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Autor dos mosaicos de Aparecida, Rupnik é acusado de abuso sexual. E seu julgamento não avança

Padre esloveno acusado de abusar de dezenas de mulheres enfrenta julgamento sem prazo no Vaticano, enquanto seus mosaicos seguem expostos


Marko Rupnik, autor dos mosaicos da Basílica de Aparecida, é réu em um processo canônico movido por mulheres que o acusam de violência sexual e psicológica.

A advogada das denunciantes, Laura Sgrò, afirma que o Vaticano não fornece qualquer informação sobre o andamento do caso desde a abertura da ação, em abril de 2024.


Entre um
desenho e
outro de
figura
angelical,
o padre
Rupnik
violentava
mulheres,
segundo
denúncias

"O que está acontecendo neste julgamento é simplesmente assustador", disse Sgrò à AFP, relatando ligações, e-mails e cartas registradas que nunca obtiveram resposta oficial.

Rupnik, 71, é acusado de abusar de pelo menos 20 mulheres ao longo de quase três décadas, principalmente na comunidade que dirigia em Liubliana, na Eslovênia.

O Vaticano havia arquivado o caso em 2022, alegando prescrição dos fatos, mas o papa Francisco suspendeu esse prazo em 2023 para permitir a continuidade do processo.

Em outubro de 2025, cinco juízes foram nomeados para o tribunal responsável pelo julgamento, sem que uma data de abertura fosse divulgada até hoje.

Diante de rumores de uma absolvição discreta, a Santa Sé negou qualquer deliberação e afirmou que a análise da documentação ainda está em curso.

O porta-voz Matteo Bruni disse que o sigilo durante o processo busca preservar o próprio julgamento e evitar prejuízo a todos os envolvidos no caso.

O direito canônico deixa as vítimas à margem: mesmo após reforma promovida por Francisco em 2019, elas não têm acesso ao dossiê nem ao andamento detalhado.

Sgrò enviou carta ao cardeal Víctor Manuel Fernández, do Dicastério para a Doutrina da Fé, questionando o sigilo e afirmando que as as mulheres abusadas se sentem abandonadas.

Leão XIV, eleito em maio de 2025, já se reuniu com vítimas, mas não anunciou nenhuma medida sobre o caso Rupnik até o momento.

Em novembro, o papa disse compreender a dificuldade das vítimas em esperar, mas defendeu que a Igreja deve respeitar os prazos dos procedimentos judiciais.

Uma visita de Leão XIV a Lourdes está prevista para setembro, onde o santuário já decidiu ocultar os mosaicos de Rupnik a pedido de denunciantes.

No Brasil, a Basílica de Aparecida inaugurou em 2022 o maior mosaico de Rupnik no mundo, com mil metros quadrados na fachada norte do templo.

A obra foi feita com pedras de cinco países e retrata cenas do livro do Êxodo; um segundo mosaico, na fachada sul, segue sem inauguração.

O santuário paulista, que recebe cerca de 10 milhões de fiéis por ano, não se pronunciou publicamente sobre o futuro da obra do padre acusado.

A PUC do Paraná revogou em fevereiro de 2023 o título de Doutor Honoris Causa concedido a Rupnik em 2022, mas a PUC de São Paulo mantém uma sala dedicada ao artista.

A Companhia de Jesus expulsou Rupnik da ordem jesuíta em 2023, citando recusa obstinada em observar o voto de obediência, sem confirmar os abusos.

Em 2020, Rupnik chegou a ser brevemente excomungado pela Companhia de Jesus por conceder absolvição a uma religiosa com quem mantinha relações sexuais.

A excomunhão foi suspensa após ele confessar a falta e demonstrar arrependimento, segundo relatos publicados pela imprensa católica internacional.



Rupnik
visitou várias
vezes ao
Brasil e
tinha
grande
círculo
de amizades
no país

Formalmente, Rupnik segue sendo tratado como suposto abusador, já que o direito canônico não depende da expulsão da ordem jesuíta para produzir condenação.

As obras do artista estão espalhadas por mais de 200 igrejas e santuários pelo mundo, incluindo uma capela do próprio Palácio Apostólico do Vaticano.

Sem prazo definido para a conclusão do julgamento, o caso segue como o maior teste do pontificado de Leão XIV sobre transparência em denúncias de abuso na Igreja.

Fontes: G1, Agência Ecclesia, Paulopes e outras fontes.

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