Essa pseudociência não reconhece o papel da lógica, da evidência e do pensamento crítico
A astrologia deveria estar em museus e livros de história, não no cotidiano das pessoas. A avaliação é de Carlos Orsi, 55, autor de "What Science Says About Astrology", lançado neste mês em inglês nos EUA.
O livro, ainda sem previsão de edição em português, reúne décadas de experimentos. Em todos eles, o número de acertos da astrologia equivaleu ao que se observaria se alguém respondesse no chute.
"As pessoas começam a tomar decisões que têm consequências importantes, graves, baseadas em informações que, no fim, são falsas", diz Orsi, diretor de comunicação do Instituto Questão de Ciência.
Para o autor, a astrologia tem importância histórica. Surgiu na Mesopotâmia para prever questões de Estado, como guerras e pragas, e só depois passou a tratar da vida de cada indivíduo.
O horóscopo pessoal mais antigo de que se tem registro data de 410 a.C., na Babilônia. Foi, diz Orsi, uma das primeiras tentativas da civilização de fazer ciência, mas baseada em um projeto errado.
Um dos testes mais robustos foi conduzido em 2007 por David Voas, professor da University College London. Ele examinou dados de 20 milhões de pessoas no censo de Inglaterra e País de Gales.
Voas buscou ver se algum par de signos se casava com frequência diferente da esperada pelo acaso. Um efeito inicial sumiu quando percebeu que datas de nascimento haviam sido preenchidas com erro.
Para Orsi, a astrologia minimiza o papel da lógica, da evidência e do pensamento crítico, deixando pessoas vulneráveis à manipulação e à exploração. E há registros de discriminação derivada dela.
Em estudo publicado em 2020, 800 voluntários na China avaliaram currículos idênticos, exceto pelo signo. Candidatos de virgem, signo mal visto no país, receberam intenção de contratação bem menor.
No ocidente também há setores de recursos humanos que pedem o signo de candidatos. Uma astróloga de negócios disse ao Wall Street Journal que a prática é mais frequente do que se imagina.
O autor lembra ainda o viés de confirmação. O pesquisador Geoffrey Dean distribuiu mapas astrais com interpretações invertidas em relação às originais: as leituras foram aceitas 97% das vezes.
Erros tendem a ser descontados e acertos, supervalorizados. A partir de certo número de previsões, observa Orsi, o astrólogo acerta algumas por puro acaso, não por influência dos corpos celestes.
Segundo o autor, hoje muita gente recorre à astrologia como autoconhecimento ou forma de buscar sentido sem aderir a uma religião. No longo prazo, porém, tende a trazer mais problemas do que soluções.
Com informações da Folha de S.Paulo.
A astrologia deveria estar em museus e livros de história, não no cotidiano das pessoas. A avaliação é de Carlos Orsi, 55, autor de "What Science Says About Astrology", lançado neste mês em inglês nos EUA.
O livro, ainda sem previsão de edição em português, reúne décadas de experimentos. Em todos eles, o número de acertos da astrologia equivaleu ao que se observaria se alguém respondesse no chute.
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Mapa astrológico da antiguidade |
"As pessoas começam a tomar decisões que têm consequências importantes, graves, baseadas em informações que, no fim, são falsas", diz Orsi, diretor de comunicação do Instituto Questão de Ciência.
Para o autor, a astrologia tem importância histórica. Surgiu na Mesopotâmia para prever questões de Estado, como guerras e pragas, e só depois passou a tratar da vida de cada indivíduo.
O horóscopo pessoal mais antigo de que se tem registro data de 410 a.C., na Babilônia. Foi, diz Orsi, uma das primeiras tentativas da civilização de fazer ciência, mas baseada em um projeto errado.
Um dos testes mais robustos foi conduzido em 2007 por David Voas, professor da University College London. Ele examinou dados de 20 milhões de pessoas no censo de Inglaterra e País de Gales.
Voas buscou ver se algum par de signos se casava com frequência diferente da esperada pelo acaso. Um efeito inicial sumiu quando percebeu que datas de nascimento haviam sido preenchidas com erro.
Para Orsi, a astrologia minimiza o papel da lógica, da evidência e do pensamento crítico, deixando pessoas vulneráveis à manipulação e à exploração. E há registros de discriminação derivada dela.
Em estudo publicado em 2020, 800 voluntários na China avaliaram currículos idênticos, exceto pelo signo. Candidatos de virgem, signo mal visto no país, receberam intenção de contratação bem menor.
No ocidente também há setores de recursos humanos que pedem o signo de candidatos. Uma astróloga de negócios disse ao Wall Street Journal que a prática é mais frequente do que se imagina.
O autor lembra ainda o viés de confirmação. O pesquisador Geoffrey Dean distribuiu mapas astrais com interpretações invertidas em relação às originais: as leituras foram aceitas 97% das vezes.
Erros tendem a ser descontados e acertos, supervalorizados. A partir de certo número de previsões, observa Orsi, o astrólogo acerta algumas por puro acaso, não por influência dos corpos celestes.
Segundo o autor, hoje muita gente recorre à astrologia como autoconhecimento ou forma de buscar sentido sem aderir a uma religião. No longo prazo, porém, tende a trazer mais problemas do que soluções.
Com informações da Folha de S.Paulo.

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