidade à energia humana, segundo praticantes dessa nova maluquice da pseudociência


A constelação familiar tem nova versão. Com cavalos no lugar de bonecos ou representantes humanos.

Considerados presas, e não predadores, os equinos têm comportamento de manada e senso de proteção aguçado, segundo praticantes da técnica.

A terapeuta Daniella Lago, do Centro Iyuptala no Brasil, afirma que os cavalos captam a energia humana a metros de distância.

Entre os clientes da prática estão a atriz Claudia Mauro e o ator Cameron Douglas, filho do ator Michael Douglas.

Claudia tinha medo de cavalos após um incidente durante as gravações da novela Páginas da Vida, em 2006.


Se o cavalo
deita, o
paciente
estaria
relaxado
e se masca
validaria o
caminho
seguido.
Não há o
risco de coice?

Na sessão, ela relatou ter resgatado lembranças da avó, morta quando a atriz tinha 10 anos, episódio levado depois ao espetáculo A Vida Passou Por Aqui, em cartaz há uma década.

A psicóloga Daniela Faertes contesta os efeitos atribuídos à prática. O Conselho Regional de Psicologia não autoriza a constelação familiar, por tratar-se de pseudociência.

Criador do método na década de 1970, o ex-padre alemão Bert Hellinger interpretava dinâmicas familiares sob perspectiva religiosa, afirma a psicóloga.

Segundo Faertes, mudanças emocionais atribuídas à constelação ocorrem de forma independente do método, como parte de um processo fisiológico já conhecido.

A metodologia de Daniella começa com um encontro on-line, em que são explicados os significados dos movimentos do cavalo durante a sessão presencial.

Se o animal deita, o paciente estaria relaxado. Se masca, validaria o caminho seguido. Se galopa, indicaria energia contida, segundo a terapeuta.

A cantora lírica Maria Sole Gallevi, 45, diz ter resolvido conflitos com a mãe já falecida e com as irmãs por meio da prática com cavalos.

Gabriela Rozman, 43, gerente de Direitos Humanos e Trabalho no Pacto Global da ONU, relata mudança em questões familiares tratadas antes em análise.

Rozman é paciente de Claudia Tannus de Mesquita, dona do Centro Iyuptala no Uruguai, país onde vive há duas décadas.

Segundo Mesquita, os cavalos não representam um familiar específico, mas indicam, pelos movimentos, questões ligadas ao lado paterno ou materno.

O centro também oferece meditação e mindfulness com cavalos, além de terapia de alinhamento energético, sem respaldo em evidências científicas.

Reportagens do Paulopes já mostraram que a constelação familiar foi adotada pelo Judiciário brasileiro desde 2012, sem comprovação de eficácia.

Conselhos de psicologia e pesquisadores apontam riscos da prática, como revitimização de mulheres e naturalização de abusos, conforme cobertura anterior do portal.

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